Professor de educação física aposentado que tem pernas amputadas dá lição de vida

O professor de educação física aposentado Túlio Max Ferreira Leite, de 64 anos, precisou amputar suas pernas após um problema circulatório.

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Apesar da condição ser recente, foi com ela que ele alcançou algumas de suas maiores vitórias.

Durante uma partida de tênis três anos atrás, ele sentiu dores fortíssimas na perna. No hospital, foi diagnosticado com trombose. Em apenas um mês, ele passou por 20 cirurgias e três amputações.

“Primeiro, foi a perna esquerda, abaixo do joelho. Depois, o pé direito e, por fim, a perna direita. Mas, em momento algum senti que foi tirada de mim alguma coisa”, recorda em entrevista ao Uai.

“Quando falaram da possibilidade da amputação, reuni minha família e tentei evitar que entrassem em desespero. Tive muita calma naquele momento e não consigo explicar por que, mas ela permanece até hoje. Não perdi nada. Continuei vivendo e fazendo minhas atividades. Claro que precisei me adaptar. Mas me surpreendo com essa resiliência, essa coisa de aceitar de forma tranquila. Uma reação que também foi boa para minha família, que estava chorosa”, lembra.

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Túlio se adaptou rapidamente às próteses e voltou logo a praticar esportes, sua grande paixão, tanto que foi professor da Faculdade de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) por 35 anos.

Ele faz academia, natação, tênis e esportes na natureza. Sua bicicleta ele trocou por um downhill. Entre suas conquistas, está a Volta da Pampulha e ter subido o Pico da Bandeira.

“Posso dizer que sou tão ativo quanto antes. Minha experiência de vida talvez tenha me feito reagir com mais naturalidade ao processo. Soube compreender os reveses que a vida nos apresenta. É como encarar um tropeço. Minha espiritualidade e minha família me deram toda a força de que precisava”, comemora.

“Quem conhece o Túlio sabe que sua superação não poderia ser diferente. Durante toda sua vida, fez trilhas de moto, andou de ski aquático, fez rapel, pedalou, jogou peteca, peladas, tênis. Sempre muito ativo e entusiasmado, agregava as pessoas que faziam parte da sua vida nas mais variadas aventuras. Acho que Deus escolhe as pessoas fortes para servir de exemplo. Enquanto todos à sua volta não conseguiam sequer imaginar que isso estava acontecendo, ele dava lições de aceitação, força e coragem. O hospital inteiro conhecia o seu astral, pois sempre entrava na sala de cirurgia com um largo sorriso, cumprimentando todos os enfermeiros e médicos da equipe. Na primeira amputação, enquanto ia de maca para a sala de cirurgia e a família fazia um corredor ao seu lado, ele, com as mãos para cima, dizia a todos com humor e alegria: ‘Façam minha inscrição para as Paralimpíadas de 2016”. Depois de dois anos de muita luta, garra e recuperação, hoje, usa duas próteses, dirige seu carro adaptado, joga tênis, pratica natação, faz academia e anda de bicicleta. Já tentou até andar de skate e, em junho, com a família e um grupo de amigos, subiu o Pico da Bandeira, comemorando os dois anos de uma nova forma de andar na vida”, disse Teresa Vilela, esposa de Túlio.

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Fonte: Uai

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