Permacultura empodera mulheres e alimenta 6 mil famílias refugiadas na Uganda

Por The Greenest Post

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Em um campo de refugiados no norte da Uganda, localizado em uma cidade chamada Palabek, pessoas chegam com apenas algumas mudas de roupas em suas bagagens. Como “boas vindas” o governo consegue prover uma lona, tenda de vime, uma garrafa d’água, uma panela e um cartão que garante comida suficiente para enganar a fome. A África Subsaariana é lar de mais de 26% da população mundial de refugiados!

A ONG African Women Rising (AWR) se organizou para educar mulheres e meninas na região de Palabek – focando na alfabetização, micro-finanças e agricultura. As lições de permacultura acabam fazendo a diferença na vida das pessoas, possibilitando prosperidade no novo lar!

Leia também: Permacultura: aprenda nova forma de viver no mundo com três princípios “simples”

permacultura sistematiza tecnologias ancestrais e atuais de diversas áreas do conhecimento para criar assentamentos humanos sustentáveis. É uma metodologia que ajuda a gerar renda em uma propriedade rural (ou urbana), economizar tempo e ainda nos permite viver em harmonia com a Natureza. Resumindo: morar coletivamente neste planeta sem destruí-lo. Para que isso seja possível, orienta-se por 3 princípios éticos: cuidar da terra, cuidar das pessoas e cuidar do futuro.

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“Há uma máxima raramente contestada no setor humanitário de que, se você fornecer a alguns refugiados alguns pacotes de sementes  e algumas ferramentas, ela poderá traduzir isso em um suprimento regular de alimentos para a família”, contaLinda e Tom Cole, fundadores da iniciativa. Mas ambos viram essa máxima fracassar, devido à baixa fertilidade do solo e à falta de água na região.

Leia também: Negócio social capacita mulheres para produzir brindes com resíduos de empresas

Por isso a AWR oferece uma educação agrícola aprofundada! “Focamos na construção do entendimento em torno dos princípios básicos da biologia da água e do solo, e então usamos uma estrutura de projeto para ajudar o agricultor a entender a melhor maneira de capturar a água da chuva e enriquecer o solo usando materiais disponíveis localmente – e muitas vezes resíduos como esterco, cinza de madeira, folhas de árvores e pó de carvão”, explica o casal.

No começo foram treinadas 20 pessoas que multiplicam o conhecimento e hoje totalizam seis mil famílias de refugiados do Sudão do Sul que cultivam suas hortaliças. Os permacultores coletam água da chuva, capturam fluxo de resíduos para melhorar a fertilidade da terra e ainda estabelecem porções de 30m por 30m para produção de alimentos.

Além disso, o grupo gerenciam árvores existentes, plantam árvores novas e cultivam cercas vivas e plantações de biomassa que fornecem materiais para construção, remédios para pragas , nutrição de estações secas e medicamentos. Tudo isso não é uma solução mágica aprendida em um dia! É uma série de treinamentos e acompanhamentos da instituição que, apesar de trabalhosa, tem se mostrado poderosa!

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Por quê empoderar mulheres?

“A visão da AWR é construir igualdade social, econômica e política para mulheres e meninas na África”, acredita seus fundadores, que tocam a ONG desde 2006. Através do aumento da produção de alimentos, gestão de recursos naturais, segurança financeira e educação básica, a ideia é capacitar mulheres africanas a reconstruírem suas vidas após a guerra.

O papel social da mulher, para a maioria das culturas, é cuidar das crianças e manter o funcionamento da família. Em um cenário pós-guerra essas tarefas são praticamente impossível. Como se não bastassem os óbvios obstáculos, elas enfrentam desafios ambientais como seca, erosão, escassez de água e mudanças climáticas.

Viúvas, ex-sequestradas, ex-combatentes, mães de meninas, órfãs, HIV positivas, avós responsáveis por netos são o público alvo do programa. Todas sobrevivem, em média, com menos de um dólar por dia.

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Foto: Brian Hodges Photography, Thomas Cole and Macduff Everton via AWR

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