Professora trans troca R$ 20 mil pela chance de educar agressores

A professora de matemática transexual Natalha Claudinei Silva Nascimento trocou uma indenização de 20 mil reais pela chance de dar uma aula para os agressores que a xingavam diariamente. Ela defende que sua dignidade não tem preço e acredita que só a educação pode mudar as pessoas.

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Natalha moveu um processo contra funcionários de uma pastelaria, em Brasília. Em entrevista para a BBC, ela conta que sofria xingamentos todos os dias. A professora não podia evitar as ofensas porque pegava um ônibus em frente à pastelaria para voltar pra casa depois do trabalho.

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A gota d’água foi no dia 26 de abril: após pedir para os funcionários pararem com os xingamentos, um deles partiu para cima da professora, a derrubou no chã e a agrediu violentamente. Humilhada, Natalha acionou a Justiça e pediu 20 mil reais de indenização por danos morais.

Porém, durante a conciliação judicial, mediada pela juíza do 6º Juizado Especial Civil de Brasília, Marília de Avila Silva Sampaio, a professora resolveu abrir mão do dinheiro, pedindo em troca a oportunidade de dar uma aula sobre questões de gênero para os funcionários da pastelaria Viçosa.

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Não tem dinheiro no mundo que valha a minha dignidade e respeito. Moro na favela mais perigosa do Distrito Federal e quero transitar livremente sem ter medo de morrer ou ser assassinada por ser quem sou”, disse ela.

Na aula, em uma sala do Fórum de Brasília, Natalha falou sobre gênero, aspectos biológicos e comportamentos dos transgêneros, violência contra essa parcela da população e a importância de denunciar atos discriminatórios.

Antes da aula começar, a professora comentou que esperava ‘caras fechadas’ e que talvez o bate papo caminhasse para uma discussão feia. Aconteceu o contrário de tudo o que estava imaginando. Os ‘alunos’ chegaram abrindo sorrido e dando boa tarde para ela.

Natalha achou meio estranho, mas o clima na sala ficou mais leve quando ela brincou dizendo que “quem aprendesse a lição de que ‘respeito não tem preço’ já estaria aprovado”. Os funcionários da pastelaria riram bastante, conta a professora.

Dessa vez, diferente dos risos de zombaria, eram risos de respeito ao que a professora trans tinha a dizer. Por isso, Natalha não se arrepende de abrir mão da indenização financeira. Ela diz com todas as letras que a oportunidade de educar seus agressores foi a melhor indenização que poderia ganhar na sua vida.

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crédito da foto: Leopoldo Silva

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