“O uniforme ainda é de motorista, mas a mente já é de programador”

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Homem com uniforme laranja trabalhando em computador e homem negro de camisa branca trabalhando em notebook

Antes de começar o nosso percurso pela história de Erick Raimundo, como condutor do leitor por esse caminho, preciso sinalizar que não é uma estrada sobre meritocracia, mas um reconhecimento sim de quem tá nos corres e quer explorar toda a sua potência para além dos destinos já traçados.

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Bora lá! Entra nessa carreta aí que eu te conto como o nosso motorista está tirando as mãos da direção e colocando nas telas para fazer programação.

Erick Raimundo tem 33 anos e mora no Irajá, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Antes dos caminhões ou da tecnologia, a paixão foi a música. É o caçula de três irmãos.

Irmãos juntos sorrindo para foto. Do lado esquerdo homem negro de camisa branca, no centro a irmã de camisa preta e terno cinza e no lado direito o irmão de camisa amarela
Erick Raimundo e os irmãos. Foto: Arquivo Pessoal

“Venho de uma família envolvida com a música onde desde pequeno me vi cercado em ensaios de corais, orquestras, musicais e coisas deste tipo. Aqui na minha família o primeiro presente a se dar para uma criança não é uma chupeta, mas sim uma flauta doce ou um parzinho de baquetas”, disse. Vai vendo!

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Assim que completou a maior idade, serviu às Forças Armadas por quatro anos. Depois saiu do quartel e se viu sem rumo: sem formação e sem emprego.

“Neste período começou o primeiro desafio, minha primeira assinatura na carteira de trabalho foi como ajudante de caminhão em uma construtora. O desafio era suprir as frentes de obras com materiais, depois disso vieram outros trabalhos similares como ajudante de obras por empresas terceirizadas da prefeitura e bicos”, conta.

Foi operador de máquinas, motorista de caminhão e se tornou condutor de carretas, daquelas grandonas mesmo.

Homem de uniforme laranja dirigindo caminhão
Foto: Arquivo Pessoal

Em seguida conheceu a sua esposa, Gabriela Machado. Ela é gaúcha e morava numa casa compartilhada no Rio com uma turma que trabalhava com programação. Tá aí a porta aberta que Erick Raimundo nem esperava: a senha para viver o grande amor da sua vida e a chave para mudar de profissão.

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Depois de mudar de empresas, ser demitido e viver na batalha sob o volante, Gabriela começou a incentivá-lo para estudar.

“Foi então que minha esposa que já trabalhava remotamente foi falando comigo sobre o que era a área de tecnologia, como funcionava, me explicou o mundo de possibilidades, e como esta área tem crescido em velocidade tal que o número de vagas abertas não supre a demanda de trabalho existente”, relata.

Homem negro de camisa azul sorrindo ao trabalhar em notebook
Foto: Arquivo Pessoal

Tava decidido: era seguir esse caminho. Erick Raimundo passou a fazer cursos na internet, mexer com desenvolvimento simples de sites, mesmo se ter equipamentos para isso.

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A rotina continuava puxada, saindo de casa às 4h para trabalhar na empresa de manobrista de caminhão e voltando às 20h, estudando nos intervalos e se dividindo entre caminhão e programação.

Depois, o rapaz fez um curso gratuito de de bootcamp da empresa DIO, que é um programa de inclusão e diversidade, justamente para quem não tem formação na área. E deu certo. Agora o caminhoneiro se dedica ao mundo mágico da tecnologia e segue na labuta da direção.

“É desafiador, programação é um mundo completamente diferente, na minha profissão como motorista eu já tinha experiência com diversos equipamento e logísticas diferentes de trabalho e na programação terei que ter sempre em mente que estou na posição de aprendiz, pois o conhecimento está disperso e a programação se atualiza a cada dia”.

Ao lado de Erick Raimundo, ou muitas vezes na condução desse processo, estava a esposa Gabriela. Ela foi um guia para ele. “Eu tive uma pessoa que acreditou em mim que foi a minha esposa. E vou te falar, não foi fácil, ela teve trabalho, ela repetiu varias vezes que eu não era um motorista caminhão e hoje eu vejo as coisas acontecendo na minha vida”.

Homem negro sorrindo com óculos escuros à frente de escadaria com a esposa, mulher branca, ao lado também sorrindo e abraçando-o
Gabrielle foi uma das responsáveis pelo avanço de Erick na programação. Foto: Arquivo Pessoal

Agora ele quer mais pessoas embarcando nessa viagem. “Meu sonho pessoal é me estabilizar na carreira e propagar esta mensagem que o conhecimento pode mudar a história das pessoas, Não quero que esta transformação pare em mim, quero que chegue em outras pessoas eu tenho razões para acreditar que vale a pena sonhar novamente”, finalizou.

Homem negro sorrindo ao trabalhar em notebook
Foto: Arquivo Pessoal

“Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo…” Erick Raimundo está aí na pista para quem quiser contratá-lo como programador. 😉

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