Mãe que foi internada com paralisia rara na gravidez chora ao ver a filha pela 1ª vez

No meio da gravidez, Érika Cléia Soares, 25 anos, foi diagnosticada com uma doença inflamatória rara que causa paralisia no sistema nervoso central.

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Após cinco meses de internação em um hospital público de Belo Horizonte (MG), ela deu à luz no último dia 6, mas só pôde conhecer a filha na quinta-feira (23).

“Eu quero ver minha esposa voltar a andar, a falar, para a gente criar nossos filhos. Estávamos cheios de planos, de conseguir nosso carro, ser feliz. Não vou desistir disso”, afirmou Weverton Pereira da Silva, 29 anos, marido de Érika.

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A história do casal viralizou na internet quando a pequena Maria Cecília, de 16 dias de vida, voltou ao hospital para ver a mãe, que ainda segue internada.

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“Ela não consegue carregar a filha, minha mulher não fala, não se mexe, colocamos a bebê em seu colo e ela chorou. Deve ser difícil demais para uma mãe passar por isso”, disse Weverton.

No terceiro mês de gestação, enquanto jantava, Érika apresentou os primeiros sintomas da paralisia.

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“Quando ela voltou do serviço à noite, após o jantar, ela deitou na cama, perguntei o que havia acontecido, ela estava nervosa, estranha, aí mais tarde, ela estava com visão turva, perdendo as forças, fomos para o hospital. Parecia um AVC, só depois ela foi diagnosticada com encefalomielite disseminada aguda, ADEM”, explicou o marido, que é porteiro. Ele e a esposa têm outro filho, o Arthur Bernardo, de 6 anos.

De acordo com a comunidade médica, a ADEM é uma doença inflamatória rara provocada por infecção viral ou bacteriana. Seus principais sintomas são lentidão nos movimentos, diminuição dos reflexos e paralisia dos músculos.

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Ninguém na família tinha ouvido falar da doença, e que se assustou quando viu Érika paralisada e intubada, já no dia seguinte da internação.

“Ela piorou demais, teve convulsões, ficava debatendo o corpo, foi para o CTI intubada, sedada. Ela ficou dias assim e, mesmo depois da alta, ela não voltou a falar”, disse.

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Cirurgia de emergência

Na trigéstima-quinta semana de gestação, a operadora de caixa foi submetida a uma cesárea de emergência.

“Acompanhamos a gravidez de Érika, que teve uma piora progressiva na doença, mas a bebê estava bem e a gravidez pôde prosseguir. Com 35 semanas, a neném nasceu saudável, ótima e depois de poucos dias foi pra casa, mas nossa equipe segue acompanhando a paciente, no pós-parto”, contou a obstetra Patrícia Pereira.

Nos últimos meses, Weverton se reveza com a sogra nos cuidados com os filhos em casa, no bairro São João Batista, na Região de Venda Nova, e com as idas diárias ao hospital para cuidar da mulher. À noite, ele trabalha como vigia de uma obra, na Região Centro-Sul.

“Eu venho todos os dias, dou comida na boca, limpo, passo batom, ela sempre foi vaidosa, sempre gostou de se arrumar, no altar, no dia do nosso casamento eu prometi amá-la na saúde, na doença e estou cumprindo minha palavra. É muito complicado, mas vamos conseguir”, disse.

Ensaio fotográfico solidário

Comovida com a história de Érika, a fotógrafa Paula Beltrão convidou a família para fazer um ensaio de gestante dela – gratuitamente.

“Soube da história da Érika, da gravidade, e fui de forma voluntária fazer ensaio gestante dela, fiz as fotos, para ela ter uma lembrança quando ela melhorasse, para ter um registro da história da família, ver a luta dela pela vida, nesse momento difícil, mas que faz parte da história dela agora”, contou Paula.

Além do ensaio, ela criou uma campanha de financiamento coletivo para ajudar Weverton, que passa por dificuldades financeiras severas. A vaquinha foi um sucesso, arrecadando mais de R$ 90 mil.

Já as fotos do ensaio ‘newborn’ viralizaram nas redes sociais, com mais de 15 mil curtidas em questão de poucos dias. Confira algumas fotos:

“Resolvi me envolver mais nesta história porque eu sei que as necessidades financeiras que eles passaram, é muito difícil, a renda familiar caiu bastante e a despesa aumentou. Érika está sem receber o benefício do INSS desde quando internou, então a renda da família é só a do marido. Além disso, ela precisará de uma reabilitação quando tiver alta, além dos gastos com os filhos”, explicou a fotógrafa.

Segundo o Hospital Risoleta Neves, Érika ainda não tem previsão de alta, e segue na luta contra a doença. Toda força do mundo pra você, Érika!

Confira o ensaio na íntegra:

Veja também:

Fonte: NE10
Fotos: Reprodução / Instagram: @paulabeltrao_photography

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