Professora grava aula com ajuda de saco de feijão e caixa de leite e viraliza

Durante a pandemia muita gente está tendo que assistir e a dar aulas online, mas nem todo mundo tem tanta intimidade com a tecnologia, assim como aparatos suficientes. Este é o caso da professora Maria Aparecida da Silva Biggon, que viralizou ao usar um saco de feijão e uma caixa de leite para equilibrar seu telefone enquanto dava aula.

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professora gravando aula com saco de feijão
Foto: reprodução Facebook

A representação perfeita do tal “quem não tem cão, caça com gato”, quem disse que precisamos comprar mil aparelhos tecnológicos para fazer a diferença na vida dos alunos? Maria Aparecida, ou Cida – como ela é conhecida, leciona há mais de 40 anos e vem enfrentando certas dificuldades com ferramentas tecnológicas durante a pandemia.

Aos 59 anos, ela está precisando se reinventar, assim como muita gente. Depois de 4 décadas de experiência, hoje a professora dá aulas de português e espanhol para alunos de duas escolas particulares de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Desde que as escolas fecharam, ela passou a dar aulas online e conta com a ajuda de sua filha e dos coordenadores das escolas.

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Adaptação

Para quem só usava o whatsapp para enviar fotos e mensagens com a família e muito raramente o Facebook, transformar suas aulas presenciais em ensino à distância está sendo um verdadeiro desafio.

Segundo ela, a sensação é de que ela se formou ontem: “Eu sei dar aula, faço isso há quatro décadas, mas nessa situação é como se eu tivesse me formado ontem. Quando eu me vi precisando dar aula online foi um susto, tudo é muito complicado pra mim”, disse em entrevista à revista Época.

cida na escola com seus alunos
Cida em uma das escolas em que leciona. Foto: reprodução Facebook

Uma das primeiras turmas de Cida foi em 1982, período no qual as pessoas nem imaginavam o que era ter um computador. Assim como muitos profissionais experientes, Cida viu-se obrigada a se adaptar às novas regras.

Pesquisas recentes mostraram que, em alguns estados brasileiros as aulas presenciais voltarão em setembro, porém com apenas 35% dos alunos, o que significa que as aulas online persistirão por um bom tempo.

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primeira turma de cida
Esta foi uma das primeiras turmas de Cida, em 1982. Foto: reprodução Facebook

Mudanças realmente assustam, mas as pessoas certamente estão dando o seu melhor, como Cida – a professora que utiliza um saco de feijão e uma caixa de leite longavida para poder continuar ensinando seus alunos. A educação e a resiliência nunca se mostraram tão importantes!

Dificuldades

Se uma das escolas que Cida dá aulas oferece a possibilidade de gravar as aulas presencialmente com os professores, na outra ela está precisando se virar com as ferramentas que tem em casa. E isto, tem a deixado tão preocupada, que a professora está sofrendo de ansiedade.

“Essas dificuldades me causam até ansiedade, dor no estômago, porque é algo muito novo pra mim. Quando não temos domínio para fazer certas coisas, gera total insegurança e nervosismo. Tá sendo um período difícil, uma pedrada, mas posso dizer que quando isso tudo passar vou levar esse momento duro como um aprendizado para a vida”, disse.

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Além das dificuldades tecnológicas, a professora diz que alguns pais não entendem o desafio que os educadores estão tendo para adaptar suas aulas. Segundo Cida, muitos acham que eles estão fazendo pouco ou mal feito, sem se dar conta de todas as implicações e obstáculos que eles enfrentam diariamente.

cida dando aula
Foto: reprodução Facebook

E as adaptações já são muitas! Cida tem usado a porta de um armário branco como lousa, já que ela não tinha uma em casa. Mas a boa notícia é que ela também vem aprendendo muita coisa, já que agora expressões que ela nem mesmo sabia que existia passaram a fazer parte de seu vocabulário, como “a internet caiu”, “rolar o chat” e “o microfone bugou”.

quadro branco improvisado
Foto: reprodução Facebook

Um dia a pandemia irá acabar e as coisas voltarão ao normal, mas Cida afirma que esta experiência vai mudar sua vida para sempre.

“Isso vai mudar minha vida, fico pensando quanto tempo eu perdi de não ter investido em mais conhecimento tecnológico. Pensava que como já estava próxima da aposentadoria, não faria tanta diferença na minha vida profissional mas agora é assim ou nada. Se alguém me falasse há um ano que estaria gravando aulas por vídeo, não acreditaria”, afirma.

Fonte: ÉPOCA

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