O que tiraria você de uma vida confortável para morar no maior campo de refugiados do mundo?

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Victor Wedemann viveu uma das experiências mais intensas de sua vida ao morar no campo de refugiados de Moria, a maior porta de entrada para refugiados do Oriente Médio e África na Europa.

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Considerada a maior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial, por conta das perseguições políticas, religiosas e guerras, milhares de pessoas tem sido obrigadas a abandonar suas casas e rotinas no Oriente Médio e África para fugir destes conflitos que já duram anos. Com isso, a ilha grega de Lesbos tem sido a porta de entrada da Europa para acolhimento dos refugiados em busca de chances de vida e de um futuro. Mas como em todas as coisas da vida, sempre existe o lado bom, a partir disso, muitos atos de amor ao próximo e gentileza tem acontecido por lá.

Victor Wedemann, publicitário de 28 anos, tinha uma posição de prestígio dentro de uma das maiores e mais respeitadas empresas do mundo, porém estava incomodado por não ajudar de forma efetiva nenhum trabalho humanitário naquele momento. Impactado pelas notícias diárias sobre a crise dos refugiados, no final de 2016 decidiu conversar com Rodrigo Assis, um amigo pessoal que mora na Alemanha e com experiência no apoio de diversas causas sociais na Ásia, Europa, África e América do Sul para buscar uma forma prática de ajudar. “Tinha a vontade de dividir com os outros o que naquele momento estava sobrando para mim”, disse Victor.

O que era para ser uma simples ligação para Rodrigo, se tornou o primeiro passo para a consolidação de um projeto. As peças começaram a se encaixar quando Victor soube que Rodrigo estava criando a All4Aid, ONG alemã que atua em diversas frentes sociais, inclusive em trabalhos com refugiados do Oriente Médio e África Sub-Saariana. Sabendo disso, Victor tornou-se um apoiador do projeto.

Então, no início de 2018 surgiu a oportunidade de ir trabalhar como voluntário no maior campo de refugiados do mundo e, sem pensar duas vezes, Victor abraçou essa chance. Como uma ponte, a All4Aid o conectou com a ONG grega responsável pela operação do campo de refugiados na Grécia, a Euro Relief, e em duas semanas Victor embarcava para uma das experiências mais intensas de sua vida.

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Ao chegar na Ilha de Lesbos, ele se deparou com uma situação de extrema dificuldade. Refugiados de muitas nacionalidades se comunicando em línguas diferentes, enfrentavam o frio congelante do inverno europeu que chegava a 5 graus negativos. Os ratos entravam nas barracas pequenas que tinham que amontoar entre 10 e 15 pessoas. Além disso tinha o cansaço físico, mental e o desgaste emocional que a situação leva o ser humano.

As famílias que desembarcavam dos botes superlotados após a perigosa travessia vindos da Turquia, celebravam o fato de estarem vivos e em solo Europeu, o que aumentaria as chances de um futuro digno para eles. Porém, eles sabiam que ainda iriam aguardar o julgamento do pedido de asilo no campo de refugiados, algo que pode demorar anos.

As péssimas condições, comida racionada, falta de higiene e indefinição dos próximos passos leva essas pessoas à situação extrema de vida. O que os conforta é o fato de serem recebidos com amor por voluntários do mundo inteiro nesse momento tão difícil.

Sabendo que não poderia ficar lá para o resto da vida, Victor buscou formas de ajudar essas pessoas mesmo à distância. Foi então que aproveitou a data de seu aniversário e decidiu fazer um pedido inusitado. Postou um texto nas redes sociais pedindo para sua rede de contatos ao invés de comprarem presentes, usarem o dinheiro para ajudar o projeto de refugiados.

Dessa forma, ele criou uma vaquinha virtual para juntar recursos para comprar mantimentos, roupas, cobertores e brinquedos para as diversas famílias que vivem no campo de Moria, onde teve a oportunidade de morar.
A vaquinha ainda está rolando e se você tem o desejo de apoiar é muito fácil e rápido. Basta acessar o link e participar da forma que quiser: http://vaka.me/sikgjg

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Atualmente Victor tem dado palestras em instituições como a Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e é o embaixador da All4Aid no Brasil.

“Tenho plena consciência que essa experiência que tive não é o único e nem o mais importante problema da atualidade, mas o que tenho batalhado é para mostrar que sim, este é um grande problema e que mesmo à distancia podemos fazer algo pelas pessoas que são impactadas diariamente pelas guerras e perseguições que acontecem nestes países do Oriente Médio e da África Sub-Saariana”. Victor Wedemann

Foto: Divulgação

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