Mulher transforma assassinos de leões em guardiões na África

Leela Hazzah em sua infância ouvia histórias de sua família quando dormiam no telhado ouvindo o rugido dos leões, porém, em sua época quando fazia a mesma coisa, não conseguia ouvir mais nada. Até que seu pai contou para ela que não ouvia leões rugindo, porque eles tinham há muito tempo sido extintos do Egito.

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“Eu costumava deitar lá, ouvindo os mesmos sons. Mas eu não ouvia nada.” Disse Leela.

Hoje Leela tem 35 anos, é doutora especialista em biologia da conservação e dedica sua vida a conservação de leões na África. Lá ela morava em uma casa da árvore, onde começou a ver em primeira mão o rápido declínio dos leões africanos devido a perda de habitats e conflitos entre humanos e leões.

“Sessenta anos atrás, havia provavelmente 500 mil leões na África. Hoje, há menos de 30.000 leões em toda a África.”

Sua experiência acabou levando ela para a tripo de guerreiros Maasai, que têm tradição em matar leões. Ela passou um ano vivendo entre eles para entender a relação de sua tribo com os animais que eles matavam. Então descobriu que os Maasai tem uma vida na maior parte pastoral e dependem de seus rebanhos. Usam eles para diversos fins, como para alimentar as suas famílias e conseguir dinheiro. Quando perdem suas vacas (sua principal fonte de subsistência), eles não têm mais nada. Então eles retalham e matam os leões, o que acabou por virar uma tradição que também trazia enorme prestígio para o guerreiro que mata leões.

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Ao passar do tempo os Maasai começaram a se abrir com ela, contando histórias. Foi aí que teve sua grande idéia e fundou a “Lion Guardians”, ou Guardiões dos Leões, em 2007. Uma ONG que transforma os guerreiros Maasai em protetores de leões.

 

“Os Maasai têm uma relação muito próxima com os leões. É bem uma relação de amor e ódio. Eles não gostam deles porque eles comem seus animais, mas também admiram eles tremendamente porque são belos animais.”

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Ela percebeu que os guerreiros Maasai, seriam os melhores protetores dos leões. Então ela começou a lhes ensinar os benefícios de proteger os leões, com ênfase na preservação da sua cultura e métodos para reduzir o conflito entre os humanos e os leões.

Hoje, ser um guardião é uma honra muito maior para as pessoas da tribo. Se escutam sobre uma caça ao leão, eles intervém e ajudam os indivíduos na compreensão da importância de manter os leões vivos. Eles ainda ajudam os agricultores a reforçar os locais onde guardam seus rebanhos. O programa teve grande sucesso na região, impedindo em 99% as mortes de leões.

“Tornar-se um guardião de leão é um renascimento (para os Massai). Eles ganham ainda mais prestígio do que eles teriam ao matar um leão.” Disse Leela.

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Além disso, maioria dos guerreiros Maasai vem para o Lion Guardians analfabeto, nunca tendo frequentado a escola. Leela e sua equipe ainda ensinam cada um a ler e escrever.

“Nós nunca imaginamos quando fundamos o Lion Guardians que transformaríamos esses matadores a ponto que eles arriscariam suas vidas para impedir que outras pessoas matem leões.” Disse Leela.

“Eu sei que nós estamos fazendo a diferença. Quando me mudei para cá, eu nunca ouvia leões rugindo. Mas agora eu ouço leões rugindo o tempo todo.”

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