Eles são os olhos, ouvidos e mãos dos paratletas. Quem são os chamadores, calheiros e guias

Os Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019 foram a edição mais vitoriosa da história brasileira. Nosso país ficou em primeiro lugar no quadro geral de medalhas, com 308 medalhas, sendo 124 ouros, 99 pratas e 85 bronzes. Contudo, boa parte dessas conquistas dos nossos paratletas não seria possível sem a colaboração valiosa das suas equipes e, principalmente, daqueles que auxiliam diretamente nas provas, que são chamados de guias, chamadores ou Calheiros, dependendo da modalidade.

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Ele deixou de ser atleta olímpico para ser guia

Newton Vieira já foi um velocista olímpico, alcançou a marca abaixo dos 11 segundos nos 100m rasos. Mas uma contusão o afastou das pistas e depois de sair do Exército, ele virou motoboy, mototaxista e lavador de carros. Voltou a praticar esportes treinando rugby, mas foi chamado novamente para correr, agora como guia da paratleta Viviane Soares.

“Quando virei guia da Viviane, ela era a 11ª no ranking, e chegamos à primeira posição. Tem que motivar. Mesmo a gente estando mal, tem que passar que está bem. É companheirismo, ser companheiro o tempo todo. Se um erra, todos erram. Se um correr mal, os dois correram mal”, explica Newton.

paratleta atletismo com guia
Foto: Daniel Zappe/CPB

Com a ajuda de Newton, Viviane conquistou quatro medalhas nesse Parapan. Ela foi Prata nos 100m, prata e Bronze nos 200m e prata no revezamento 4×100. “Minha função é ajudar outra pessoa a ter direção. Somos amigo um do outro. Agora somos irmãos, acaba criando um vínculo”, finalizou Newton.

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O pai que virou calheiro do filho

Na bocha olímpica, os competidores com paralisia cerebral precisam posicionar a bocha com a cabeça e soltá-la por uma calha em direção ao alvo. Os calheiros são os posicionadores do equipamento. É isso o que faz Oscar Carvalho, pai do atleta Mateus Rodrigues. Os dois conquistaram a medalha de bronze na classe BC3 deste Parapan.

paratleta bocha com caclheiro
Foto: Reprodução

Mateus migrou para a bocha depois de passar pela natação e desenvolver uma alergia ao cloro. O pai, e apoiador, também teve que se adaptar à nova função.

“O meu papel é de grande relevância para que o atleta possa competir, pois devido ao grau de comprometimento das limitações físicas do jogador não há a possibilidade de que ele possa executar os movimentos necessários para realizar o jogo. O mais importante na minha relação com o atleta é a sinergia que desenvolvemos durante o nosso tempo de treinamentos e competições ao longo destes anos”, avalia.

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E a relação de treinador e atleta é superada pela ligação de pai e filho. “O momento mais importante para mim foi na nossa primeira competição, pois ali vi que éramos competitivos e que com dedicação e esforço iríamos alcançar objetivos nunca antes imaginados. Tenho vários acontecimentos que marcaram a nossa relação, pois o respeito e o carinho que ele dispensa a todos faz com que seja admirado por aqueles que fazem parte da família da bocha paralímpica”, finalizou.

O chamador que diz quando é hora de fazer o gol

No Futebol de 5, modalidade em que os jogadores são cegos, o chamador tem a função de orientar os atacantes sobre o posicionamento da defesa, quais caminhos deve seguir na quadra e quando é a hora de chutar a bola a gol. É essa a função de Eduardo Ugioni, que ajudou a levar a Seleção Brasileira ao tetracampeonato no Parapan.

paratleta sutebol com chamador
Foto: Alexandre Urch/MPIX/CPB

“O mais importante na relação é a confiança. Eles precisam confiar em mim. Cada atleta tem uma característica individual. Os atletas paralímpicos devem ser tratados normalmente. São muito independentes. A gente vai conhecendo o atleta como pessoa e como profissional e vai conhecendo a história de vida de cada um. A superação e a garra que esses atletas têm é uma coisa imensurável”, avalia.

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Eduardo vibra pelas conquistas tanto quanto os atletas. “Você precisa fazer o que está fazendo, se dedicar ao máximo, eu faço com amor, e os resultados vão vir. É um trabalho em equipe. Representar o seu país é marcante, ainda mais conquistando título. Cada título que conquistei defendendo as cores do Brasil marca bastante. É o ápice”, disse.

Foto destacada: Ale Cabral/CPB

 

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