Mesmo não sendo mais casados, mulher cuida de ex-marido com Alzheimer até o fim da vida

Recentemente, começamos alguns posts de histórias que os leitores tem nos enviado, já contamos aqui e aqui.  Conheçam abaixo a história da Izabela e sua Razão Para Acreditar No Amor #3 : 

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Olá, me chamo Izabela Dias e contarei à vocês a minha maior das  razão para acreditar no amor!

Essa história não é sobre o meu relacionamento amoroso como homem e mulher, mas sim, o amor entre mãe, pai e filhas. Nosso filme tem como início o dia 28 de março de 1988, na cidade de Cáceres – Mato Grosso. Meus pais se conheceram em uma reunião de políticos na cidade natal de minha mãe, ela uma jovem mulher com seus 28 anos de idade, ele um belo senhor de 48 anos de idade, que ao se verem um de frente para o outro sentiram o amor chegar em seus corações.

Dias se passaram e aquele homem foi a procura daquela bela mulher, foi ao serviço dela, mandou flores e enfim chegou até ela e lhe pediu em namoro. Foram os meses mais lindos, intensos e mais bem vividos entre esse casal. Começaram a namorar e já foram morar juntos na capital do Estado, logo veio a notícia de que a família iria aumentar e chegaria assim em fevereiro de 1989 a primeira princesinha deles, dois anos se passaram e em agosto de 1991 chegara ao mundo outra princesinha do casal.

Logo em seguida ao meu nascimento, meus pais se separaram e ele foi morar em outra cidade e minha mãe continuou em Cuiabá, cuidando firmemente como uma guerreira de mim e da minha irmã; mas nunca falou mal do nosso pai, pelo contrário, nos incentivava a fazer cartinhas de amor e declarações para o nosso pai, nos levava para visitá-lo e sempre que ele vinha nos visitar em casa, ela o tratava com o mesmo amor, de quando ele a abandonara.

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Doze anos se passaram, e quando eu (Izabela) estava com 12 anos de idade e minha irmã (Laura) estava com 14 anos de idade, o meu pai voltou para o nosso lar. Mas ele não voltou aquele homem que havia saído de casa anos atras. Ele voltou um senhor de cabelos grisalhos, roupas velhas, esquecido de quem nós éramos ou quem ele era e doente (meu pai voltou com mal de alzheimer). A minha rainha, no mesmo instante o abraçou e disse que o amava e rezava para que um dia nós quatro voltássemos a ser uma família!

Meus pais viveram mais onze anos  juntos, ele já não reconhecia ninguém além de minha mãe (bastava ela falar no ouvido dele, que a mamãe dele estava cuidando dele, que ele se acalmava e relaxava das dores);  Quando a minha irmã ou eu colocávamos as nossas mãos sobre a dele, ele sabia exatamente quem éramos e tentava balbuciar os nossos apelidos Laurinha e Belinha e lágrimas escorriam pelo seu rosto.

A cada beijo ou abraço que a minha mãe dava em meu pai, era possível ver em seus olhos a gratidão e o amor que ele sentia pela minha mãe. Ele sorria com os olhos quando a via chegar.

Nesses onze anos convivendo como se um dia fosse único e especial para ele, vivemos mais tempo dentro de um hospital, onde todos puderam conhecer a nossa história e lá pudemos dar todo o conforto, carinho e amor que se pode dar aos pais. Foram os onze anos mais especiais que eu, minha mãe e minha irmã tivemos junto a ele.

Dentro do hospital comemoramos todos os aniversários dele com direito a bolo, decoração, convidados e parabéns! Comemoramos os natais e anos novos com direito a trocas de presentes! Assistimos a Copa do Mundo com direito a torcida pelo Brasil, minha, da minha mãe, dele e da minha irmã.

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A minha mãe, a Antonia Sueli, se abidicou de viver a sua vida, para viver a vida do nosso pai, viver o amor que ela não conseguiu viver anos atrás junto a ele. A minha mãe virou a mãe do meu pai, virou a nossa guerreira e nós (eu e minha irmã) viramos o porto seguro dos nossos pais!

Segundo pesquisas, o portador do Mal de Alzheimer não sobrevive mais do que cinco anos; e nós quatro pudemos comprovar para os médicos, aos amigos, aos familiares, que o nosso amor, o amor de nós quatro, trazia todos os dias a memória para o meu pai, o nosso amor trazia ao meu pai mais um dia de vida, mais um dia de luta contra essa doença degenerativa. O amor dos meus pais, trouxe aprendizado a mim e a minha irmã.

O amor deles dois nos ensinou que não existe mágoas e rancores maiores que o amor. Meu pai, ou melhor nosso “filho” como chamávamos, nos ensinou a termos força para lutar diariamente contra as adversidades do dia a dia. Nosso pai nos ensinou que é preferível passar sábados e domingos cuidando (trocando fraldas, dar banhos, carregar e cantar durante horas pela madrugada) de quem realmente amamos; pois só assim aprenderemos sobre a vida!

Infelizmente, o nosso amor, não está mais nesse plano, o nosso amor se partiu no dia 04/08/2014 às 03:40 da manhã. E o que essa partida nos ensinou principalmente, foi que ele se foi para outro plano, e nos deixou forte e firme para seguir a diante! Quando esse amor partiu para o céu, ao recebermos a ligação do hospital, recebemos a notícia de peito aberto, sem nenhum remorso, apenas com a tristeza no coração de que não o teríamos mais por perto. Porém, a certeza de que ele nos deixou foi de que ele estará guardado no meu coração, no da minha irmã e principalmente no coração da minha mãe que o amou há 27 anos entre doenças, saúde, alegria e tristeza!

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A nossa razão para acreditar é o nosso pai, o William Dias!

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Ah não contei, mas todas as vezes que ele ficava nervoso, e chorando; a minha mãe colocava para tocar a música “Porque eu sei que é amor” do Titãs. E em sua lápide, colocamos um trecho da música:

 

Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora”

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