Professora doutora venezuelana recebe ajuda no Brasil e abre sala de ensino de línguas

A história da venezuelana Yhana Riobueno parece ter sido escrita por um autor de literatura sul-americano. A professora, que nasceu em Caracas e foi criada nos Andes, morou em vários países, fala diversas línguas e, antes mesmo da crise humanitária da Venezuela, se tornou especialista em Literatura Brasileira, mal sabendo que anos depois seria acolhida aqui no Brasil.

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Yhana tem 58 anos e três filhos biológicos e cinco filhos adotivos. Um deles, inclusive, tem autismo. “Tenho uma menina na Espanha, outra na Argentina, duas no Uruguai, uma na Itália, um menino na Venezuela, e dois estão no Brasil… meu coração está espalhado pelo mundo em muitos pedaços…💔”, disse.

Ela se formou em Literatura na Universidade Central da Venezuela e se tornou professora na Univesidad de Los Andes. Lá, ela criou a Cátedra de Literatura Brasileira e se dedicou por toda vida a estudar a difusão da cultura brasileira na Venezuela.

Em 2002, Yhana veio ao Brasil fazer o Doutorado em Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O roteiro começava a escrever as linhas do seu destino. Durante o Doutorado, ela viveu na Serra Gaúcha. “Meus 3 filhos cresceram aqui, aprenderam a falar português como guris gaúchos, o que me enche de orgulho até hoje“, contou.

Mãe com três filhos adultos abraçados em aeroporto
Último registro com os filhos biológicos na Venezuela em 2017. Foto: Arquivo pessoal

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Yhana voltou à Venezuela em 2006 e, em 2011, depois de se aposentar, fundou o Instituto Venezuelano de Língua Portuguesa. Ela sempre contribuiu divulgando a nossa cultura pelo mundo. A professora já morou na Inglaterra, França, Espanha, Itália, Estados Unidos, Colômbia, Chile, Argentina, Peru e Brasil, onde vive atualmente.

Professora venezuelana
Foto: Arquivo pessoal

Depois de anos, venezuelana precisou voltar ao Brasil por causa da crise

A crise humanitária que assolou a Venezuela atingiu toda a população e o Brasil se tornou uma rota de redenção necessária. Para os mais de 40 mil venezuelanos, o Brasil era um roteiro desconhecido, mas não para Yhana.

“Esta tinha sido a nossa casa por muito tempo e voltaria a ser a nossa casa de novo. Tanto meus filhos, que chegaram em 2017, quanto eu, que cheguei em 2019, fomos calorosamente acolhidos por muitas pessoas que sempre nos ajudaram de forma espontânea e bondosa. Minha dívida de gratidão é infinita com todos eles pelo resto da minha vida“, disse.

Yhana conta que na Venezuela viver já não era uma opção. Ela recebia um salário de absurdos US$ 2 por mês. Ao chegar no Brasil, ela foi trabalhar numa empresa em Santa Catarina, mas acabou demitida por causa da pandemia e decidiu que iria voltar para a terra que a acolheu em 2002.

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“A escolha de Canela foi quase natural e sem esforço: na verdade, o que eu sinto é que foi ela que me escolheu. Em Canela me sinto completamente em casa, protegida e cuidada, respeitada e amada por todos”, confessa.

Mulher sorrindo em mesa de restaurante
Yhana sempre foi apaixonada pela cidade de Canela. Foto: Arquivo pessoal

Em meio a tudo isso que ela está vivendo, um dos seus filhos venezuelanos tem autismo. Depois de muitas dificuldades no seu país, ele teve que vir para o Brasil e enfrentou o medo de viajar sozinho por vários dias até chegar a Canela. Kavi fazia faculdade de cinema e estava se formando. Para continuar produzindo seus filmes, a família criou uma vaquinha para comprar um computador para ele. Clique aqui e contribua!

Yhana recebeu ajuda de empresário para abrir sala de aula e oferecer ensino de línguas para as crianças de Canela

Para se manter no Brasil, como refugiada de um país em crise, nem tudo foram flores, apesar de viver na belíssima Canela. Yhana começou a dar aulas particulares ensinando as várias línguas que sabia falar e o conhecimento de professora doutora.

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Até que a sua história chegou ao empresário Igor Cristofolli, que estava justamente tentando encontrar um bom curso de inglês para o filho. “Quando eu soube da história dela, pensei: ‘como eu tinha uma sala vazia, bah! Daqui a pouco eu posso ajudar.’ É uma oportunidade de conseguir ajudar a professora a ter uma renda e ainda ajudar meu filho a aprender inglês”, disse.

Sala de aulas com mesa, cadeiras, computador e TV
Foto: Arquivo Pessoal

Ele montou uma sala completa e super moderna de aulas. “Investi em toda a sala, coloquei TV, mesa, notebook, cadeiras, quadro, fiz propaganda, ofereci toda a estrutura da minha loja, tem banheiro, café, telefone, secretária, pra que ela possa dar aula e conseguir tirar o sustento dela da aula de inglês”, disse Igor.

“Ele sabia que a minha paixão era ensinar e que tinha trabalhado como professora de línguas durante muito tempo. Então ele me fez a proposta de iniciar cursos de línguas e me ofereceu um maravilhoso lugar para trabalhar. Eu aceitei agradecida e desde então estou oferecendo aos meus estudantes não apenas uma língua, mas também uma longa experiência de vida“, falou Yhana. E que experiência!

Foto de professora dando entrevista para câmera
Yhana busca formas de passar seu conhecimento para outras pessoas. Foto: Francisco Rocha

Apesar de tudo isso, Yhana ainda não tem muitos alunos. O curso é num preço popular para conseguir atingir mais pessoas. “Eu tô um pouco triste, porque cada aluno que deixa de vir é menos dinheiro para levar alimento para a mesa dela”, disse Igor.

Então, aqui está o contato (54 99649-4514) e a rede social do projeto, por onde é possível divulgar e matricular o seu filho. O perfil de Yhana no Instagram é @yhanariobueno

São mais de 40 anos dando aula. “Acredito profundamente no poder transformador da educação e acho que a aquisição de um idioma nos faz ser melhores de muitas formas: nos ajuda a olhar além de nós mesmos, nos abre a possibilidade de ver que, apesar de nossas diferenças linguísticas e culturais, todos procuramos ser felizes e evitar o sofrimento”, disse a professora. As palavras dela são uma lição!

Venezuelana quer retribuir o que tem recebido dos brasileiros

As aulas são uma forma de Yhana se manter, mas também têm o objetivo de retribuir, de algum modo, todo o apoio que ela tem recebido no Brasil com o que a professora carrega de mais valioso: conhecimento. “Espero que esta proposta possa retribuir suficientemente tudo o que tenho recebido desta maravilhosa experiência de morar aqui“, disse.

Em Canela, ela foi super bem acolhida desde o início da sua chegada. “Assim que cheguei, fiquei doente. Então todos os meus vizinhos, sem sequer me conhecer, começaram a tomar conta de mim. Eles me ajudaram em tudo: me trouxeram comida, me levaram ao médico, cuidaram de mim com amor e compaixão. Todos estavam muito comovidos com a minha história e com o profundo sofrimento dos venezuelanos”, relatou.

Agora a gente vê que a ligação com a Literatura Brasileira nunca foi por acaso. “Sabes quando uma criança nasce na família e todos esperam alegremente sua chegada? É assim como eu me sinto aqui: como se tivesse nascido de novo numa família que me espera alegremente. É uma sensação estranha, quase uma certeza: como se eu soubesse inconscientemente que este é o lugar no mundo ao qual pertenço”, finalizou.

Yhana, seu lugar é realmente aqui! Como diria o escritor Gabriel García Marquez, “A memória do coração elimina as lembranças ruins e magnifica as boas, e graças a esse artifício, conseguimos suportar o passado”.

Assim como a história de Yhana, milhares de venezuelanos e venezuelanas buscam se estabelecer no Brasil. É o caso de Neimar, de 34 anos, que sai pela cidade de moto alugando tanquinhos de lavar roupa para se manter. Criamos uma vaquinha na VOAA para ajudá-la. Clique aqui e saiba como contribuir!

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