Na capital mato-grossense, balões dourados grudados na parede formam o nome Enã Rezende, de 26 anos. Neste lugar, um salão de eventos reservado por sua família, há chinelos e camisas personalizadas, confeccionadas para o rapaz, que colou grau no dia 15 de janeiro. Seus familiares não mediram esforços em organizar uma formatura única e especial para o rapaz, que formou-se em Medicina.
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Para sua mãe, Érica Rezende, 46, este é um dos momentos mais felizes de toda sua vida.
“Tem passado um filme diante de mim sobre tudo o que vivemos”.
Érica conta que duas décadas atrás ouviu de uma professora de Enã que seu filho não iria conseguir sequer ser alfabetizado. Vê-lo ser diplomado com a conclusão do ensino superior é uma alegria imensurável.
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Dois dias depois, Enã e sua família se preparavam para um jantar em homenagem aos formandos de medicina. Este foi o terceiro evento especial para os concluintes do curso. No dia anterior, participaram de uma cerimônia religiosa.
“Na colação de grau dele, fiquei em choque, sem expressar muita emoção, porque estava me lembrando de tudo o que vivemos desde que ele era pequeno. Mas ontem, no culto ecumênico, não aguentei e chorei bastante”, diz Érica.
Enã é autista. Desde a infância, sofreu bullying e preconceito por conta de ser quem é. Diz que se sentia inferior em função das ofensas que ouvia de seus colegas. Ele diz que concluir um curso tão complexo como Medicina foi uma maneira de provar a si mesmo de que era capaz de fazer o que quisesse.
“Eu dizia para mim: tenho que vencer na vida e mostrar que está todo mundo errado. Sempre soube que teria de lutar mais que os outros para conquistar meus objetivos”, diz o rapaz, de fala mansa e poucos gestos.
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TEA
O Transtorno do Espectro Autista (TEA), popularmente conhecido como autismo, é uma desordem complexa do desenvolvimento cerebral.
O TEA é caracterizado por dificuldades na socialização e comunicação com outras pessoas; também notam-se padrões comportamentais considerados repetitivos, com ações semelhantes em um curto espaço de tempo.
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De acordo com um estudo realizado por pesquisadores norte-americanos, estima-se que 1 em cada 59 crianças tenha alguma característica relacionada ao TEA.
O futuro
Enã diz a colação de grau era um dos momentos mais aguardados por ele. “A cerimônia de finalização de curso parecia um sonho maluco e maravilhoso”.
“Fiquei um pouco nervoso na hora, mas depois foi um alívio. É importante lembrar que tenho uma grande responsabilidade pela frente por ser médico, sendo autista ou não.”
O jovem ressalta que ele não é o primeiro autista a se formar no Brasil. Há outros profissionais que sofrem do mesmo transtorno que entraram em contato após descobrir sua história na internet.
“Alguns médicos me disseram que não revelam que são autistas por medo do preconceito”, conta.
Enã começará a trabalhar em uma unidade do Exército no município de Rondonópolis, no Mato Grosso.
“Todo médico recém-formado precisa se apresentar para o Exército. Quando foi a minha vez, disse que tinha interesse em prestar serviços como médico e eles me aceitaram”, comenta.
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Ele ficará um ano na cidade. Para 2020, diz que planeja iniciar especialização na área de Neurologia.
O orgulhoso médico diz, ao final, que deseja deixar uma mensagem para outros autistas.
“Eu sei que para alguns, as percepções podem ser difíceis. Vocês vão ter dificuldades, mas nunca incapacidades. Se vocês têm um sonho, corram atrás dele. Não desistam!”, conclama.
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Fonte: BBC Brasil
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