Após sofrer AVC e perder movimento do corpo, médica se forma usando comunicação “por piscadas” no Paraná

Um acidente vascular cerebral (AVC) deixou Elaine Luzia dos Santos com o corpo totalmente paralisado em 2014. Na época, ela trabalhava como farmacêutica e estudava o terceiro ano de Medicina na Unioeste, em Cascavel (PR).

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O AVC, que acontece quando há uma interrupção do fornecimento de sangue no cérebro, trouxe danos irreversíveis à Elaine. De um dia pro outro, ela não conseguia falar, nem mexer os braços e pernas.

O único movimento que a jovem ainda conseguia fazer era abrir e fechar os olhos.

Um ano depois da emergência médica, em 2015, Elaine voltou à faculdade. Agora, em 2022, aos 33, ela completou o curso e se tornou oficialmente uma médica! 😍

mulher de cadeira de rodas com roupa de formatura e canudo escrito medicina, na cor verde, com mulher de pé ao lado
Elaine Luzia dos Santos na formatura, com Vanderlize Dalgalo, docente que ajudou a jovem a se comunicar por meio de piscadas. Foto: Euphoria

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Adaptação à nova realidade

Ao retornar à Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Elaine aprendeu a se comunicar por meio de uma tabela, organizada por linhas e letras.

“Ela piscava para a letra que queria dizer e com o tempo fomos estabelecendo agilidade para formar as palavras e frases“, explicou Valderlize Dalgalo, professora de atendimento educacional especializado que acompanhou a futura médica por 6 anos.

Elaine é capaz de ouvir, ler e compreender tudo que falam com ela. Ela só precisa de ajuda para responder perguntas e para se comunicar de maneira geral.

Assim, em meio às aulas de Medicina, entre as práticas (no laboratório) e teóricas (em sala de aula), Elaine precisava do acompanhamento de Valderlize, contratada pela própria universidade.

“Falamos a linha primeiro. Se a letra que ela deseja está nessa linha, ela pisca. Depois dizemos as letras dessa linha e ela pisca de novo, formando as palavras“, explicou a professora de atendimento educacional.

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Anos após o AVC, Elaine agora consegue sustentar a cabeça e mover levemente os lábios. “Testei um software que me permitia navegar pela internet, mas deu defeito e não pode ser consertado, então ainda preciso de ajuda para me comunicar”, disse a médica, que deu entrevista à Folha de São Paulo por escrito, via mensagens de WhatsApp.

Um familiar digitou o texto enquanto ela formava as palavras pela mesma tabela de letras, linhas e colunas que a permitiram concluir a faculdade.

mulher com jaleco branco em cadeira de rodas à frente de quatro fileiras de colegas de jaleco branco, em pé, posam para a foto de formatura
Elaine à frente dos colegas em foto da formatura de medicina na Unioeste, em Cascavel, em fevereiro. Foto: Euphoria

Estágio

Faltando poucos meses para a conclusão do curso, a universitária começou a fazer estágio em hospitais. Foi um desafio e tanto: ela fazia perguntas (por piscadas), acompanhava evolução do paciente, realizava diagnóstico e procedimentos.

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Para os exames físicos, contava com o auxílio de colegas.

O estágio trouxe uma experiência fantástica para Elaine, que passou por ambulatório, unidade de saúde, pediatria, clínica médica, emergência, saúde coletiva, ortopedia e medicina cirúrgica.

Em todo esse processo, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná conseguiu autorização na Justiça para permitir à estudante acesso a aulas práticas gravadas ou estágio com acompanhamento.

“Não temos conhecimento de casos semelhantes ao da Elaine no Brasil nem em outros países”, explicou Alan Araújo, coordenador do curso. “Ela não se privou de nenhuma atividade de formação médica. Só não consegue fazer exame físico no paciente, mas pode ouvir os relatos e fazer a avaliação pois não há déficit cognitivo.”

De 2014 pra cá, tudo tem sido uma luta para Elaine. Se as coisas deram tão certo até aqui, é por mérito dela, que não desistiu do sonho de ser médica.

A amiga e colega de turma dela, Elaine Lima, reafirma esse sentimento. “Ela dividiu opiniões sobre como seria o futuro e se poderia exercer a profissão. Precisou ser forte e guerreira desde o início.”

mulher de jaleco branco em cadeira de rodas
Elaine conseguiu ajuda para se comunicar e assim participou de todas as etapas da faculdade, incluindo estágios. Foto: Euphoria

Provar a todos, o tempo todo

Quando decidiu retornar à faculdade em 2015, a recém-formada sofreu preconceito de alguns colegas e professores.

“Ninguém falava diretamente para mim e alguns colegas me ignoravam. Alguns professores se recusavam a adaptar as provas, mas tudo mudou quando me inseri na turma. Eles aprenderam a falar comigo, me ajudavam e até me levavam para os churrascos. Os docentes também passaram a me apoiar”, relembrou.

Nos últimos anos, o que mais tem incomodado ela é provar o tempo todo que sua capacidade cognitiva, memória, aprendizado e discernimento estão intactos.

“As pessoas demoram a perceber que sou adulta e tomo conta da minha vida. Tendem a se dirigir aos meus familiares para fazer perguntas sobre mim, mesmo eu estando presente. Isso é bastante frustrante.”

“Elaine é sensível, humana, brilhante. Estuda muito, é focada, nunca faltava, não importava se a aula terminasse à 1h da madrugada, no outro dia, 7h estava lá”, diz a amiga.

Concluir o curso foi realizar um antigo sonho de criança. “Foi quando me vi como paciente e tinha que retomar à vida, do jeito que fosse possível. A motivação foi meu amor-próprio e o desejo de ser útil para as pessoas. Não posso fazer tudo, mas não significa que não possa ser nada“, concluiu Elaine.

Fonte: Folha de S. Paulo

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