Professora ajuda comunidade com aulas gratuitas de natação para quem não pode pagar: “colocou a touca, somos todos iguais”

Toda mulher merece celebrar sua individualidade e originalidade.
Para isso, é fundamental que el
as tenham consciência de sua força e do seu poder. A autoestima e a identificação são as ferramentas que fazem com que as mulheres ocupem os lugares que sempre mereceram. E é por isso que o Razões Para Acreditar e o Quebrando o Tabu, em parceria com Dove e Refinery29, estão juntos nessa missão de ajudar as mulheres a verem ainda mais o que podem conquistar.

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Para oferecer essa experiência de beleza positiva a todas as mulheres e para incentivá-las a ver seu poder, contaremos histórias de mulheres e meninas que são exemplos inspiradores de como a construção da autoestima pode ajudar a nos dar a confiança necessária para atingirmos nosso pleno potencial. É uma ótima viagem pelo mundo feminino e empoderado, que constrói, quebra paradigmas e barreiras.

Uma dessa incríveis mulheres, é a Peixinho, uma professora que dá aulas gratuitas para quem não pode pagar e ensinar aos outros valores como diversidade e autoestima.

Essa turma tá nadando de braçada no quesito diversidade e respeito. A baiana Sulamita Araújo dá aula de natação todos os dias a pessoas que não podem pagar pela mensalidade de uma escola ou que simplesmente não seria aceito em um clube. Como ela não tem um espaço com piscina, o Porto da Barra é o local das aulas.

Já são quase 20 anos desenvolvendo esse trabalho. Mas o que mais chama a atenção não é o voluntariado ou o local improvisado para as aulas, mas as histórias e as pessoas que fazem parte dessa turma. São pessoas da comunidade LGBT, pacientes de alguma doença, pessoas muito pobres, alcoólatras, desembargadoras, advogadas, professores universitários, médicos. O aluno mais novo tem três meses e a mais experiente tem 80 anos de vida.

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“Por aqui já passaram diversos alunos, de todos os lugares. É um projeto que abraço todos. Desceu a rampa, colocou uma touca e os óculos, obedeceu a professora nós damos aula. Todos aqui são iguais. São todos meus filhos”, disse Sulamita, ou simplesmente Peixinho.

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Peixinho atende todos independentemente de cor, condição financeira ou física. Foto: Lorena Venturini

São mais de 100 alunos na escola Peixinho Porto da Barra. As aulas nas águas calmas são agitadas com muita diversão e orientação da professora atenciosa. Porém o objetivo não é dar um grande condicionamento a essas pessoas, mas outro tipo de consciência, não só física, mas principalmente psicológica. E para isso, as aulas são cheias de muita conversa.

Nós trabalhamos os sentimentos das pessoas, já que a maioria vem para trabalhar o corpo. Mas, não adianta o corpo sem a mente”, disse.

“Ensino meus alunos com amor. Sem distinção de cor, classe, gênero. A natação transforma pessoas. E é isso que busco na minha escola. Ensinar sobre natação e sobre os desafios da vida nos diversos aspectos. Através da natação e dos nossos ensinamentos nós conseguimos elevar a autoestima da nossa equipe. Com os treinos, com as viagens… Sempre um estimulando o outro. Nós não levamos apenas natação. Levamos amor, autoestima, alegria e as verdades sobre a vida”.

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Na escola, quem pode arcar com algum custo paga, mas quem não tem, também faz as mesmas atividades e a principal regra é entender os limites de cada um, tentar superá-los e respeitar a dificuldade e a particularidade do outro. Aqui não tem competição.

E por que Peixinho quer formar cidadãos conscientes? Ela conta que não teve afeto na família e foi abusada pelo pai quando criança, que sempre sofreu carência e tenta passar afeto para seus alunos.

“Eu fui uma das melhores atletas que a Bahia teve, infelizmente não tive reconhecimento porque não tive família. É daí que vem minha história, eu transformei a minha escola na minha família, então todos os meus alunos são pessoas que eu escolhi para serem da minha família. Eu consegui formar a família que sempre quis ter.Sou uma leoa para meus alunos”, disse.

E na escolinha, todos têm direito aos cafés da manhã que ela prepara diariamente e os aniversariantes ganham festinha especial. Ah, e sempre tem viagem para participar de maratonas aquáticas em outras cidades e a professora arca com passagem, hospedagem e alimentação de quem não pode.

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Peixinho recebe todos com sorriso e amor. Foto: Lorena Venturini

E tem mais: todo o material usado nas aulas é doado pela professora. Para bancar tudo isso, Peixinho dá seus pulos trabalhando muito com aulas particulares em condomínios. E para isso, vez por outra até se endivida, mas para ela o sorriso dos alunos não tem preço. “Então, meus alunos e eu temos uma relação de mãe, professora, mestra. Nossa, como eles amam. Isso vem de uma reciprocidade tanto deles, quanto da minha parte”, avalia.

E é isso mesmo, muitos a chamam de mãe. “Na realidade, minha autoestima vem através dos alunos. Eu amo o que eu faço. E faço com muito amor. Então, isso transborda, transparece para os alunos. Eu conquistei aqui na escola uma família”, disse.

É o caso de Katinha, uma criança que sofre de uma doença nos rins. “Ela é a minha maior inspiração. Kátia faz hemodiálise 3 vezes por semana, e todos os dias vai treinar feliz. É uma batalha diária, árdua e que me faz ver que é possível você passar para as pessoas conhecimento junto com o amor”, finalizou.

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Katinha, de touca rosa, maiô preto e prancha amarela, é o xodó da professora Peixinho.

Sulamita é pioneira em aula de natação no mar na Bahia e o contato com a natureza revela surpresas inimagináveis para os alunos. “Temos a oportunidade de estar na terceira melhor praia do mundo. Cada dia é uma história. É um peixe diferente, é a tartaruga, peixe-boi que aparece, pinguim nessa época, no verão aula à noite, aula de lua cheia”, descreveu.

Nossa, já quero nadar nessa turma.

Peixinho, é você que nos inspira a construir uma sociedade mais justa e diversa.

 

 

 

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