“Meus pets me motivaram a seguir depois da morte da minha mãe”

Superar um luto é sempre um processo árduo. Ana Luísa Grosso, fotógrafa, de São Paulo, conta, neste depoimento, como a gata Mitzi e a cachorra Sapeca a ajudaram a seguir depois da morte de sua mãe.

“Sempre quis ter um cachorro, desde a infância. Mas, como minha mãe não deixava, só arrumei um – a Sapeca, uma golden retriever linda – quando fui morar sozinha. Tempos depois, minha mãe acabou adotando a Mitzi, uma gatinha.

Em 2018, ela passou a cuidar da Sapeca também, porque me mudei para a Espanha para fazer um curso. Ainda ia ficar mais algum tempo por lá, só que, no fim daquele ano, soubemos que minha mãe estava com câncer e retornei ao Brasil.

O tratamento começou em 2019, mas surgiu uma metástase e, em maio de 2020, ela faleceu. Fiquei meio em choque no início; depois, passei a sentir uma tristeza enorme.

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“Ela percebeu meu estado e começou a se aproximar”

Eu havia voltado a morar no apartamento da minha mãe e acho que a Mitzi, que desde o diagnóstico da doença não saiu do lado dela, percebeu meu estado mais introspectivo e começou a se aproximar de mim.

Notei esse movimento porque, logo após o falecimento, ela tinha se tornado antissocial, se escondia em cada canto e só permanecia nos lugares da casa onde minha mãe costumava se sentar ou descansar. Mas aí passou a subir no meu colo, a se deitar ao meu lado…

Antes, apenas a Sapeca ficava por perto. Para me tirar da cama, minha cachorra enfiava o focinho por baixo do meu braço, trazia a bolinha querendo brincar. E aí a Mitzi veio até dormir comigo.

Foi com esse empurrão das duas que eu superei o luto. Elas me faziam levantar, mesmo que fosse só para colocar a comida nas tigelas ou dar uma voltinha na rua. Elas são a minha alegria.”

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Texto: Romy Aikawa
Foto: Marcus Steinmeyer

Conteúdo publicado originalmente na TODOS #38, em julho de 2021.

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