Cidade mineira de Muriaé barra atividade mineradora e transforma entorno em Patrimônio Hídrico

Graças à uma ampla mobilização popular no município de Muriaé, sudeste de Minas, mais de 100 quilômetros quadrados (10 mil hectares) de mata e 2 mil nascentes e córregos foram preservados da indústria da mineração.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

A região, que fica na Zona da Mata, agora está protegida via Projeto de Lei 192 da Câmara Municipal de todo e qualquer extrativismo mineral, bem como alguns locais importantes, como o Distrito de Belisário e as margens do Parque Estadual Serra do Brigadeiro.

Com forte pressão da população, os vereadores aprovaram por unanimidade o PL 192, que denomina tal área como “Patrimônio Hídrico do Município de Muriaé”.

Para o prefeito de Muriaé, Ioannis Konstantinos (DEM), o papel da gestão local é preservar e enrijecer as políticas de exploração hídrica e mineral.

“A presente proposta (…) tem como condão efetivar a proteção do patrimônio hídrico da área descrita, visando a defesa do meio ambiente”, escreve, “como também impulsionar o envolvimento social na construção de uma política municipal de proteção de recursos hídricos”.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

O PL 192 também protege as faixas do entorno da Serra do Brigadeiro, além de enterrar dez projetos de mineração da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Conquista via pressão popular

Essa vitoriosa legislação pró-meio ambiente é resultado de anos de lobby e pressão por parte dos cidadãos de Muriaé, pelo MAM (Movimento Soberania Popular na Mineração), por ONGs de defesa da fauna e flora e pelo Frei Gilberto Teixeira, padre da Paróquia de Belisário.

A mobilização vinha ganhando corpo desde 2016, com manifestações, audiências públicas, atos políticos e caminhadas pelas áreas que viriam a ser protegidas pela legislação. Em fevereiro de 2017, o Frei Gilberto foi ameaçado de morte por um homem armado, gerando mais controvérsias perante à população.

Leia tambémEm partida ao vivo, gamer arrecada R$ 33 mil para vítimas de Brumadinho

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Naturalmente, o grande receio entre a comunidade é ver a indústria mineradora destruir as bacias hídricas e a fauna e flora vibrantes da Zona da Mata, tal qual acontecido nas cidades de Mariana e Brumadinho.

De acordo com o Frei Gilberto, “Belisário é um grande gerador de água. Aqui, nesse pequeno distrito, nós temos mais de 2 mil nascentes já cadastradas, que abastecem Belisário, Muriaé e as cidades aqui pra baixo. Vemos que a zona de amortecimento do parque e Belisário devem ser protegidas porque, tirando a bauxita, tira também a nossa água. Uma está ligada intimamente à outra. Nós só temos muita água, porque temos muita bauxita.”

Cidade mineira de Muriaé barra atividade mineradora e transforma entorno em Patrimônio Hídrico
Conquista não foi fácil, e é resultado de vários anos de pressão dos moradores e entidades de Muriaé. Foto: Gilselene Mendes / Reprodução

A lei em vigor prevê o fomento de “atividades econômicas sustentáveis”, promovidas pelo poder público, como o turismo ecológico, a conservação ambiental, a agricultura familiar, a promoção de pesquisa científica e educação ambiental com vias de práticas para a construção de uma polícia municipal de valorização, cuidado e proteção aos recursos hídricos do vale.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

27 pedidos de mineração

Segundo estudos realizados sobre o relevo e riqueza mineral do Brasil, a Serra do Brigadeiro possui uma das maiores jazidas de bauxita (matéria-prima do alumínio) do país.

Desde os anos 1950, esta área vem sendo cobiçada por mineradoras, a destacar a CBA, do grupo Votorantim, de modo a expandir sua exploração e domínio sobre o elemento.

Leia tambémMais de 7 mil voluntários irão ajudar vítimas da tragédia em Brumadinho

A Companhia Brasileira de Alumínio requereu ao governo 27 pedidos de autorização de lavra para minerar no Parque Serra do Brigadeiro e seus entornos.

Caso o poder público conceda autorização, a mineração invadirá três Áreas de Proteção Ambiental: APA Municipal Pico do Itajuru (Muriaé), APA Municipal Rio Preto (São Sebastião da Vargem Alegre) e APA Municipal Serra das Aranhas (Rosário de Limeira).

Esperamos sinceramente que isso jamais aconteça.

Compartilhe o post com seus amigos!

  • Siga o Razões no Instagram aqui.
  • Inscreva-se em nosso canal no Youtube aqui.
  • Curta o Razões no Facebook aqui.

Fonte: Brasil de Fato

CanaisPatrocínios
Marcas que nos apoiam

MARCAS QUE NOS APOIAM


Quer receber boas notícias todas as manhãs?

1,102,320FãsCurtir
2,833,091SeguidoresSeguir
24,700SeguidoresSeguir
11,200InscritosInscrever

+ Lidas

Em vez de presentes de casamento, casal pede doação de ração para ajudar animais carentes

A atriz Viviane Fernandes e o empresário Fabiano China vão juntar as escovas de dentes e para celebrar seu amor, em vez de presentes...

Loja surpreende cliente insatisfeita e doa 1 mês de refeição ao seu grupo da terceira idade

Essa história começou com um processo na Justiça, mas terminou longe do tribunal. O final feliz supreendeu até para quem não fazia parte do...

Conheça o maior Guia Interativo de Sustentabilidade

Entre os dias 26 e 30 de Agosto, acontece em São Paulo a Virada Sustentável, maior movimento de mobilização colaborativa para a sustentabilidade do...

Marca gaúcha de sapatos 100% veganos chega em São Paulo

Os tecidos são feitos com tinta à base d’água e a partir da reciclagem de garrafa PET.

Governadora de Tóquio reduz salário pela metade para salvar dinheiro dos contribuintes

Promessa é promessa, não é mesmo? Mas a verdade é que muita gente não cumpre o que promete, principalmente quando se trata de políticos......

Instagram

Cidade mineira de Muriaé barra atividade mineradora e transforma entorno em Patrimônio Hídrico 3