Após ter filho recusado em escola, mãe funda instituto especializado no desenvolvimento de crianças autistas em Fortaleza (CE)

Quando uma semente é plantada, não dá para prever se ela vai germinar, se dela
vai brotar uma planta grande, pequena ou se não vai dar frutos. Se planta sempre
confiando que ela vai se tornar o que de fato tem que ser.

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Foi mais ou menos assim que as coisas aconteceram na vida da Fátima Dourado, em Fortaleza, em 1993. Na época, com 4 dos seus 6 filhos já nascidos, Fátima era mãe de duas crianças autistas e enfrentava diariamente a batalha de criá-las em um mundo que não estava preparado para recebê-las.

Não existiam escolas ou professores preparados para elas, não havia espaços que
fossem capazes de acolhê-las
e as pessoas – mães, pais, colegas – também não
sabiam muito bem como agir. De todas as instituições de ensino da cidade, só uma
aceitava crianças autistas e, mesmo assim, não eram todos os quadros e níveis que
eram bem-vindos.

Foto: Divulgação

Quando um dos seus filhos, com 13 anos, foi convidado a buscar outro lugar para
estudar, o mundo de Fátima se transformou. A mãe que sempre sentiu na pele a dor
do filho que não era amparado e que, muitas vezes, era tratado como um incapaz e
sem direito a educação, decidiu que era hora de fazer mais pelas crianças e famílias
que passavam por ali todos os dias.

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Junto com mais 8 mães de crianças autistas, Fátima começou então o trabalho da
Casa da Esperança. No início tinham apenas uma pequena parceria com o poder
público e com ela montaram uma equipe multiprofissional que usava da técnica, da
medicina e do amor das mães para desenvolver e cuidar das crianças.

Quando o trabalho completou 10 anos, muita coisa tinha sido construída. Uma bela
sede e uma grande equipe de profissionais faziam da instituição uma grande
referência no Brasil e no mundo quando assunto é autismo.

Foto: Divulgação

“O desejo de uma mãe é poderoso a ponto de mudar o mundo de verdade. A quantidade de vidas que foram ajudadas, transformadas e colhidas pela Casa da Esperança é resultado da inquietação de mães que só queriam um mundo mais justo e preparado para seus filhos. É incrível ver o poder do amor quando convertido em ações!”, afirmam Iara e Eduardo, Caçadores de Bons Exemplos.

Apesar dos muitos desafios, o trabalho deles começou a acolher gente de todo o país e até gente de outros países, já que os resultados dos tratamentos eram bastante significativos.

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Mas, apesar disso, nem todo mundo respondia da mesma maneira a ele e isso fez com que a Casa da Esperança se credenciasse ao SUS, o que deu a eles suporte financeiro para desenvolver novas pesquisas. Esse passo abriu novas portas e atraiu gente como Ami Klin, então coordenador do programa de autismo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Atualmente, atende mais de 400 pessoas com autismo em regime intensivo, de quatro ou oito horas por dia, e realiza mais de mil procedimentos ambulatoriais diariamente.

Além de trabalhar com produção e difusão de conhecimento por meio da distribuição de livros e cartilhas, palestras nas escolas e congressos, aqui e no exterior. A luta é em defesa da neurodiversidade e dos direitos humanos das pessoas com autismo.

Foto: Divulgação

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“Para nossa alegria, a genética e a neurociência social aplicada apontam perspectivas promissoras nessa luta. Já não estamos sozinhos. Rompemos o autismo social. A Casa da Esperança é minha grande razão de viver. Hoje sei que nasci para isso. É o trabalho da minha vida, mas não é trabalho para uma vida apenas, e sim para muitas, bem mais importantes e nobres que a minha. Vidas que se consagram à tarefa de construir, a cada dia, pontes transitáveis e seguras entre pessoas autistas e não autistas”, afirma Fátima.

Ajude a causa: Casa da Esperança

Conheça a historia do casal Iara e Eduardo Xavier: Caçadores de Bons Exemplos

Conteúdo produzido pelo Caçadores de Bons Exemplos, site parceiro do Razões. 

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