Mulheres se unem e criam cooperativa para combater pobreza na periferia de Florianópolis

Com a inquietude característica de quem faz acontecer, a paraense Jaqueline de Souza Ribeiro se mudou de sua cidade natal, Ananindeua, para Florianópolis há 10 anos. No bairro Novo Horizonte, no Complexo Monte Cristo, foi acolhida pela vizinhança e sentiu que encontrou seu cantinho no mundo. Feliz, quis retribuir aquele laço de afeto e deu início a um movimento que, hoje, gera impacto a toda a comunidade. E o Razões para Acreditar se juntou ao Atados para fortalecê-lo. Venha ajudar também!

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Mãe de cinco filhos, Jaque, como é mais conhecida, queria contribuir com o fortalecimento da região e começou sua pequena revolução pelo colégio do caçula Daniel, a Escola de Educação Básica América Dutra Machado, como voluntária, apoiando em diversas atividades no contraturno do trabalho de meio período. Alguns anos depois, em 2018, após concluir o curso de extensão universitária em artes cênicas, ela começou a dar aulas de teatro para as crianças na mesma instituição de ensino. E, nesse processo, começou a entender o potencial da mobilização por causas sociais. 

Jaqueline com seu certificado de Líder Social, formada pela Falcon University. Foto: Arquivo pessoal

A imersão no universo escolar fez Jaque identificar, em 2019, um comportamento recorrente entre os estudantes: muitas adolescentes entre 11 e 16 anos estavam engravidando, o que a despertou, mais uma vez, para a ação: “Uma menina de 16 anos já estava grávida do seu segundo filho. Não é algo comum. Pelo menos, não deveria ser”. 

Primeiro, ela mobilizou, dentro da escola, a arrecadação de enxovais e doações para receber as crianças. Depois, Jaque foi conversar com as pessoas responsáveis por essas jovens para entender um pouco mais o contexto em que estavam inseridas. Nas visitas, percebeu que a gestação na adolescência era recorrente dentro da estrutura familiar: as mães delas muitas vezes também tiveram filhos quando muito jovens, e o mesmo ocorreu com suas avós. 

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Foto: Arquivo pessoal

Nas conversas, Jaque entendeu que essa dinâmica estava diretamente relacionada à escassez de oportunidades de trabalho e renda para elas. “Nós vivemos em um mundo capitalista, para tudo precisamos de dinheiro. A gente não tem oportunidade morando na comunidade, principalmente sendo uma mulher com filhos”, diz. A paraense se uniu então à vizinhança e criou o seu primeiro projeto social, a Cooperativa de Mulheres do Monte Cristo, por meio da qual faziam e vendiam doces e dividiam os ganhos. As vendas em dezembro daquele ano foram um sucesso e garantiram o recesso coletivo das 13 integrantes. 

Associadas somos mais fortes

No ano seguinte (2020), quando o grupo se preparava, super animado, para a retomada das atividades, foi surpreendido, em março, com a pandemia de covid-19 e teve de interromper o trabalho. Foi aí que Jaque e suas parceiras fizeram do limão uma limonada: aproveitaram a visibilidade que a cooperativa tinha na vizinhança para arrecadar recursos para as famílias dos alunos da escola em situação de vulnerabilidade. A iniciativa, uma das pioneiras em Santa Catarina na mobilização para apoiar as pessoas mais impactadas pela crise, distribuiu 4,5 mil cestas básicas e prestou apoio social a 13 mil famílias durante a fase mais crítica. 

Foto: Arquivo pessoal

As novas demandas sociais trazidas pela pandemia levaram o grupo de mulheres a repensar a sua forma de fortalecer a comunidade. Em agosto deste ano, a cooperativa se transformou em Associação Mulheres de Monte Cristo. Agora, atua com assistência social, por meio do desenvolvimento socioemocional de crianças e jovens, e com educação profissional, por meio de cursos de corte e costura, cuidador, informática, empreendedorismo, marketing digital, entre outros. Mais de 200 mulheres já se formaram na instituição. 

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“ A pandemia trouxe um olhar para dentro da comunidade, mostrou como as pessoas daqui estão vulneráveis, e não é por falta de vontade e sim por falta de oportunidade. No projeto, eu vi mulheres sendo impactadas, eu vi mudança nessas mulheres, o crescimento e o empoderamento delas. E o mais bonito é sentir o interesse que elas têm pelo conhecimento”, conta Jaque. 

Agora, o sonho da associação é conquistar uma sede para chamar de sua, pois o espaço que ocupa hoje é cedido pela Prefeitura de Florianópolis, por meio de um termo de concessão de uso. Jaque é grata pelo apoio, mas deseja poder ter mais autonomia. “É como diz aquele ditado: Na casa dos outros a gente nunca se sente à vontade”, brinca ela, que tem 32 anos. 

Multiplica!

É para difundir história e apoiar pessoas que fazem a diferença como a Jaque que nos unimos ao Atados. Acreditamos no poder da mobilização coletiva, e por isso convidamos você a vir junto ajudar o projeto da Jaque a conquistar seu espaço presencial. Como? Muito simples: seja voluntário ou voluntária na vaga de Multiplicador para Associação Monte Cristo. Faça parte desta história também!

Foto: Arquivo pessoal

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Moradora do Monte Cristo, Francielle da Cruz, 33 anos, é fã do projeto e já passou por todos os cursos oferecidos. Com os aprendizados que adquiriu, toca o próprio ateliê, o Saboutique, de moda e saboaria, e é responsável pela maior parte da renda da família. “Conheci a associação por meio da Jaque uns dois anos atrás. Entrei como voluntária e, hoje, já estou dando aula para outras pessoas”, comemora. “Além dos aprendizados, conheci muita gente e, nas ações das quais participei, desenvolvi um novo olhar para a vida”, afirma Franciele. 

A crise causada pela pandemia levou muitas mulheres a perderem seus empregos. E iniciativas como a associação da comunidade do Monte Cristo oferecem novos caminhos, por meio da cooperação e do empreendedorismo, permitindo-as gerar renda e ser donas do próprio destino. 

Selecionamos vagas de voluntariado em outras instituições que se mobilizam pela Causa das Mulheres. Venha conhecê-las! Acesse linklist.bio/Vagas_CausaDaMulher e participe da transformação.  

Conheça todas as oportunidades da causa aqui (www.atados.com.br/causa/mulheres).

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