Por um comércio justo, movimento Fairtrade impacta o mundo positivamente

Quantas vidas cabem na sua peça de roupa? Pense nisso na sua próxima compra.


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Você sabe o que é o movimento Fairtrade? É um movimento global pelo comércio justo.

Não é de hoje que vemos notícias do mundo da moda que nos chocam, como o caso recente de crianças sírias refugiadas serem exploradas em fábricas da Turquia por grandes marcas. Em pleno século 21, o trabalho escravo ainda se faz tão presente quanto as tendências fashion e faz vítimas em vários países. Na contramão desta vergonha está o Fairtrade, movimento global pelo comércio justo, que prevê boas práticas entre trabalhador e empregador.

Somente dentro da moda existem uma imensidão de melhorias a serem feitas e nos últimos tempos o que não falta é informação sobre a marca que você gosta de comprar, seja lendo reportagens na internet ou consultando aplicativos como o Moda Livre, que indica a situação trabalhista dentro de cadeias de lojas como a Zara e a Nike.

Combatendo as práticas abusivas,  antes de mais nada o fairtrade busca conscientizar a cadeia produtiva e os compradores em relação ao esquema de trabalho. Instalada no Brasil em 2015, a organização já chega a 40 cooperativas certificadas, onde trabalham aproximadamente 25 mil trabalhadores agrícolas. Em 2013 foram premiados com mais de 1 milhão de euros pela Fairtrade global, que deixa seu selo de identificação em produtos de 124 países.

O documentário Fair Trade – The First Step, da marca Patagônia (que já falamos aqui), mostra que a troca justa entre matéria-prima e empresas é o primeiro passo para alcançarmos a moda sustentável em todas as esferas que isso envolve: econômico, social e ambiental. Com imagens chocantes, traz à tona uma reflexão sobre o que vestimos e, consequentemente, com o que colaboramos ou não a partir de uma compra, além de transmitir todo o propósito por trás de valores éticos. Em maio de 2016, a marca anunciou que houve 430 mil dólares de repasse adicionais aos trabalhadores envolvidos na produção de roupas.

Enquanto as denúncias são fundamentais para um novo respiro dentro deste cenário caótico, existem também as empresas que praticam o comércio justo da maneira correta e que podem servir de exemplo para o que vem pela frente. Entre elas está a Vert, marca francesa de tênis sustentável que chegou ao Brasil em setembro de 2013. O Razões para Acreditar conversou com os idealizadores François-Ghislain Morillion e Sébastien Kopp sobre como manter sua produção de impacto ambiental reduzido tanto na parte social como ambiental.

Produtores de algodão da Vert, do Movimento Fairtrade

Tênis da marca Vert, que pratica o Fairtrade

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Hoje, com uma produção anual de 110 mil pares e presente em 15 países, a marca conta com uma equipe multicultural espalhada entre Paris, Londres, Berlin, Milão, Rio Branco, Fortaleza, Novo Hamburgo, Rio de Janeiro e São Paulo. Fabricados 100% no Brasil, a matéria-prima provém de produtores de algodão orgânico do Semiárido Nordestino, impactando 700 famílias e dos seringueiros da cooperativa Chico Mendes, no Acre, envolvendo 90 famílias, que recebem cerca de R$ 1,00 a cada par de tênis vendido. Existe ainda outro material na produção, o couro de tilápia, vindo de peixes que têm sua carne vendida e a pele reaproveitada pela fundação Aguapé, de São Paulo, e negociação de um novo trabalho com agricultores do Peru.

Segundo a dupla da Vert, a marca – que na Europa se chamava Veja, já foi criada dentro de moldes sustentáveis desde seu início, o que talvez justifique o fato de ter dado tão certo. “Montamos a VERT para propor produtos diferentes e também para levar uma vida diferente. Conhecer todas as pontes das cadeias produtivas traz um grande prazer no nosso trabalho, e fazemos questão que todos nossos funcionários também tenham a oportunidade de conhecer pessoalmente essa realidade. Isso enriquece muito nossas vidas.

Empresários da marca Vert, percursora do fairtrade no Brasil

Casa de Chico Mendes, fornecedor da Vert, no mercado Fairtrade

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Produtores da Ben & Jerry's que praticam fairtrade

A prática de comércio justo se expande além das fronteiras da moda, chegando à indústrias de cosméticos e alimentícia, por exemplo. Quem surfa na mesma onda é a Ben & Jerry’s (que também já falamos aqui), uma das marcas de sorvete mais relevantes do mercado, que chegou ao Brasil em meados de 2014, aplicando também o fairtrade em sua relação com fazendeiros que provêm cinco ingredientes: açúcar de Belize; cacau da Costa do Marfim; baunilha de Madagascar; café do México; e bananas do Equador. A fabricante também se envolve em ações comunitárias, gerenciamento ambiental e outras questões de engajamento.

Segundo André Lopes, diretor da Ben & Jerry’s no Brasil, a marca utiliza matéria-prima certificada desde 2005 porque acreditava que a economia global beneficiava poucas pessoas e corporações às custas de muitos. “Todos os nossos sorvetes levam ingredientes ‘justos’ porque sabemos que produtores atestados pelo selo oferecem alimentos produzidos de modo sustentável, evitando a degradação ambiental e cultivando a terra em que trabalham, além de investirem em suas famílias e comunidades com o prêmio recebido pela prática”, contou ao Razões. Em 2015, a Ben & Jerry’s pagou US$ 1.895.778 em bônus sociais para pequenos agricultores e cooperativas agrícolas espalhados pelo mundo. 

Fairtrade é uma prioridade da Ben & Jerry's

Por enquanto, ainda não há parcerias feitas com famílias brasileiras, mas André acredita que a instalação do escritório em São Paulo, em 2015, contribuirá para o incremento de produtores e cooperativas certificadas no país, além do desenvolvimento de práticas sustentáveis de produção. De todo modo, sempre que possível, trabalhamos com produtores que tenham valores parecidos com os nossos. Hoje, o café expresso servido em nossas sorveterias (já são 8 entre São Paulo e Rio de Janeiro) é comprado de um fornecedor que possui uma pequena produção no interior de São Paulo. A Kaynã é uma cooperativa familiar que se compromete com o manejo e a conservação do solo, promove educação ambiental em suas comunidades, destina adequadamente os seus resíduos entre outros”. Desta maneira, os benefícios tanto para a marca, que aplica ingredientes de qualidade, quanto para o produtor seja do cacau ao cafezinho, geram uma cadeia sustentável onde todos conseguem ser beneficiados.

Criadores da Ben & Jerry's, percursoras do movimento Fairtrade

Da Vert, François complementa que a fabricação dentro do território onde se vende o produto ajuda a manter o comércio controlado da maneira correta e de forma mais justa, afinal, o contato direto com quem fornece a matéria-prima é fundamental. “Para nós, o fairtrade é o preço do bem feito, de fabricar com dignidade. Fabricar no Brasil em vez da Ásia também. Depois economizamos muito dinheiro em marketing, cortando totalmente a publicidade. Isso nos permite vender os nossos produtos com preços competitivos no mercado. Colocamos mais valor agregado dentro do produto, e menos na divulgação dele”. Ou seja, qualidade ao invés de qualidade; boca a boca e reconhecimento ao invés de marketing massivo.

Sobre a conscientização dos brasileiros, especialmente em relação às questões ambientais como o desmatamento da Amazônia, que cresceu 29% em 2016 segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o empresário diz que à medida em que o mercado sustentável se expande, as atitudes tendem a mudar. “Acredito que precisamos encarar o problema de frente, sem romantismo. Ninguém vai manter a floresta em pé só pelo amor por ela. Hoje tudo é monetizado, então tem que ter uma valorização econômica do sustentável. E além do aspecto financeiro, acredito que as pessoas gostam de consumir de maneira consciente, de participar de projetos legais com as coisas que compram…então vamos embora criar outras marcas, outros produtos que respeitam a natureza!”.

O comércio justo (Fairtrade) é prioridade para a marca

Não, o mercado não vai parar. Mas se ele vai continuar, que ao menos não seja dentro de um sistema doentio, onde empresas lucram demais em cima de trabalho escravo e péssimas condições de trabalho, de sobrevivência. O fairtrade tem a ver com escolhas, que estão não só nos departamentos de moda, mas na nossa mente. Quem tem o poder de compra também tem o poder de mudar este cenário e fazer crescer o comércio que tira trabalhadores da miséria, de atividades clandestinas, de escravidão.

Quantas vidas cabem na sua peça de roupa? Pense nisso na sua próxima compra.

Comércio justo e o Fairtrade

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