“Museu da Empatia” chega ao Brasil e permite que você se coloque no lugar do outro

Pela primeira vez no Brasil, a Intermuseus traz o “Museu da Empatia”, junto com a instalação “Caminhando em seus sapatos”.

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Já mostramos aqui quando o Museu foi inaugurado em Londres, como parte do Thames Festival, baseado nas ideias do pensador cultural Roman Krznari.

O projeto tem como objetivo desenvolver a empatia das pessoas e fazê-las enxergarem o mundo com os olhos dos outros. Através de experiências sensoriais e situações de diálogo e conexão entre os indivíduos, a empatia é explorada, mostrando que através dela é possível melhorar as relações, inspirar mudanças de atitude e até contribuir para enfrentar desafios globais como preconceitos, conflitos e desigualdade .

Através da Mostra “Caminhando em seus sapatos…”,  as pessoas ouvirão 25 depoimentos produzidos especialmente para proporcionar para o público uma viagem empática e sensorial.

Os relatos falam sobre diversos temas: superação, diversidade, violência social e direitos humanos, LGBTfobia, gordofobia, educação, cultura, acessibilidade e direito à cidade.

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Tudo isso ocorre dentro de uma instalação que faz referência a uma caixa de sapatos gigante, onde estão pares de calçados disponíveis acompanhados de histórias que abordam a diversidade do ser e seu pertencimento comum à humanidade.

O visitante escolhe um deles e é convidado a caminhar com os sapatos pelo espaço, enquanto escuta o depoimento da pessoa a quem eles pertenceram. A ideia toma partido da expressão inglesa “walk in someone’s shoes” (caminhando com os sapatos de alguém), para proporcionar a experiência de estar no lugar do outro.

“Será um espaço para ouvir e refletir sobre experiências de vida que tocam em pontos fundamentais de nossos sentimentos, valores, crenças, percepções e atitudes”, explicou Andréa Buoro, diretora do Intermuseus.

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Confira alguns trechos dos depoimentos de ‘Caminhando em seus sapatos…’:

“O mais difícil foi que, para priorizar o aluguel, eu passei muita fome. Ou eu pagava o aluguel ou eu comia. Aí, não conseguindo mais pagar o aluguel, eu fui para a rua com as crianças, embaixo do viaduto do Glicério.”

“Eu só posso falar do que eu vivo, e escutar do outro aquilo que ele vive. Eu só quero que você veja que é possível a gente existir e ser feliz do jeito que a gente é!”

“A dor da minha mãe não é a mesma dor que a minha, como irmã. Minha mãe até o dia de hoje está sentada no sofá esperando o meu irmão entrar porta adentro. O desaparecimento para mim é uma morte sem fim. É uma tortura que não passa nunca mais.”

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“A família se coloca numa posição de preocupação com o sofrimento. Se você emagrece é a primeira coisa que falam: ‘nossa, como você emagreceu, está bonita, emagreceu!’ Me incomoda de ser pauta, entendeu? Por que você não me pergunta se eu estou bem, o que eu tenho feito, e não me elogia porque eu emagreci? Ser magra não é elogio.”

“Um dia nasceram três passarinhos aqui na minha casa. E os pais deles abandonaram o ninho. Eu tive que cuidar deles. Aquilo mostrou que eu era alguém: um serzinho acreditava em mim, precisava de mim 24 horas por dia! Ali eu percebi que eu não era uma pessoa tão inútil assim, que eu tinha uma qualidade de poder cuidar dos outros.”

O título original da exposição – ‘A Mile in My Shoes’ – remete ao provérbio indígena “never judge a man until you have walked a mile in his moccasins” (nunca julgue um homem até você ter andado uma milha em seus mocassins).

Desde 2015, o Empathy Museum coletou mais de 150 histórias e pares de sapatos, tendo recebido um público de mais de 10 mil visitantes.

A “Mile in My Shoes” foi exibida em Londres e em Redcar, na Inglaterra, e em Perth, Austrália. Nos próximos anos, há planos de realizar novas versões da instalação em Namur (Bélgica), Moscou (Rússia) e Milão (Itália).

Serviço

Museu da Empatia – Caminhando em seus sapatos…

Onde: Parque do Ibirapuera – Praça das Bandeiras (área externa do pavilhão da Fundação Bienal de São Paulo), acesso pelo Portão 3.

Quando: de 18 de novembro a 17 de dezembro de 2017.

Horários: de terça a sexta, das 10h às 19h | sábados e domingos, das 11h às 20h.

Entrada grátis | Capacidade de 25 pessoas por vez (senhas distribuídas no local).

Aqui você pode acessar a página do projeto no Facebook.

Com informações dos sites São Paulo SãoIntermuseus.

Foto de capa: Michael Wilson

Demais fotos: Empathy Museum

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