O que a SPFW TRANS N42 trouxe de diferente para as passarelas

O mundo da moda está passando por mudanças a medida em que já não cabem mais padrões dentro da sociedade. Pouco a pouco, antigos tabus, dilemas e preconceitos caem por terra para que se estabeleça uma cultura fashion mais democrática, acessível e distante de preconceitos. Com o nome SPFW Trans N42, a São Paulo Fashion Week trouxe para as passarelas um tanto de representatividade, onde desfilaram mulheres gordas, homens de vestido, transsexuais e negros.

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Eu acredito que o papel da moda é oferecer um tipo de expressão através do que vestimos, é dar liberdade de escolha para assumir e construir nosso próprio papel, é incentivar a criatividade, romper padrões, transgredir. A partir do momento em que é dominada por “mais do mesmo” e elaborada entre muros que distanciam a sociedade de sua construção, aí já não cabe mais em seu papel crucial, que seria exatamente o oposto disso. Sabemos que a moda, especialmente a alta costura, por muito tempo é feita por mentes brilhantes, porém era direcionada para quem pode e não para quem quer.

O mercado exige dinheiro, que representa maior probabilidade de consumo, e status, responsável pela propagação do mesmo em fatias sociais específicas, assim como o evento, que antes era alimentado somente por pessoas brancas de classe média alta, com certo poder de influência. Assim as fashion weeks ao redor do mundo se alimentavam. Mas nos últimos tempos algo tem mexido com o mundinho da moda, algo chamado minorias, que aumentaram o tom de suas vozes, recuperaram sua autoestima e demandam mudanças.

Com esse intuito, a edição Trans N42 propõe o início de uma transformação. Enquanto estive presente no evento, notei algumas delas, embora o ambiente ainda seja pipocado por pessoas que não estão dispostas a aceitar o diferente. Sim, esse é um paradoxo no mínimo inusitado para algo do tipo. Mas vamos falar de coisa boa!

+Ronaldo Fraga faz desfiles com modelos trans na SPFW: “Foi emocionante, até chorei”

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O estilista Ronaldo Fraga inovou na hora de escolher quem iria vestir suas peças. O desfile foi invadido por 28 modelos transexuais, escolhidas anonimamente através das redes sociais. O intuito era denunciar a transfobia no Brasil, país que mais mata travestis e transexuais no mundo. 

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Foto: Charles Naseh)

Já o MC e agora estilista Emicida estreou no evento com sua marca LAB, construída ao lado do irmão Evandro Fióti e com parceria com João Pimenta na SPFW. Modelos negros, em sua maioria, desfilaram uma coleção bem urbana, com uma pegada mais street wear, com som ao vivo embalado pelo rapper. Também destacaram na passarela outro tipo esquecido pelo mundo da moda, homens e mulheres gordas, que usaram vestidos, saias longas, fendas e zero salto alto – relembre aqui.

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LAB SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

Fotos: Ze Takahashi/Fotosite

João Pimenta SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Edu Lopes / FOTOSITE

Fotos: Edu Lopes/Fotosite

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O desfile de João Pimenta, que eu assisti, trouxe uma porção de babados, cabelos coloridos, saias plissadas, blusas cropped e vestidos em tons pastel, usados por homens. O estilista é conhecido por quebrar padrões e propor o diferente em suas passarelas. “Criei as peças sem pensar em gêneros. Elas foram usadas em homens e mulheres. Foi algo que aconteceu sem planejar”, conta. João é apontado como “o mais radical” dentro da moda masculina e sempre incorpora referências femininas. Na coleção anterior, colocou na passarela alguns paratletas, emocionando o público.  

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Joao Pimenta SPFW - N42 Outubro / 2016 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

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Fotos: Marcelo Soubhia e Ze Takahashi/Fotosite

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