Em meio ao temporal em Petrópolis, funcionária de escola cuidou dos alunos até às 3h da manhã

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chuvas e enchente em petrópolis

Em meio às chuvas que causaram enchentes, desabamentos e deslizamentos de terra em Petrópolis (RJ) na semana passada, milhares de pessoas precisaram pensar rápido para ficarem a salvos da enxurrada.

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Uma delas foi Carla Quadrelli, mantenedora do Centro Educacional Monteiro Lobato (CEMO) e mãe de 2 filhos. Ao perceber que a chuva estava muito mais intensa do que o normal, ela começou a pensar em maneiras de providenciar a segurança das dezenas de crianças do local.

Em entrevista ao portal “Pais & Filhos”, Carla explicou que a chuva começou por volta das 16h da tarde – cerca de 1h30 antes do término das aulas. Em questão de minutos, ela percebeu que algo estava estranho com relação ao clima. “Percebi que algo estava errado quando o pátio não dava vazão da água dos telhados”, relembrou.

chuvas e enchente em petrópolis
Temporal em Petrópolis

Pouco depois, inúmeras mensagens de pais dos alunos começaram a chegar nos grupos de WhatsApp. “Quando começou a chuva e o temporal realmente se tornou fora de controle. Os pais que trabalham no centro da cidade estavam vivenciando a mesma coisa que a gente, porque a escola também é no centro. Então eles começaram a mandar mensagens”, contou.

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Para Carla, os grupos, criados por conta da pandemia, facilitaram bastante a comunicação no momento da chuva. Por meio deles, ela tranquilizou todos os pais em meio àquelas horas de tensão. Nesse meio-tempo, as crianças ficaram seguras dentro da escola.

“Assim que eu vi que as coisas saíram do controle, fiz um vídeo. Porque acabou a luz e os pais começaram a ficar muito nervosos. Então eu gravei tudo explicando que as crianças estavam bem, que todos estavam no segundo e terceiro andar da instituição”, disse.

Os estudantes foram rapidamente transferidos pelos funcionários do colégio. Isso porque esta não é a primeira vez que eles passaram por algo parecido.

A própria Carla já passou por duas enchentes, uma delas, inclusive, mais grave do que a mais recente.

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Conforme as chuvas ganhavam corpo, todos na escola perceberam que a situação estava longe de ser solucionada rapidamente. Algumas crianças, por exemplo, ficaram no colégio até às 3h30 da manhã. Outro aluno dormiu na instituição e foi embora às 7h.

Foi servido janta, ceia e lanches naquela noite, ao passo que os funcionários buscaram formas de distrair as crianças com jogos, histórias e massinhas de modelar.

“Falamos que era tipo uma festa do pijama sem pijama, um acampamento”, explicou Carla. “Sempre quando tem algum tipo de incidente, a regra é muito clara: não repassar [o problema] para as crianças. As maiores, nós desligamos os celulares, para que os pais não tivesse contato e dessem informações [preocupantes]. Então as crianças não sabiam exatamente o que estava acontecendo, só sabiam que o rio estava muito cheio, que os pais não poderiam passar naquele momento para pegá-los, que a gente teria que esperar um pouquinho”.

Quando a luz do colégio acabou, Carla disse que “desligaram a luz” para os estudantes não tomarem choque. “Então a gente foi contando histórias para as crianças o tempo todo”, contou ela, que não esperava que a situação se prolongasse por tanto tempo.

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Enquanto isso, sempre que possível, os funcionários do Monteiro Lobato enviavam informações para os pais, de modo a tranquilizá-los com relação aos filhos.

Ao portal Pais & Filhos, a petropolitana Fabiana Dias da Silva, mãe de Lucas (10) e Beatriz (17), contou que só conseguiu buscar os filhos nas escola às 21h. O desafio dela foi sair do colégio.

“Passamos por pessoas mortas na rua e eu precisava ficar tapando o rosto dele para não ver. As pessoas gritaram que estava tendo arrastão. Ele ficou desesperado. Entrei em uma escola pública procurando abrigo até meu irmão chegar e me levar para casa”, relembrou ela.

A VOAA – a vaquinha do Razões, lançou uma campanha para ajudar os sobreviventes do temporal em Petrópolis. Clique aqui para acessar o site da vaquinha e ajude fazendo uma doação!

De toda forma, apesar do susto e dos momentos de tensão, todas as crianças estão bem e conseguiram voltar para casa no dia seguinte. “Todos foram entregues aos seus responsáveis [sem exceção], e estão todas em casa, a salvo. Nós conseguimos abrigar 190 crianças no dia da chuva”, completou Carla.

Fonte: Pais & Filhos

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