Após 2 anos testando jornadas de trabalho de 6 horas, estas empresas constataram que funciona

Pode falar para o seu chefe: uma experiência na Suécia mostra que funcionários ficaram muito mais felizes e não houve queda na produtividade!


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Texto publicado originalmente no FastCoExist e traduzido por Simone Rosito:

Quando alguns trabalhadores em Gotemburgo, na Suécia, passaram a trabalhar seis horas por dia, num teste que acabou recentemente, eles ficaram menos doentes, mais eficientes e mais felizes também. Entretanto. O asilo municipal que promoveu o teste teve que contratar mais enfermeiros e esse custo a mais fez com que o dia de trabalho mais curto não se tornasse permanente.

Por outro lado, algumas empresas de tecnologia suecas dizem que uma mudança para um dia de trabalho de apenas seis horas faz sentido em termos de negócios.

Brath, uma start-up de Estocolmo, decidiu limitar o dia a seis horas de trabalho quando foi lançada em 2012. A empresa argumenta que o horário mais curto fez com que seus negócios fossem melhor sucedidos do que se a empresa tivesse adotado horas convencionais de trabalho. Isso porque o melhor equilíbrio entre vida e trabalho ajuda a atrair os melhores funcionários e também porque funcionários felizes são mais produtivos.

“Nossos funcionários têm tempo para descansar e fazer coisas que os deixam felizes”, diz a CEO Maria Brath. “Por exemplo, cozinhar, passar mais tempo com familiares e amigos, se exercitarem. Isso acaba sendo proveitoso para a empresa pois nossos funcionários vêm trabalhar mais felizes, descansados e prontos para o batente.”

Como na maioria de outros empregos, mesmo que passassem oito horas no escritório, esse tempo todo não seria usado no trabalho. “Nosso trabalho consiste em solucionar problemas e em criatividade e nós não acreditamos que isso possa ser feito de maneira eficiente por mais de seis horas,” disse Maria. “Nós produzimos o mesmo – possivelmente mais até – do que os nossos competidores e suas oito horas de trabalho diárias.”

Filimundus, uma empresa de jogos sediada em Estocolmo, adotou o dia de seis horas de trabalho em 2014 e constatou diferentes efeitos em diferentes funcionários. “Notamos uma queda de produtividade em alguns funcionários, principalmente nossos artistas.” disse o CEO da empresa, Libus Feldt. “No caso de nossos programadores, vimos um aumento de produtividade. Em termos financeiros, deu empate. Lucro continuou, efeitos positivos aumentaram.”

Nos últimos seis meses a Filimundus testou a produtividade do dia de trabalho de sete horas e decidiram voltar as seis horas diárias. “Concluímos que os efeitos positivos da jornada de sete horas diárias são irrelevantes”, disse Feldt. “O impacto foi muito maior na redução de oito para seis horas diárias.”

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Ambos CEOs acreditam que a jornada de seis horas de trabalho pode funcionar para qualquer tipo de trabalho. “Eu acredito que possa funcionar para qualquer profissão e existem maneiras diferentes para que as necessidades das empresas se ajustem a essa nova jornada,” diz Brath. “Por exemplo, ao invés de cobranças por hora, cobranças por serviço e uma evolução contínua de modo que tanto o cliente como a empresa possam ser beneficiados. É necessário que o trabalho seja otimizado se o número de horas trabalhadas for diminuir.”

O asilo para idosos em Gotemburgo precisou abrir mais posições para enfermeiros de modo que conseguisse cobrir a redução de mão de obra decorrente da diminuição da jornada de trabalho, resultando num aumento de custos da ordem de 22%. 10% dos novos contratados estavam desempregados, o que significou que o governo não mais tivesse que pagar seus benefícios de desemprego assim como um maior aumento de arrecadação de impostos.

Feldt reconhece que é mais difícil reestruturar a jornada de trabalho para enfermeiros – e empregados de negócios que necessitem de trabalhadores em tempo integral – do que para programadores e desenvolvedores mas acha que mesmo assim a redução da jornada de trabalho pode funcionar. Soma-se a isso o fato do trabalho de um enfermeiro ser bastante estressante, reiterando-se a necessidade de uma jornada mais curta.

“É possível implementar, mesmo no sistema público, jornadas mais curtas através da contratação de mais empregados, aumentando assim a arrecadação de impostos – um fator bastante importante no cálculo de retorno dessa iniciativa – possibilitando um melhor cuidado com o paciente e oportunidades de trabalho para mais pessoas”, diz ele.

“Logicamente, a iniciativa é controversa dado que para a maior parte de negócios a ideologia atual está no foco em maximizar os resultados usando os recursos atuais. Talvez muitos até ficariam felizes com o retorno da jornada de 10 a 12 horas diárias”, Feldt ressaltou.

Quatro cidades menores na Suécia vão fazer a experiência da redução na jornada de trabalho para alguns empregados municipais ainda esse ano. Feldt espera que mais empresas e governos regionais adotem a experiência.

Fotos: Bench Accounting / Unsplash

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