Médica escuta dor de paciente e descobre que ela estava era com dor no coração

Quando a dor está mais na alma do que em qualquer parte do corpo, que apenas reflete essa dor, nenhum remédio encontrado em qualquer farmácia será capaz de curar a dor. Nesses casos, o melhor remédio vem na forma de um abraço, na escuta.

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Vocês se lembram da médica Júlia Rocha, que defendeu um paciente quando o médico havia debochado dele falar ‘peleumonia’?

Anteriormente, ela também escreveu um texto  sobre as chamadas “mães desnaturadas”, sobre o caso da mãe que deixou sua filha de 2 anos no chão de um aeroporto, enquanto falava ao celular.

Agora, um outro relato em sua página no Facebook  está emocionando os internautas. Ela recebeu em seu consultório uma mulher que reclamava de dores fortes na região dos ombros e não sabia mais o que fazer para curar sua dor. Mas, o que a médica descobriu foi que a dor era mais emocional do que física, ou emocional antes de ser física.

A mulher procurou vários meios de sanar a dor. Foi ao ortopedista, fez acupuntura e até uma cirurgia. Nenhuma dessas soluções surtiu o efeito desejado: a dores incessantes continuaram. “Você está me parecendo tão triste. É só o ombro?”, perguntou a médica. “Não”, respondeu a paciente.

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Um silêncio, seguido de lágrimas das duas, tomou conta do consultório. “Outras tantas dores esperavam no corredor mas eu decidi trancar a porta. Puxei minha cadeira, sentei ao lado daquela mulher, peguei nas suas mãos e perguntei: ‘Quer falar’”.

A mulher revelou que fazia 2 anos e 2 meses que a filha dela tinha sido morta: a menina foi queimada viva pelo marido…

“Ninguém conversa comigo sobre isso. Eu preciso falar. Eu queria reencontrar minha filha, queria ver, queria abraçar, queria dizer a ela o quanto ela é amada, contar que eu sinto muita saudade de abraça-la, de beijá-la”, desabafou a mulher.

A médica Júlia se aproximou e pediu à mulher que fechasse os olhos e fizesse de conta que ela era sua filha: “O que a senhora quer falar comigo?”. A mulher fechou os olhos e, com as duas mãos no rosto da médica, disse: “Meu anjo, a mamãe te ama muito”. Após abraçar a médica, a mulher continuou dizendo que sentia muita saudade das conversas com a filha, das risadas e que tem esperança de um dia encontrá-la.

“Eu também te amo, mãe. Quero te ver serena, novamente. Meu maior desejo é que você siga sem culpas e que continue cuidando da nossa família com o mesmo amor de sempre.”

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No final da consulta, a mulher disse que deixou de ir ao túmulo da filha para ir à consulta. “Saio daqui com a sensação de tê-la abraçado. A dor é gigantesca, mas há 15 minutos ela ficou mais tolerável. Hoje vc foi meu anjo”. “Então fomos o anjo uma da outra”.

Confira o relato na íntegra :

“UMA CONSULTA SEM MÉDICO.
SOBRE DOR NO OMBRO.
SOBRE DOR NA ALMA.

“Dra. Júlia, eu gostaria de um encaminhamento para o ortopedista. Meu ombro tem doído muito. Já fiz cirurgia, fisioterapia, acupuntura mas nunca melhorou.”

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“Certo. E como é essa dor?… O que faz ela ficar pior?… O que faz ela melhorar?… A senhora tem tomado algum remédio?… Já fez fisioterapia?… O que o ortopedista recomendou na última consulta? O que esta dor te impede de fazer?…”

Mil perguntas, mil respostas e eu não conseguia me satisfazer. Algo faltava para ser dito. Não sei explicar.

Foi quando me saiu da boca:

“Você está me parecendo tão triste. É só o ombro?”

“Não.” E seguiu-se um silêncio regado por muitas e muitas lágrimas.

Outras tantas dores esperavam no corredor mas eu decidi trancar a porta. Puxei minha cadeira, sentei ao lado daquela mulher, peguei nas suas mãos e perguntei:

“Quer falar?”

“Hoje tá fazendo 2 anos e 2 meses que perdi a minha filha. Ela foi queimada viva pelo marido.”

E alí estávamos nós duas. Sozinhas, dividindo uma dor sem tamanho.

“Eu não sei o que fazer. Não sei pra onde ir. Não consigo pensar em mais nada. Não tenho mais com quem falar. Ninguém conversa comigo sobre isso. Eu preciso falar. Eu queria reencontrar minha filha, queria ver, queria abraçar, queria dizer a ela o quanto ela é amada, contar que eu sinto muita saudade de abraçá-la, de beijá-la. Saudade das noites que passávamos conversando, comendo tira-gosto, tomando cerveja.”

Cheguei mais perto. Peguei sua mão. Segurei firme.

“Se ela estivesse aqui, na frente da senhora, como eu estou… se eu fosse a sua filha. Faça de conta que eu sou a sua filha. O que a senhora quer falar comigo, mãe?”

Ela fechou os olhos, segurou meu rosto com suas mãos, sorriu e disse:

“Meu anjo, a mamãe te ama muito.” E me abraçou. “Tenho muita saudade das nossas conversas, das nossas risadas. Mamãe tem esperança de te reencontrar um dia. Está muito difícil a vida sem você, milha filha.”

“Eu também te amo, mãe. Quero te ver serena, novamente. Meu maior desejo é que você siga sem culpas e que continue cuidando da nossa família com o mesmo amor de sempre.”

Há explicações teóricas para tudo isso que aconteceu. Há treinamento para fazer o que eu fiz. Há livros, há artigos, há cursos… mas para a emoção que compartilhamos, certamente, não há medidas.

Fim da consulta: “Dra. Júlia, eu hoje deixei de ir ao túmulo da minha filha para vir a esta consulta. Saio daqui com a sensação de tê-la abraçado. A dor é gigantesca, mas há 15 minutos ela ficou mais tolerável. Hoje vc foi meu anjo”

“Então, fomos o anjo, uma da outra.”

“Te usei como uma ponte. (e sorriu) Foi um alívio poder ter o seu ombro.”

“Eu tô aqui pra isso.”

Foto: Pixabay/Reprodução

[Nota da Redação]

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