Professora usa funk e rap para aproximar conteúdo da realidade dos estudantes

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Já foi falado inúmeras vezes que a melhor forma de ensinar os alunos é partindo da sua realidade. Mas, por uma série de fatores, nem sempre os professores conseguem fazer esse exercício.

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A professora de História Ane Sarinara tentou, e conseguiu! Ela dá aula em escolas da periferia de São Paulo. Ane teve ideia de passar o conteúdo da matéria para os alunos usando o funk e o rap.

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“A escola está completamente fora da realidade deles, e educação, sem significado, não tem sentido nenhum. É aquela ideia: você finge que explica, eles fingem que entendem. São cidadãos que não gritam, que não berram, omissos, obedientes. Costumo dizer que não estudei para domesticar aluno. Querem que eu faça isso, mas eu não consigo”, disse Ane à BBC Brasil.

Tudo começou com um estudante que atrapalhava suas aulas, mas que adorava cantar funk.

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“Outros professores tratavam isso como indisciplina. Só que eu sou da periferia, escuto funk desde que me conheço por gente”, lembra. “Sugeri que ele escrevesse um funk sobre a matéria – foi a forma que encontrei para ele fazer parte da aula.”

Quando o garoto apresentou o trabalho, ela viu que a tarefa tinha conquistado não só a atenção dele, mas de toda turma. Então, ela expandiu a experiência para além da música.

Um dia, por exemplo, Ane dividiu os alunos em dois grupos e criou um tribunal: o primeiro representaria a polícia e o outro, o tráfico.

“Na periferia, a polícia é muito mal vista porque chega sempre com violência. Mas a ideia era mostrar para eles que o tráfico, que é quem acaba fazendo as melhorias que eles precisam na região em que o Estado é ausente, não tem só coisas positivas.”

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Mas, esse jeito diferente de ensinar os alunos trouxe problemas para Ane. Diretores e outros professores reclamavam que ela era “liberal demais”, e que seus alunos achavam que “podia fazer tudo” nas outras aulas.

“Eles diziam: ‘alguns pais estão reclamando, se eles forem na Diretoria de Ensino você vai ter que se retirar da escola’. E eu respondia: ‘não vou mudar, não estou fazendo nada de errado’.”

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Com tanta pressão, ela diz cogitar abandonar a sala de aula por medo de sair de lá “de camisa de força”. Após citar colegas que cometem suicídio, ela desabafa:

“Muitos colegas meus já tomam tarja preta pra conseguir dar aula. Não quero ficar desse jeito. Aí é que está a questão: eu não consigo me adaptar ao sistema. Mas aí todo mundo me diz: vai chegar uma hora que você vai ter que escolher entre ficar e se adequar ou sair. E está chegando essa hora já.”

Com informações do Terra

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