Mãe e filhas criam projeto para incentivar meninas negras a construírem sua autoestima a partir da valorização de suas origens

Toda mulher merece celebrar sua individualidade e originalidade.
Para isso, é fundamental que elas tenham consciência de sua força e do seu poder. A autoestima e a identificação são as ferramentas que fazem com que as mulheres ocupem os lugares que sempre mereceram. E é por isso que o Razões Para Acreditar e o Quebrando o Tabu, em parceria com Dove e Refinery29, estão juntos nessa missão de ajudar as mulheres a verem ainda mais o que podem conquistar.

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Para oferecer essa experiência de beleza positiva a todas as mulheres e para incentivá-las a ver seu poder, contaremos histórias de mulheres e meninas que são exemplos inspiradores de como a construção da autoestima pode ajudar a nos dar a confiança necessária para atingirmos nosso pleno potencial. É uma ótima viagem pelo mundo feminino e empoderado, que constrói, quebra paradigmas e barreiras.

Consciência! Consciência de espaço, lugar, classe social, gênero, consciência do potencial que têm. É isso o que a mãe de Eduarda, Helena e Elisa tem ensinado para elas e que as irmãs, tão jovens, já reproduzem para as outras crianças no Morro da Providência (RJ).

As gêmeas Eduarda e Helena, de 11 anos, e a caçula Elisa, de 6, sempre foram incentivadas pela mãe e professora Elen Ferreira à prática da leitura, sobretudo da história e da literatura negra.

Depois de tanto ler e conhecer, as gêmeas criaram, quando ainda tinham 7 anos apenas de vida, o projeto literário Pretinhas Leitoras, que está levando mais conhecimento para outras crianças da comunidade.

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A conscientização das meninas partiu da mãe, ao ver que as filhas sofriam com o preconceito. “Antigamente a gente não se aceitava como era por causa do nosso cabelo e nossa cor”, disse Eduarda.

meninas negras sentadas chão roda leitura
Roda de leitura do projeto Pretinhas leitoras incentiva meninas negras a se amarem

Mas a história mudou quando elas tiveram acesso a um mundo de leitores negros que debatiam a autoestima das pessoas pretas, a identificação com sua raça, a aceitação de suas características.

Hoje Duda pensa diferente. Para ela, os livros são uma forma de “incentivar pessoas negras a se amarem através de outras histórias”.

E é também uma forma de entender o seu lugar na sociedade e não aceitar algumas situações. Um dos objetivos do projeto é defender a vida, pois a leitura serve de proteção ainda mais para pessoas pretas vivendo na primeira favela do Brasil, onde as incursões policiais terminam com mortos e feridos.

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“A gente morava em uma região que tinha muito tiroteio e por isso tínhamos que ficar dentro de casa”, explica Helena.

Por isso veio o projeto e, com ele, várias outras crianças foram se interessando pela leitura. As meninas interagem com os coleguinhas mensalmente e, nessa pandemia, os encontros são virtuais.

Duda sonha em fazer doutorado e Helena quer ser professora. “Quero contar a história do nosso povo”.

meninas negras sorrindo segurando livro

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“Nos fortalecemos nesse cuidado que se coletiviza e se fortalece porque é comum, então o nosso olhar para o território é fundamental. Queremos proteger os espaços nos quais nos sentimos seguros e protegidos para fornecer colo e abrigo para nossas crianças, adultos e idosos.”

mãe filhas sorrindo sala aula

Mãe é exemplo

Por trás dessas menininhas tão empoderadas e conscientes de sua potência, está uma mãe dedicada e sábia. Elen é professora escolar e sentiu na pele os efeitos da discriminação. Também tentou modificar o próprio cabelo, mas logo percebeu que se tratava de uma questão de identidade.

É por isso que ela alimenta nas três filhas a tomada de consciência sobre essas questões, e não só nelas, mas em todos os alunos. Elen iniciou um trabalho sobre educação e racismo com rodas de conversa sobre o tema nas escolas.

Ela começou a levar autores com realidades parecidas com as dos alunos para as salas de aula. “Os alunos se identificam a ponto de escrever. Porque essa vivência é também a vivência deles. E todos começam a questionar”, avaliou.

Hoje ela atua em um projeto educacional com equipamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e segue levando consciência, conhecimento e empoderamento por onde passa.

“É preciso que desde muito cedo as crianças se sintam potentes. Talvez a gente, a partir da infância, consiga mudar esse caminho”, finalizou.

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