Mãe viaja mais de mil quilômetros para adotar menina com síndrome de down

Até onde o amor de mãe pode levar? Para Paola, ele não mede distâncias. A goiana esperou cuidadosamente para alcançar o desejo de adotar uma filha com Síndrome de Down e quando a oportunidade surgiu, ela não hesitou e percorreu mais de mil quilômetros para enfim poder prestar o seu amor de mãe a alguém que tanto precisava.

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“Ser mãe… é um amor que não dá pra explicar. Quando ela deita no meu peito e eu consigo sentir o coraçãozinho dela bater, sinto que estou no céu”.

A história começa quando Paola ainda era adolescente. “Meu sonho era ser mãe adotiva de uma menina T21. Antes do desejo tomar forma, eram só sonhos à noite com uma menina Down bailarina que começaram quando eu ainda era adolescente”, disse Paola.

Anos mais tarde veio o casamento e uma das primeiras coisas que o marido Adalberto ficou sabendo foi sobre o desejo. “Num dia qualquer, por iniciativa dele, ouço a proposta: vamos procurar a bailarina?”.

Era o início da realização de um sonho, o sonho de ser mãe de uma forma diferente e que não seria fácil. “Foi então que começou a romaria para o processo de adoção”, disse ela.

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Pai e mãe com criança com Síndrome de Down
Adalberto aceitou o desejo de Paola e a ajudou a encontrar a sua bailarina. Foto: Arquivo pessoal

Vaquinha para reformar casa de mãe e filho que corre o risco de desabar com chuva. Faça a sua contribuição!

Corrente se formou na internet para encontrar filha de Paola

Foram seis meses só para entrar na fila de espera. Depois a dificuldade era encontrar uma criança de até 4 anos do sexo feminino com Síndrome de Down. No estado de Goiás não havia e começou um verdadeiro trabalho de formiguinha.

A família postou nas redes sociais a procura e várias outras pessoas saíram compartilhando a ideia, todo mundo querendo ajudar Paola a encontrar a sua bailarina especial.

“Foi lindo de se ver. Começaram a chegar alguns sinais, alguns telefonemas”. Mas nada de concreto. Um certo dia, a notícia chegou por meio de um telefonema do esposo. “Quando atendo, a frase tão sonhada e embriagada de emoção na voz do meu marido: ‘Amor, acharam a nossa filha!’ Teve choro dos dois lados da ligação.

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Pai e mãe com criança com Síndrome de Down

A pequena Agnes de 52 dias esperava pelo casal no interior de São Paulo. Era uma bebê com Síndrome de Down que não conseguia se alimentar, que havia sido abandonada e que estava sendo cuidada pela equipe do hospital. “A vontade era sair correndo para buscá-la”.

Criança com Síndrome de Down sorrindo para a câmera

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Casal fez anúncio para amigos e familiares antes

Antes mesmo de iniciar a procura pela tão sonhada filha bailarina, a família começou uma preparação com amigos e familiares. “Optamos por contar a todos bem cedo para que boa parte do preconceito que já sabíamos que enfrentaríamos viesse antes, longe dela, para que não sentisse essa energia, não carregasse esse fardo logo na sua chegada”.

O pai da Paola não aceitava, mas foi se acostumando com a ideia. “Eu não sabia qual seria sua reação. Quando contei a novidade, ele não só ficou feliz, como se emocionou, repetia: já sou vovô, já sou vovô”.

O Razões tem seu próprio podcast para espalhar boas notícias, ouça os episódios na sua plataforma favorita clicando aqui.

Família viajou mais de mil quilômetros de carro

Depois de tudo que Paola e Adalberto passaram, eles iriam buscar Agnes no interior de São Paulo, mas não poderiam ir de avião por causa das restrições causadas pela pandemia de coronavírus. Mas isso não era obstáculo, eles foram de carro.

“No hospital repetiram algumas vezes que não éramos obrigados a aceitar. Até parece que iríamos desistir depois de procurar tanto por ela”. Naquele mesmo dia a Justiça já iria conceder a guarda de Agnes para eles. Estava realizado o sonho!

Mãe com criança com Síndrome de Down
Parece que foram feitas uma para a outra. Foto: Arquivo pessoal

“Daí em diante nossa história se inicia. Agnes ganha não apenas pais, mas uma família apaixonada por ela. Meu pai se foi de repente uma semana após chegarmos a Goiânia, antes de conhecer a neta, mas sem dúvida após cumprir sua missão. Agnes tem esse poder e veio também com essa missão, para a evolução do avô”. Nossa, que história!

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PARTE 7 No hospital nos levaram para conversar com a equipe médica sobre o estado de saúde dela. Repetiram algumas vezes que não éramos obrigados a aceitar se estivéssemos inseguros e que também teríamos tempo de pensar. Nessas horas eu e meu esposo trocávamos olhares e ríamos, o pensamento era o mesmo “até parece que iremos desistir depois de procurar tanto por ela!” Os probleminhas de saúde eram meros detalhes pra nós, tudo que ela precisava era de pais pra cuidar daquilo junto com ela e a gente queria fazer isso. Mas antes queríamos o que todos os pais biológicos também querem quando os filhos estão prestes a nascer, sentir o cheirinho, ver a mãozinha, o pezinho, sentir ela no nosso colo, ah isso era o que a gente queria mais que tudo! Nos paramentamos para entrar na UTI, queríamos registrar o momento, não era permitido, mas o universo estava ao nosso favor! Por lá a nossa chegada também era muito esperada, afinal de contas, ela fazia 2 meses naquela UTI neonatal, então “permitiram” que as técnicas fizessem o registro do nosso encontro. Higienizamos as mãos e entramos, entrou conosco as técnicas e a equipe médica, que nos conduziu até ela e disseram “podem se aproximar”. Único bebê que não estava em incubadora, olhinhos amendoados alertas e respiração muito ofegante. Na hora não sabíamos muito o que fazer, ela estava ligada ao monitor e nós estávamos em estado de choque. Fomos até o bercinho, fiquei sentindo o cheirinho, peguei na mãozinha e ela segurou meu dedo então eu disse “Oi meu amor, mamãe e papai veio te buscar”. Quando olhei pro lado, meu esposo era só lágrimas, mais adiante, não havia ninguém que não chorava, as técnicas, a equipe do hospital, todos se emocionaram muito, acho que tiveram a mesma certeza que nós. Até aquele momento, eles eram tudo que ela tinha, eram a família dela e diga-se de passagem, estava muito bem cuidada. Gratidão é pouco pelo amor que ela recebeu lá! Depois pudemos pega-la no colo o olhar dela vidrado no pai, que já estava com cara de apaixonado, me deu a certeza que era um encontro de almas. Ali ela respirou fundo e a sensação que dava era que ela pensava “ufa, estou em casa.” (Continua no próximo post)

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O amor é capaz de tudo. Olha o que fez um filho em Pernambuco para matar a saudade da mãe nessa quarentena: ele coloca uma escada na rua para ter acesso à varanda e poder conversar com a mãe sem colocá-la em risco por causa do coronavírus.

Agnes tem transformado a vida de Paola

“A experiência de ser mãe dela está sendo muito melhor do que sonhávamos. Cada pequena evolução diária é uma vitória que preenche nossos dias da melhor maneira possível”.

Criança com Síndrome de Down sorrindo para a câmera

A família naturalmente tem muitos desafios. Agnes tem um problema sério de coração, dificuldades para respirar e vai fazer cirurgia na próxima semana.

“Acho que o fato dela ser atípica não torna a minha maternidade mais especial, toda criança precisa de amor e merece ter uma família. A escolha do perfil está relacionada a um sonho de adolescente, não sei explicar, fomos estudando e nos preparando pra isso até nos sentirmos preparados para suprir a atenção e as estimulações que ela precisa para se desenvolver”.

Criança com Síndrome de Down dormindo
Agora me digam se ela não parece mesmo uma bailarina? Foto: Arquivo pessoal

Vaquinha para reformar casa de mãe e filho que corre o risco de desabar com chuva. Faça a sua contribuição!

Parece que já estava tudo escrito para Agnes ser filha da Paola, não é?! Que bonita história de maternidade. Parabéns, família!

Fotos: Arquivo pessoal

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