Para superar trauma de infância, empresário de Urussanga (SC) virou o Batman do Brasil

Muitos heróis têm uma identidade secreta e não é preciso ir até Gotham City para descobrir quem é o Homem-Morcego. Com moto, uniforme e máscara que lembram às do ator Christian Bale, que encarnou o personagem na trilogia do diretor Christopher Nolan, o empresário Cristiano Zanetta cativa crianças e adultos por onde passa. Natural de Clevelândia, no Paraná, Zanetta, de 38 anos, é formado em Educação Física, proprietário de uma academia e mora hoje em Urussanga (SC).

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Ele participa de eventos na região como o Batman do Brasil, mas são as visitas que realiza a hospitais a parte mais tocante de seu trabalho como o herói dos quadrinhos, tv e cinema. Essa atuação com o personagem começou há oito anos devido ao surgimento de um câncer em seu pai. Ao longo do processo da doença, Zanetta viu o genitor desenvolver depressão. O filho já participava do projeto Doutores da Alegria e também se vestia de palhaço ao realizar ações sociais. Essas iniciativas, porém, o empresário percebeu que não surtiam o efeito esperado e a preocupação com o estado emocional do pai só crescia.

Até que conseguiu incentivá-lo a lutar pela vida, de maneira diferente, usando a questão da inteligência emocional. O rapaz conseguiu convencer o pai a realizar uma importante cirurgia e o procedimento ocorreu bem. Ficou para o filho cumprir a promessa de levar a força e a motivação do Batman até às crianças que enfrentavam o câncer e a depressão. Só que ele teve de lidar com a resistência de entrar em um hospital com a postura e o uniforme do personagem.

Nesse meio tempo, o pai adquiriu um novo câncer e a filha do jovem sofreu um afogamento, o que poderia ter levado a pequena a óbito. O rapaz teve que ainda prestar socorro para a menina com a ajuda dos bombeiros. Apesar de toda a aflição, o empresário não perdeu a fé e conseguiu socorrer o bebê. Passado esse susto, Zanetta decidiu começar a fazer as visitas mesmo escondido. Um dia, em Criciúma, conheceu uma criança que estava entre a vida e a morte. A partir daí, o rapaz foi autorizado a fazer o trabalho sem restrições, porque o estabelecimento sabia que ele realizava essa ação e também porque a recepção dos pequenos era muito positiva.

batmannessafbAtualmente essas idas às instituições hospitalares ocorrem pelo menos uma vez por semana. “Eu faço muita visita também quando a criança acaba desistindo e o hospital não pode fazer a quimioterapia; eles acabam liberando a criança para ir para casa, e os pais acabam me ligando. Então, eu faço viagens também ao redor aqui da região: Lages, já fui para Araranguá, Florianópolis.

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Onde o dinheiro me permite e as ajudas das pessoas, eu acabo levando minha batmoto, eu vou de roupa do Batman (minha roupa é de motociclista mesmo), e eu acabo indo à casa das pessoas convencer as crianças a não pararem o tratamento e a voltar para o hospital”, conta. Por que o Batman? Quando Cristiano era criança, a casa onde morava pegou fogo. No imóvel, havia mais duas irmãs, e a babá das crianças, que naquele momento estava estendendo roupas no varal, estava do lado de fora da casa. Ela não conseguiu entrar e salvá-las quando o fogo se alastrou.

O menino conseguiu sair e pedir ajuda e, mesmo diante de toda aquela cena, algumas pessoas roubaram a residência, ao invés de ajudar a família. A sorte é que os bombeiros voluntários chegaram ao local e resgataram as meninas. Só daquele dia em diante, Cristiano desenvolveria problemas como a dislexia, tamanho o trauma provocado pelo incêndio. Foi então que uma psicóloga mostrou ao menino o famoso personagem: “Ela me apresentou o Batman: uma pessoa normal, sem super-poderes, que utiliza uma roupa pesada, um cinto de utilidades, e comecei a me identificar com o Corpo de Bombeiros, com aquele cinto, com aquela situação e falei: ‘Pô, esse personagem pode existir de verdade’, e comecei a usá-lo como meu alter-ego. Todas as coisas que eu tentasse fazer e o Cristiano tivesse um bloqueio, eu pensava: ‘E o Batman, o que o Batman faria?’, e eu uso esse pensamento até hoje”, conta.

BatUniforme

A roupa pesa 25 quilos e veio dos Estados Unidos. É feita com o tecido kevlar e couro endurecido, e acompanha o cinto de utilidades com as ferramentas que o herói usa no combate ao crime (soco inglês, spray de pimenta, etc). Há também a máscara, que é de borracha. Já a moto é uma Suzuki, customizada, que teve seu visual finalizado por empresas de Tubarão e Urussanga.

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O empresário quer ajudar mais ainda as crianças que precisam de tratamento, seja viabilizando procedimentos ou conseguindo apoio de outras pessoas. O problema, segundo ele, que muitas vezes enfrenta é a demora em obter retorno de instituições com relação à ajuda. Já na área profissional, uma das novidades que o empresário vai apresentar em sua academia é a modalidade SuperHero. A prática tem uma mistura de crossfit, parkour, treinamento militar e artes marciais, que são as habilidades que um herói precisa para treinar.

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