Mãe solo supera casamento abusivo e ‘encontra’ pai adotivo ideal para filho com deficiência

Em um relato emocionante compartilhado no portal “Love What Matters”, a norte-americana Diane Neves, mãe solo, fez uma defesa apaixonada da maternidade e dos 3 filhos, especialmente o do meio, Ben, que tem múltiplas deficiências físicas.

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“Ben foi diagnosticado com paralisia cerebral tetraplégica espástica, ataxia, epilepsia e atraso no desenvolvimento grave, incluindo na comunicação. Ele é um garoto não-verbal de 3 anos preso em um corpo de 20 anos e precisará de cuidados 24 horas por dia, 7 dias por semana, por toda a vida. Você pode imaginar como eu estava apavorada de ser uma mãe solteira cuidando dele sozinha”, desabafou.

Diane conta que havia “falhado” três vezes em terminar seu casamento, pois o medo sempre estava à espreita, enchendo sua mente de dúvidas.

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“Estar em um casamento abusivo por 17 anos me afetou emocionalmente. Faltava-me auto-estima e confiança. Meu marido enfiou na minha cabeça que ninguém iria querer uma mulher com um filho deficiente. Ele falava que eu iria ficar sozinha para o resto da minha vida se o deixasse. Por 6 anos, lutei comigo mesma pelo divórcio. Eu já não o amava ou respeitava e não gostava da pessoa que ele se tornou. Lutei para manter nossa família unida. Eu tolerei o abuso e sacrifiquei meu próprio bem-estar emocional enquanto pude”, disse.

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Em novembro de 2014, Ben foi submetido a uma cirurgia no joelho, onde fez um alongamento dos tecidos moles e osteotomias extensas. Ele não se recuperou bem, e houve muitas complicações. “Enquanto eu dormia ao lado dele todas as noites, eu me sentia tão sozinha e me perguntava o que estava fazendo com minha vida. Foi naquele quarto de hospital que percebi que meu casamento havia acabado. Levamos Ben para casa e concentrei-me em sua cansativa recuperação pelos próximos três meses, enquanto passava pelos movimentos da vida de casado. Encontrei-me a sós com nosso conselheiro matrimonial para compartilhar meus pensamentos e pedir orientação. Em fevereiro de 2015, contratei um advogado para o divórcio”.

Diane, pela primeira vez em muito tempo, escolheu priorizar sua própria felicidade. “Depois do divórcio, eu tive uma rede de apoio incrível. Meu marido, entretanto, cessou todo contato com Ben. Em sua mente, esse era o meu castigo. Ter que cuidar de Ben sozinha, dia após dia, me faria perceber que precisava dele. Isso não aconteceu. Por quase dois anos, encontrei-me regularmente com um psicólogo e trabalhei em mim mesma. Eu estava em um bom lugar; Eu estava feliz. Eu me sentia livre e podia respirar. Chega de pisar em ovos”, comemorou.

Em janeiro de 2016, Diane conta que Ben havia crescido tanto que já não conseguia mais carregá-lo ou levantá-lo. Se seu filho mais velho não estivesse em casa, ela não podia dar banho nele, porque não conseguia tirá-lo da banheira por conta própria.

“Meu novo foco foi minha jornada de acessibilidade – alcançar 100% de acessibilidade em minha casa para que eu pudesse cuidar de Ben sem me machucar. Seis meses depois, contratei um empreiteiro chamado Victor para construir um banheiro acessível com chuveiro de corrediça. Victor era um homem extraordinário. Eu gostava de falar com ele todos os dias. Ele era muito experiente e tinha muita compaixão e empatia. Fiquei impressionada com suas interações com Ben. Me deu vontade de saber quem era esse cara!”, relembra.

Alguns meses depois que o banheiro foi concluído, Victor voltou para pintar a cozinha de Diane.

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“Ele compartilhou comigo que estava recém-separado, e começamos a conversar profundamente. Fiquei surpresa com o quanto tínhamos em comum. Ele também passou muitos anos sacrificando sua própria saúde emocional, ignorando seus sentimentos e tentando fazer todos os outros felizes para manter sua família unida. Nós dois tivemos cônjuges que tinham a mentalidade de que o casamento superava sua própria felicidade; manter a família unida era mais importante do que qualquer outra coisa; e escolher sua própria felicidade era egoísta”, contou a mãe de Ben.

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Não demorou muito para eles se aproximarem e se tornarem íntimos. “Nossas conversas começaram a ser sobre nós. Estávamos compartilhando histórias pessoais, nossas coisas favoritas, nossas listas de desejos e para onde queríamos viajar. Estávamos compartilhando histórias de infância, gostos, desgostos e como foram nossos dias. Uma linda amizade se formou”.

Eis que, após alguns meses, Diane e Victor decidiram engatar um namoro. “Nós dois escolhemos segurar firme. Na verdade, na semana seguinte depois de uma conversa sincera, saímos para um encontro e passamos a noite conversando e rindo. Foi mágico e, depois daquela noite, não havia como voltar atrás”, relembrou.

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O casal recém-formado se tornou inseparável e toda aquela energia negativa de seus casamentos anteriores ficou para trás. “Não demorou muito para irmos morar juntos. Nossos filhos adoraram […]”, disse Diane.

Logo, Victor conheceu Ben em um nível mais pessoal. Eles também tinham essa conexão instantânea e se adoravam. Victor aprendeu todos os cuidados diários que Ben exigia, e as coisas estavam indo bem. “Só que cinco meses depois, Ben teve uma crise médica. Sem o nosso conhecimento, ele tinha um intestino torcido e necessitou de uma cirurgia de emergência. Quase o perdemos. Eu realmente pensei que seria o momento em que meu ex-cônjuge finalmente deixaria de lado sua amargura e ressentimento e viria para a cabeceira de seu filho. Mas ele não o fez”, lamentou a mãe.

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Ben precisou fazer uma colostomia e não se recuperou bem após a cirurgia. Foi uma complicação atrás da outra… “Ficamos no hospital por seis semanas e ele não prosperou, o que resultou em outra cirurgia para inserir um tubo artificial. Eu estava um desastre emocional por dentro, apenas pendurada por um fio. Mas eu me recusei a me deixar ser vulnerável. Após 18 anos de maternidade com necessidades especiais, eu estava acostumada a não precisar de ninguém, a lidar com as coisas sozinha. Mas agora, ao menos, eu tinha o Victor para me apoiar”.

O marido, desde sempre, tem sido um porto seguro tanto para a esposa, quanto para seu filho adotivo. “Ele tomou as rédeas da família e tem nos apoiado com absoluto amor e paciência”, disse Diane.

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“É preciso um homem especial para entrar em sua vida e amar seus filhos. Mas, para um homem pular com os dois pés quando você tem um filho com deficiência múltipla que precisará de cuidados 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo resto de sua vida, isso é inédito. Mostra seu verdadeiro caráter e a capacidade em que ama”, complementou.

Diane, Victor e Ben estão juntos há cerca de três anos, e, nesse período, o pai, a mãe e um de irmãos de Diane morreram. Ben teve duas crises médicas, três cirurgias e um total de 10 semanas no hospital em meio a sucessivas hospitalizações.

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“A vida é tão preciosa e, no entanto, algumas pessoas optam por guardar ressentimento e amargura em vez de escolher amar. Escolha perdoar”, disse a mãe coruja, que tem outros 2 filhos adultos e independentes.

Apesar dos traumas e das dificuldades do dia a dia, Victor e Diane estão mais próximos do que nunca.

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“Nos casamos em 23 de fevereiro de 2018. Esse homem lindo não é apenas meu marido, ele é meu melhor amigo, minha alma gêmea e o amor da minha vida. Somos dois indivíduos lindamente quebrados que encontraram nosso caminho um para o outro. Que ambos sacrificaram tanto para amar o que importa – nós mesmos e nosso filho”, completou Diane.

Fonte: Love What Matters
Fotos: Arquivo pessoal

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