Mães de crianças com doenças raras lutam para conquistar o diploma de graduação

Para as mães de crianças especiais, conciliar a maternidade com a graduação exige muitos sacrifícios. Uma tarefa extremamente difícil, mas que não afasta a Eulina Silva Farias, 38 anos, do seu sonho de cursar o ensino superior com bolsas de estudo ofertadas a mães de filhos com doenças e síndromes raras.

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“Acredito que o Ensino Superior é importante para que eu possa me capacitar, ingressar novamente no mercado de trabalho e ser útil à sociedade. No futuro, penso em ser uma microempreendedora e a graduação em Logística vai me ajudar a gerir o negócio ou até mesmo conseguir um emprego em alguma empresa para ter como dar uma qualidade de vida melhor ao meu filho”, planeja.

Eulina é mãe do pequeno Deividy Farias Batista, 3 anos, diagnosticado com Síndrome Congênita do Zika Vírus. O diagnóstico foi um baque para Eulina, não só pela falta de informações sobre a doença na época, mas também porque Eulina arcaria sozinha com uma série de tratamentos especiais para Deividy.

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Eulina Silva Farias e o filho Deividy Farias. Foto: Arquivo pessoal

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Resiliente, toda semana, Eulina leva Deividy para a fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, consultas com neuropediatra, pediatra, oftalmologista, nutricionista, além das sessões de fisioterapia e hidroterapia na ONG aBRAÇO a Microcefalia.

“Desejo poder realizar meu sonho e assim me capacitar, ir buscar do melhor para a minha família”, afirma Eulina, que encara as suas responsabilidades atuais como desafios que precisam ser vencidos.

A ideia de ingressar no Ensino Superior ganhou força no momento em que Eulina conheceu o projeto Mães Produtivas, idealizado pela ONG Aliança de Mães e Famílias Raras (AMAR) em parceria com o grupo Ser Educacional, desde 2016. Apenas mulheres que têm filhos com condições raras podem concorrer às bolsas de estudo integrais.

As inscrições vão até o dia 10 de maio (sexta-feira). As interessadas devem ligar para o número 4020-9734 (ligação local) e entrar em contato com o Núcleo de Atendimento ao Educando (NAE), de uma das 20 unidades de ensino participantes, para agendar o atendimento presencial.

As oportunidades são disponibilizadas nos seguintes estados: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

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Enquanto Eulina corre atrás do desejo de ser contemplada com a bolsa de graduação a distância, Valéria Santos está no 6º semestre do curso de Pedagogia e vê a educação como uma forma de inspirar as pessoas. “Estar com crianças é aprendizado para mim. Eu me identifico com a ideia de formar não só bons alunos, que sejam capazes de tirar boas notas, mas que também possam ser cidadãos críticos e construtores dos seus conhecimentos”, afirma.

A universitária é mãe de Larissa Vitória Santos Ferreira, 5 anos, diagnosticada com Microcefalia e paralisia cerebral. Terceira de quatro filhos, Larissa fez Valéria se enxergar com outros olhos ou acreditar mais nela mesma. “A minha vida era mais calma e tranquila, mas não tinha tanto significado quanto com a Lari. Ela veio mostrar que a vida tem mais sentido, pois cuidar dela, para mim, é um privilégio”, ressalta.

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Valéria Santos e a filha Larissa Vitória. Foto: Arquivo pessoal

Antes do nascimento da filha, Valéria lembra que não tinha muitas perspectivas profissionais. Ela trabalhava como empregada doméstica, mas buscou novos desafios com a maternidade. Entre eles, a oportunidade de conseguir uma bolsa de estudo do projeto Mães Produtivas. “Gratidão pelo projeto existir, pela oportunidade e confiança. De certa forma, alguém está acreditando e dizendo que somos capazes de fazer o que quisermos. Espero que muitas outras consigam ser ajudadas a crescer e progredir, pois estudar é isto: subir, a cada dia, um degrau”, finaliza.

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Além das bolsas de estudo ofertadas gratuitamente às mães de filhos especiais, existem outras ações no setor privado que facilitam o acesso ao Ensino Superior, com desconto de até 70% na mensalidade. O Educa Mais Brasil é uma das iniciativas. Há mais de 15 anos, o maior programa de inclusão educacional do país já beneficiou mais de 900 mil pessoas.

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