Juiz monta banda de rock como medida socioeducativa para ajudar jovens que ele condenou

Consegue imaginar a seguinte situação: uma banda de rock formada por um juiz e jovens que ele mesmo condenou?

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Pode parecer uma cena impossível, mas essa é a realidade do juiz Dalmir Franklin de Oliveira Júnior, que há oito anos atua na Vara da Infância e da Juventude com os adolescentes do Case (Centro de Atendimento Socioeducativo) de Passo Fundo/RS.

Chamada de Liberdade, a banda conta com meninos que ele condenou por crimes como tráfico, roubo e até homicídio, e eles tocam principalmente rock brasileiro, como Titãs, Engenheiros do Hawaii, Legião Urbana, mas o juiz também cede aos pedidos dos internos e arrisca no sertanejo de vez em quando, o ritmo preferido da molecada.

Ao contrário do que alguns podem estar se questionando, o juiz garante que nunca teve problemas com nenhum dos integrantes, até porque, para poder concorrer a uma vaga na banda, é preciso ter bom comportamento.

“Tem um respeito recíproco grande”, conta o juiz em entrevista à Folha de S. Paulo, para quem a banda ensina responsabilidade, já que nela “cada um tem sua função”.

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“A música tem ampla aceitação social e dá outra etiqueta a esses jovens, permite que eles sejam vistos por outro viés que não o da delinquência”, afirma Dalmir, 39 e tecladista.

“O único ser que se reúne para tocar um instrumento é o humano. Por isso, ali eles se sentem mais humanos”, diz o professor de percussão do projeto Marcelo Pimentel, 50.

Além da banda, os cerca de 80 internos do Case, cerca de 25 participam das aulas de música do projeto que começou há 6 anos.

A comunidade e a Pastoral Carcerária ajudaram a montar as aulas teóricas e práticas sobre ritmo e harmonia. O juiz doou os instrumentos. O projeto não conta com verba pública.

“As pessoas não sabem o que é ser adolescente e estar preso em uma sexta-feira [quando todos se divertem]”, diz o professor. “Eles têm que pagar pelos erros, mas não precisa ser um inferno.”

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Fonte: Folha de S. Paulo / Foto: Diogo Zanatta/Agência RBS/Folhapress

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