Jovem que comia manga com farinha para não passar fome vira advogado e hoje ajuda pessoas carentes no AP

Até pouco tempo atrás, Eliel da Silva Maciel, 29, mal tinha o que comer em casa e se alimentava de manga com farinha para não passar fome. Hoje, é um advogado completo que atende famílias carentes gratuitamente.

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Filho de uma agricultora e um mototaxista, Eliel vivia em uma área de palafitas – construções feitas em regiões alagadiças que evitam que as casas sejam arrastadas pela correnteza dos rios, – no bairro Buritizal, em Macapá (AP), onde mora até hoje.

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Da infância, o rapaz guarda memórias de vizinhos da comunidade que precisavam de orientação jurídica, mas não tinham condições de arcar com os custos. Foi nessa época que surgiu o sonho de virar advogado.

Claro, o caminho até o diploma não seria fácil: em casa, a família por vezes não tinha nem o que comer.

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O pai de Eliel, hoje ex-pedreiro, fazia o possível para não faltar alimento em casa. Mas não tinha jeito: com a chegada das chuvas, os ‘bicos’ nas construções simplesmente paravam.

Sem opções, o jeito era catar manga na rua e misturar com farinha: esse era o alimento do dia.

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“A gente comia manga com farinha no jantar, manga no almoço, manga no café, até meu pai providenciar algo melhor pra gente comer. Todas as vezes no inverno isso acontecia. Também quando ele comprava frango, cortava e guardava as peles, quando acabava a carne do frango, a gente extraía o óleo da pele, fazia farofa e comia. Saciava a fome. Passávamos dificuldades, mas estávamos unidos”, recordou.

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Na adolescência, Eliel estudou sempre em escola pública. Era vítima constante de bullying, uma vez que tinha lábio leporino (uma fenda no lábio superior que pode se prolongar até o nariz). Ainda assim, jamais se deixou abalar e manteve a dedicação nos estudos.

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Assim que terminou o ensino médio, em 2013, o futuro advogado entrou na faculdade de Direito via Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) com a ajuda dos pais.

Foram cinco anos de muita luta, andando quilômetros entre uma aula e outra… Enfim, o diploma veio!

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Eliel fez a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e passou – de primeira – em 2019. Hoje, o advogado amapaense oferece serviços em diversas áreas do Direito, como o agrário, previdenciário, criminal, civil e até créditos rurais.

Para os moradores de sua comunidade, esses serviços são gratuitos.

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“A ausência do poder público dentro da área de ressaca foi o que também me fez buscar conhecer o Direito, ou seja, tem gente que, às vezes, está precisando de um remédio que o poder público não fornece e eu, conhecendo o direito, às vezes, faço a ‘advocacia pro bono’, que a pessoa não paga nada. Muitas vezes as pessoas vêm na minha casa que é na ponte. Os próprios vizinhos, às vezes, me procuram para receber orientação e apoio. Faço com muito prazer”, pontuou.

Como advogado completo que é, Eliel agora busca oferecer uma vida melhor para os pais e seu filho de 3 anos. No entanto, ele não se vê saindo de casa, nas palafitas do bairro Buritizal.

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Orgulhoso de suas origens, seu futuro é continuar vivendo ali – tanto que montou seu aconchegante escritório em casa, local onde quer inspirar outras pessoas com sua trajetória.

“A ponte é minha rua, e a área de ressaca é meu quintal. A criminalidade onde eu moro não me impediu de seguir meu sonho. Se a pessoas tiver força de vontade de vencer, ela vence, com o apoio de Deus. Quero motivar as pessoas que moram na área de ressaca, que estão nas mesmas condições que eu estava e, também sonham, não se deixem abater, estudem e trabalhem, é o melhor caminho”, concluiu.

Junto à Stone, viajamos o Brasil para mostrar negócios que muita gente acha que não daria certo na nossa terrinha – e dão! Veja o 6º EP da websérie E se fosse no Brasil?

Fonte: Seles Nafes
Fotos: Arquivo pessoal

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