De bike, professora leva educação a alunos da zona rural que não podem acompanhar aulas online

Sensível às dificuldades dos estudantes da zona rural de uma comunidade baiana em acompanhar as aulas virtuais devido à falta de acesso à internet, a professora Selma Abreu, 35, tem usado sua bicicleta para levar livro e conhecimento até eles.

Selma criou a “Biblioteca Viajante”, que atende dezenas de crianças de Tanhaçu, a cerca de 500 km de Salvador. Além disso, abriu as portas de sua casa para ajudá-las com aulas de reforço.

 

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A baiana se formou no magistério em 2006, mas só teve oportunidade de exercer a profissão no ano seguinte. Nesse meio-tempo, se manteve próxima à escola, aceitando trabalhar na função de serviços gerais em uma unidade de ensino municipal.

Ao se tornar professora, Selma começou a lecionar para jovens e adultos de sua comunidade rural. “As aulas eram na minha casa mesmo, mas eram pouco frequentadas. Só iam minha mãe, meu irmão, meu esposo, meu tio e minha tia”, contou.

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Nos anos seguintes, ela passou por outras escolas e trabalhou também em áreas administrativas, até a chegada da pandemia.

“A pandemia trouxe várias mudanças. Perdi o emprego e retornei para a vida na agricultura familiar, que é de onde venho. Meus pais sempre viveram no meio rural. A nossa principal atividade era trabalhar na roça, na lavoura de feijão, milho, algodão… Eu cresci vendo meus pais nessa lida com a terra”, relembrou.

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Atualmente, sua família se sustenta através da venda de milho, usado para produzir ração para a criação de gado nas fazendas da região.

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“Com essa renda, eu consigo ajudar meu esposo nas despesas da casa, pagar minha faculdade de pedagogia e ajudar as crianças do projeto Biblioteca Viajante”, enfatizou.

Biblioteca viajante

Já faz alguns anos que Selma ajuda os moradores da sua região com doações de cestas básicas e fraldas para mães de bebês que não tinham condições de comprar. “Eu fazia campanha e contribuía com um pouco do meu salário. Só que com a pandemia eu perdi meu emprego e não tinha mais como fazer nada, e fiquei incomodada com a situação”.

Ela logo percebeu a enorme dificuldade que as crianças e jovens das redondezas tinham em assistir às aulas online durante o isolamento social, e resolveu abrir as portas de sua própria casa para oferecer acesso à internet à elas. “Eu pensei: sou professora e vou doar meu conhecimento”, conta. Nascia ali seu projeto social.

Em um post compartilhado nas redes sociais, Selma pediu doações de livros. A resposta foi rápida: cerca de 230 obras foram doadas – número suficiente para começar sua biblioteca. Com um acervo amplo, muitas crianças mergulharam no universo da leitura pela primeira vez.

Ainda assim, muitos estudantes de regiões mais distante não conseguiam frequentar os encontros. Foi aí que, com muita disposição, boa vontade e uma bike, Selma decidiu superar mais esse obstáculo.

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“Chego a rodar 15 km por dia”

“Tem várias crianças que moram longe da minha casa. Eu, com minha bicicleta, uma caixa de papelão e alguns livros, passei a visitá-las. Quando o terreno é mais complicado, vou a pé mesmo. Chego a rodar 15 km por dia”, explica.

Assim que chega na residência dos alunos (são 16 atendidas), a professora deixa os livros, faz uma rodinha de leitura e ajuda com as tarefas. Também oferece assistência aos pais que não têm conhecimento para ajudar os filhos nas atividades escolares.

“A Biblioteca Viajante chega doando conhecimento, livros e material escolar. Mas também questiona sobre a vida da família. Se eles precisarem de alguma coisa, como serviço de saúde, por exemplo, faço encaminhamento para atendimentos na assistência social do município”, contou.

Ela espera que seu projeto social inspire outras pessoas Brasil afora. “Eu acredito que podemos fazer as oportunidades chegarem a qualquer lugar. É possível acreditar nesse sonho de criar um espaço de educação no campo, para que as crianças e jovens consigam ter essa oportunidade à sua disposição em suas comunidades. Espero que meu projeto incentive outras pessoas. Podemos viver em um mundo melhor se cada um fizer a sua parte”, conclui.

 

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