Meninas da periferia de São Paulo e região se reúnem em festival no MASP

O Instituto Plano de Menina, criado pela jornalista e comunicóloga social Viviane Duarte em 2016, já configura no Brasil como um dos projetos de mais impacto social direcionado a meninas das periferias do país.

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Em três anos, o Plano de Menina já impactou mais de 2 mil garotas com seus workshops e oportunidades, conectando meninas que nascem sem privilégios a uma rede de mulheres inspiradoras que se voluntariam para ensinar sobre educação financeira, autoestima, direitos, empreendedorismo, liderança, saúde, programação e outros temas que fazem as garotas ampliarem a visão de mundo e se descobrirem como potência.

O Dia Internacional da Menina foi criado pela ONU em 2012 para que o mundo olhe as questões da menina e equidade de gênero e avance para um mundo de mais igualdade e respeito.

Meninas da periferia de São Paulo se reúnem MASP

O Instituto lançou em parceria com a marca Seda, da Unilever, que investe no projeto desde o primeiro ano como marca madrinha, a pesquisa “Como as meninas brasileiras enxergam o futuro?”, ouvindo 771 garotas em 10 estados e mostrando um cenário de falta de confiança e incredulidade quando o assunto é perspectivas para o amanhã.

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“Em 2019 demos uma passo maior e lançamos a Plataforma digital #JuntasArrasamos cocriada com o Plano de Menina que visa levar conteúdos relevantes de empoderamento e sororidade, base do programa físico que a Vivi Duarte lidera com o Plano, para um número maior de meninas por todo o Brasil. Nós acreditamos que juntas nós realmente podemos ir mais longe e abrir mais possibilidades”, afirma Mariana Cavesso, coordenadora de marketing da Seda.

Segundo a pesquisa, a cada 10 meninas, 6 se sentem frustradas ao pensar no futuro e 92% atribuem a falta de oportunidades e dinheiro esta sensação.

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O mapa social divulgado no último ano pelo IBGE mostrou a disparidade que existe entre uma menina de Paraisópolis para uma menina de Perdizes – periferia e bairro de classe média de São Paulo.

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Esse abismo de oportunidades faz com que apenas as meninas com privilégios ocupem lugares de poder na sociedade e realizem seus sonhos. Para Viviane Duarte, fundadora do Instituto, é urgente buscar iniciativas de políticas públicas e ações concretas para que todas as meninas tenham oportunidades.

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Da periferia ao MASP

“Eu fui uma menina da quebrada e sei o que é estar à margem da sociedade sem oportunidades para fazer acontecer. O Plano de Menina nasceu deste incômodo. Eu consegui hackear um sistema que insistia em dizer que nada era para mim e conquistei uma carreira e negócios bem-sucedidos à base de muito esforço que nada tem a ver com meritocracia, mas fatores que me permitiram chegar e que nem toda menina tem acesso, como ganhar bolsas de estudo ou ter uma família minimamente estruturada que a coloque para cima e a deixe sonhar. Nosso propósito hoje é fazer com que as meninas olhem para o futuro com otimismo e realizem seus planos. Queremos ser ponte de acesso à elas e já estamos conseguindo, o projeto tem conectado meninas à grandes empresas e cursos técnicos e vamos em busca de mais”, afirma.

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Na última sexta-feira, dia 11 de Outubro, o Instituto realizou o FESTIVAL PLANO DE MENINA levando ao palco meninas com suas histórias transformadoras e mulheres potentes como a cantora Karol Conka, as influenciadoras digitais Xan Ravelli, Alexandra Gurgel, a Miss Brasil Julia Horta, Adriana Carvalho da Onu Mulheres, a jornalista Joyce Ribeiro, a cantora Yzalú, entre outras mulheres que estão usando seu lugar de fala para inspirar e encorajar meninas e mulheres a fazer acontecer.

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“Eu vou acreditar em meus planos e vou olhar para o futuro com otimismo lutando pelos meus direitos. Não vou me calar e nem me acomodar, sou uma potência e a periferia também é. Estamos juntas e vamos aumentar o volume em busca de espaços e oportunidades”, acredita Julia Hilário, 17 anos, participante do Plano de Menina.

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Principais dados da pesquisa realizada pelo Plano e Seda: 

  • 43% das jovens entrevistadas têm de 16 a 24 anos
  • 47% mora com parceiro (a)
  • 31% mora com a família
  • 45% concluiu o ensino médio e parou de estudar
  • 80% ajuda financeiramente a família
  • 29% está desempregada
  • 80% está insatisfeita com seu presente e perspectivas futuras
  • 92% atribui a dificuldade financeira o principal fator para não realizar seus planos
  • 54% sente falta de estrutura e suporte para orientar seus planos
  • 30% quer empreender
  • 6% Apesar de tecnologia ser o que ditará o futuro do trabalho, apenas 6% das entrevistadas se interessam pela área – a maioria se interessa por profissões ligadas a estética, gastronomia, doceira, entre outras ligadas ao setor.

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O Plano de Menina está presente em 10 estados no país e em 2020 impactará 5 mil meninas. Para fazer parte desta transformação você pode se inscrever como voluntária aqui.

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Fotos: Divulgação

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