Netas criam marca com tecidos herdados da avó e transmitem sua força a mulheres de todas as gerações

Dolores Martins era uma mulher à frente de seu tempo. Desafiou os “bons costumes” e, numa época em que não haviam tantas mulheres comandando um negócio, a avó da Sabrina, Mirella, Ninna e Bruna Granucci dirigiu uma empresa de confecção de roupas, entre as décadas de 80 e 90 em Itirapína (SP).

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Após a morte de Dolores, em 2012, Stelio, único filho de Dolores e pai das irmãs, levou os tecidos e máquinas que a empreendedora guardava em sua casa, depois do fechamento da confecção, para um galpão em Mogi Mirim (SP), onde permaneceram encaixotadas durante os últimos oito anos.

Sabrina no galpão onde os tecidos estavam guardados. Foto: arquivo pessoal

Alguns dos tecidos encontrados. Foto: arquivo pessoal

Herança compartilhada

Foi então que, no início da pandemia do novo coronavírus, as irmãs decidiram compartilhar com mais mulheres a herança deixada por Dolores, e tudo o que a avó delas representava, através da marca Dolores de Mi Corazón. Detalhe: além das netas, a confecção é composta somente por funcionárias mulheres, como costureiras e artesãs.

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“Dolores era uma mulher autônoma, fazia o que acreditava e procurava estar sempre em movimento. É muito legal que outras mulheres se conectem com ela”, lembra Mirella.

Dolores na juventude. Foto: arquivo pessoal

Reaproximação na vida adulta

A Dolores de Mi Corazón simboliza também uma reaproximação das irmãs. Mais até do que a vontade de querer lucrar com a venda das roupas e acessórios da marca. Pois Dolores de Mi Corazón terá um fim assim que não restar mais nenhum tecido.

“É uma maneira que encontramos de estarmos próximas na vida adulta. Nunca tivemos a pretensão de ganhar dinheiro, porque a produção é limitada”, afirma Sabrina, formada em Design de Moda e quem cria as roupas.

Marca reaproximou irmãs na vida adulta. Foto: arquivo pessoal

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Atriz e escritora, Mirella é responsável pela comunicação da marca; Ninna cuida da parte financeira; Bruna, artista plástica, faz colagens com fotos de Dolores, enviadas com as peças compradas. Sabrina, 33, Mirella, 31, e Ninna, 34, vivem no Brasil, em Florianópolis (SC). Enquanto Bruna, 35, mora em Toulouse, na França.

Foto: arquivo pessoal

Rompendo normas e se reinventando até o final da vida

Dolores Martins nasceu em 1939, em Neves Paulista (SP). Morou junto com o então namorado, Luigi Granucci, antes do casamento. Eles só oficializaram a união após Stelio completar 5 anos. Visionária, Dolores planejou e comandou a confecção que o marido decidiu abrir, chegando a empregar mais de 40 mulheres em seu auge.

“A nossa mãe conta que a minha avó era muito de defender essas mulheres. De família espanhola, ela tinha a energia de confrontar. A confecção era como um grupo de apoio. Dolores era bastante humana no trato com as funcionárias”, diz Mirella, orgulhosa.

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As irmãs pequenas. Foto: arquivo pessoal

Já no final da vida, aos 72 anos, Dolores perdeu a visão devido a um tumor no cérebro. Como desconhecia a palavra limite, começou a estudar braille. “Ela sempre estava aprendendo alguma coisa nova, em movimento. E queria que a gente fosse tudo o que quisesse ser. Hoje, descobrimos com muita maturidade tudo o que ela fez e representou”, lembra Sabrina.

Dolores nunca se limitou e adorava aprender algo novo. Foto: arquivo pessoal

Sustentáveis e para todas as gerações de mulheres

Com a avó, as netas aprenderam como criar colar com bolinhas de revista e até tricô com sacola plástica. “Temos a recordação de brincar na confecção e dela ter feito o nosso cartão de bater o ponto. Dolores levava a gente para o universo dela”, lembra Sabrina.

Brincando, as irmãs Granucci descobriram que é possível reaproveitar materiais, exatamente o que elas fazem hoje, transformando os tecidos herdados da avó em peças sustentáveis e únicas. “Cada tecido tem um valor. É o valor da herança. Desejamos que as pessoas tenham essa relação com a roupa”, conta Mirella.

avó brincando netas máquina costura confecção
A confecção era praticamente um parque de diversão para as netas. Foto: arquivo pessoal

Esqueça os tamanhos P, M, G e GG, pois a proposta é vestir mulheres de todas as gerações! Em vez de tamanhos, as numerações são por centímetros. Se a roupa veste a mãe delas, Tarcisia Granucci, 60 anos – manequim de prova da Dolores de Mi Corazón -, também deve vestir as filhas.

“Inicialmente, a gente faria peças por tamanho. Mas com a quantidade limitada de tecidos, percebemos que não faria sentido. A marca tem a ideia de que não existe uma roupa para cada idade. Existe uma roupa para cada atitude”, explica Sabrina.

Foto: reprodução/Instagram @doloresdemicorazon

Foto: reprodução/Instagram @doloresdemicorazon

Foto: reprodução/Instagram @doloresdemicorazon

Entre os tecidos herdados da avó, havia muitas etiquetas de tamanho. O que elas fizeram com o material? Transformaram em ‘Tiaras Bingo’. Bingo porque o número da etiqueta é sorteado, assim como no jogo 😄

Foto: reprodução/Instagram @doloresdemicorazon

A marca pede até 20 dias úteis para a costureira produzir a peça com carinho. E falando em aprender a viver o tempo de espera, Dolores de Mi Corazón estreou no dia 12 de junho, aniversário de Dolores. Porém, a primeira roupa, batizada de ‘A primogênita’, foi lançada no dia 30 de dezembro, aniversário do pai delas.

O último adeus

“Falamos que são metros que vão para o céu. É como se fosse uma subida da nossa avó, e quando os tecidos acabarem, ela estará em paz lá em cima, e a gente feliz aqui embaixo”, reflete Sabrina.

“A gente amava muito a nossa avó, mas talvez não tenha honrado ela (sic) em vida. Tanta gente tem a possibilidade de honrar os avós em vida. Escutem seus avós. Eles têm muito pra contar. Honre os avós em vida“, finaliza Mirella.

Veja a entrevista bacana que a Sabrina e a Mirella deram pra gente, contando sobre a história linda de amor entre as irmãs e a avó Dolores, além das inspirações para criação da marca:

 

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