Médico brasileiro renomado celebra cura de pacientes com palhaçadas

Lia, a menina do vídeo, nem entende que está curada da Talassemia, doença grave do sangue que a obrigava a muitas transfusões. Mas ela sabe que a notícia é boa graças às palhaçadas do médico.

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Atrás da máscara, está o renomado hematologista Vanderson Rocha, chefe do setor de onco hematologia do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital das Clínicas, professor titular de Hematologia na USP, diretor da Fundação ProSangue e autor de mais de 300 artigos científicos publicados.

O dono do longo currículo nem vê a mãe da Lia filmando as palhaçadas porque sua atenção é só para a menina, curada a partir da medula de um doador não aparentado. Tratamento Inédito na América Latina.

O médico explicou ao Razões para Acreditar que teve a ideia de fazer a boca de palhaço na máscara porque era um momento de alegria. “Como a Lia é muito pequenininha ela não ia entender o que é comemorar a pega da medula, que é quando constatamos que o transplante deu certo, então simplesmente fiz algo para ela saber que estávamos felizes, relembra.

Ele conta que sempre que a medula pega brinca com os pacientes para celebrar, mas que não tem nada planejado. Com o ator Reinaldo Gianechini, em 2016, o próprio Vanderson dançou e cantou “Ai se te pego…”, de Michel Teló. Cena relatada com muito humor na biografia do ator – Giani -, escrita por Guilherme Fiúza.

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Apesar das palhaçadas nas pegas de medula, o apelido que pegou mesmo no médico foi outro. “Dr. Anjo. Todo mundo quer consultar com ele porque ele sabe muito e vai tentar de tudo para te salvar ou a quem você ama”, conta o vendedor de São Bernardo do Campo, Luciano Oliveira, pai de Gabriel, o Biel.

médico envolve emocionalmente pacientes
O Dr. Anjo incentivou os pais de Biel a persistirem no seu tratamento

Aos seis anos de idade, Biel tem anemia falciforme grave, doença que lhe causa muitas dores. “Já vi meu filho chorar 36 horas com dor. Minha mulher engravidou de embrião selecionado para termos outro filho que possa doar a medula para o Biel, única chance de cura, mas a gestação não deu certo. Só tentamos de novo incentivado pelo Dr. Anjo e deu certo.”

Ana, mãe do Biel, está no quarto mês e a família agora espera que o Dr. Anjo faça o transplante e um dia possa dar a Biel a mesma notícia que deu à Lia. Os pais do menino já ficam imaginando qual será a brincadeira para celebrar a pega da medula do Biel.

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Anjo de pano

Há dois anos e meio no Brasil, após mais de 20 anos dedicado à pesquisa na Europa, o médico ri do apelido e acha que surgiu depois que a mãe de uma paciente deu a ele um anjo com o nome dele bordado. “Fica no consultório e os demais pacientes associam.”

Parentes e os próprios pacientes discordam que o anjo de pano tenha alguma culpa no apelido. “Ele buscou meu filho em casa”, conta Waldenia Almeida Lima, mãe do Filipe, que sofria com a Síndrome da Imunodeficiência Combinada Grave. O primeiro filho dela tinha morrido um ano antes com a doença e sem diagnóstico. O segundo ia para o mesmo caminho e Waldenia, em Belo Horizonte, conseguiu o celular do médico em São Paulo.

Coincidência, Vanderson visitava os pais dele na capital mineira quando a mãe aflita ligou. “Ele mesmo se ofereceu e veio aqui em casa ver o Filipe. Na semana seguinte já estávamos em São Paulo para exames do transplante. Qual médico vai na casa de um paciente que nem conhece? Só o doutor Vanderson”.

“Ele é um ser humano diferenciado, uma pessoa simples e de coração enorme! É apaixonado pela medicina e pela cura”, diz Juliana Roma, mãe da Lia, a garotinha do vídeo.

Vanderson Rocha diz que gosta de brincar para tornar tudo mais leve, já que as doenças hematológicas normalmente são graves e exigem tratamentos longos. Convivência que o faz se envolver emocionalmente com os pacientes. “Claro que isso vai depender de cada médico, mas eu tenho a tendência de me envolver no sentido de ajudar mesmo”, explica.

Foi assim com Erick Sakaguchi, que saiu de Santarém, no interior do Pará, para tratar um linfoma em São Paulo. O paciente ia para o paliativo (quando não existe expectativa de cura). A única esperança era um remédio não fornecido pelo SUS. “Não podia aceitar isso. Junto com a equipe do HC conseguimos o remédio para ele com a indústria farmacêutica”, relembra feliz o médico.

E a cada transplante bem sucedido, o Dr. Anjo tem mais uma chance de imitar um palhaço com a máscara, fazer uma dancinha ou inventar uma graça qualquer.

[Nota da Redação]

Agora temos um canal no YouTube! Assista ao primeiro vídeo falando sobre uma inciativa que une Brechó com adoção de animais:

médico envolve emocionalmente pacientes

crédito das imagens: Divulgação

Por Nalu Saad

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