Mãe de Santo lidera mutirão e limpa entorno de cachoeira poluído com oferendas

Preservar a natureza é um dever de todo mundo, independemente da religião que a pessoa segue. A Mãe de Santo Renata (Monakulu Dia Nzambi) deu uma prova de que isso vale inclusive para os seguidores da sua religião, a Umbanda.

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No último sábado (16), ela e seus filhos de santo fizeram um mutirão para retirar oferendas que estavam ao redor de uma cachoeira: de garrafas, louças até roupas.

“O Orixá não faz uso do seu lixo, não recebe vasilhas, plásticos, vidros, nada disso, além de não se decompor esses elementos poluem a natureza que perde sua força, sua vitalidade”, escreveu Renata no Facebook.

“Se cada casa ensinasse os seus adeptos a recolherem seus lixos espirituais e de fato explicassem o que realmente a natureza recebe, não estaríamos com um cenário tão imundo.”

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O grupo encheu mais de 20 sacos de lixo de 100 litros cada, sem contar o lixo que foi queimado. “Com isso não mudei o mundo, mas ensinei meus filhos, para que um dia eles ensinem os filhos deles a de fato zelar pela casa do Orixá”, afirmou a Mãe de Santo.

Confira o relato do mutirão na íntegra:

“Hoje nosso compromisso foi com o sagrado, com o nkisi, dedicamos nosso sábado para ir às águas de Ndandalunda, mais não somente para nos beneficiarmos, mais sim antes mesmo de pedir, para limpar o meio ambiente, sua casa e deixá-la linda e digna de todo ngunzu que Mam’etu Ndandalunda sempre nos proporcionou.
Conheci a pouco tempo esse paraíso espiritual, porém muito me entristeceu ver a forma que alguns seguidores, curiosos, irmãos, tratam a casa do Orixá.
É como nos banharmos com lama, pois vamos a casa do santo, jogamos garrafas, vidros, plásticos, louças, roupas, e acredita-se que o Orixá recebe e faz bom uso daquilo, na sequência a mesma pessoa que levou se banha nas águas de Ndandalunda, achando que está forte, cheia de axé, que o nkisi ficou feliz com sua oferenda, sem ter a sensibilidade e bom senso de que está sujando a casa sagrada, o solo, as águas, que um dia se continuar assim virá fazer muita falta.
O próprio umbandista e candomblecista reclama quando não acham uma água limpa, dizem assim:
Ei fulano sabe onde tem uma boa cachoeira por aqui para se fazer uns perfures?
Aí preciso de água de cachoeira, mais aquela é toda suja.
Pq será?
O Orixá não faz uso do seu lixo, não recebe vasilhas, plásticos, vidros, nada disso, além de não se decompor esses elementos poluem a natureza que perde sua força, sua vitalidade.
Se o nkisi é a força da natureza, se a água é um dos maiores fundamentos, por que as pessoas insistem em não se conscientizarem?
Tiram os lixos da suas casas, roças, e varrem pra debaixo do tapete? Pois é assim que vejo.
Se cada casa ensinasse os seus adeptos a recolherem seus lixos espirituais e de fato explicassem o que realmente a natureza recebe, não estaríamos com um cenário tão imundo.
Somos conhecidos como porcos da fé e com razão, infelizmente é uma realidade.
Tiramos mais de 20 sacos de 100 litros cheios de lixo que não serão decompostos, fora os que colocamos fogo.
Após a limpeza que realizamos, decoramos a mata com suas próprias folhas, flores e frutos e com um sopro de gongá energizamos o pedaço que os mukongos e Ndandalunda nos concedeu, e assim, o nkisi pode vibrar em seu habitat limpo e lindo.
Todos os filhos comungaram e ngudiaram juntos, lanchamos e nada foi deixado ou jogado na casa do santo, tudo foi recolhido e depositado em local adequado para ser retirado.
Com isso não mudei o mundo, mais ensinei meus filhos, para que um dia eles ensinem os filhos deles a de fato zelar pela casa do Orixá.
Esse foi o melhor presente que pudemos ofertar, nossas mãos para limpar a casa sagrada das águas doces.
Com isso, nosso compromisso é com o santo e ele certamente sabe o que tem em nossos corações e nos dará conforme nosso merecimento e tempo, aquilo que for melhor a cada um, com o nkisi não precisa pedir, ele sente, ele sabe, ele dá, ele abençoa aquele que nele confiar e dele zelar.
Nzambi Ua Kuatesa
Monankulu”

imagens: reprodução Facebook/Monankulu Dia Nzambi

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