Embalagens plásticas de salões de beleza viram próteses para crianças com deficiência

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Hoje aposentado, o cabeleireiro australiano Bernie Craven exerceu a profissão por quatro décadas. Ao longo dos anos trabalhando em salões de beleza, vivenciou o desperdício crônico nesses locais – não apenas do cabelo, que ia direto para o lixo, mas incontáveis embalagens de shampoos, cremes e condicionadores, que poderiam ter sido reciclados de alguma maneira.

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Visando mudar essa realidade, Bernie desenvolveu um projeto de reciclagem de utensílios plásticos descartados pelos cabeleireiros, posteriormente convertidos em próteses para crianças com deficiência.

As primeiras beneficiadas da iniciativa do ex-cabeleireiro foram Connor Wyvill, 11 anos, e Haley Wright, 12 anos, que nasceram sem a mão esquerda. Elas foram convidadas a experimentar as próteses confeccionadas pela Waste Free Systems, empresa fundada por Bernie.

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Ele conta que as crianças estão usando as mãos biônicas desde julho – com resultados bastante promissores até o momento. Connor e Haley são apaixonados por esportes e ganharam uma outra prótese só para andarem de bicicleta.

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Próteses 3D

Utilizar as próteses no dia a dia é o primeiro passo para sua comercialização. “Ambos sentiram que elas eram um pouco longas e queriam ter mais controle nos dedos, então fizemos alterações”, conta Bernie. Em breve, o menino e a menina devem receber uma nova versão.

A ideia é continuar trabalhando com as crianças conforme elas crescem. A empresa de Bernie deseja que as próteses provisórias se tornem mãos robóticas definitivas.

Em parceria com a ONG E-Nable, que produz próteses em 3D para crianças ao redor do mundo, foi possível fabricar os primeiros protótipos. Uma campanha de financiamento coletivo ajudou no financiamento: cerca de 10 mil dólares australianos (aproximadamente R$ 28 mil) foram arrecadados até agora.

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Construindo uma mão biônica

As próteses foram 100% confeccionadas a partir do plástico coletado nos salões de beleza parceiros do empresário. Redirecionadas para um armazém, as embalagens foram lavadas, secas e picadas em polímeros. Em seguida, um desumidificador ressecou o material, que foi colocado em uma máquina de extrusão. O aparelho força o plástico para que ele saia em forma de filamento, usado para imprimir a mão em 3D.

Foram necessárias nove horas para que o primeiro protótipo fosse impresso completamente, exigindo 42 metros de plástico compressado. Inovador, o projeto ganhou uma bolsa de pesquisa na Universidade de Tecnologia de Sydney.

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Um engenheiro da universidade e estudantes de outras instituições australianas, como a Universidade de Queensland e a Universidade de Sunshine Coast, estão ajudando na parte técnica do trabalho.

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Bernie afirma que a Waste Free Systems hoje oferece a diversos salões na Austrália caixotes para que cada estabelecimento separe seus materiais recicláveis, impedindo que até 90% do material seja descartado incorretamente.

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O foco é recolher especialmente o plástico, mas também são reciclados outros materiais, como papelão, vidro, ferramentas eletrônicas, produtos químicos e cabelo, usado para produzir fertilizantes usados em jardins comunitários locais.

“Nosso plano de negócio é reduzir o lixo levado aos aterros e, desse modo, reverter o impacto no meio ambiente, educando empresários para que eles reimaginem e reorganizem seus desperdícios de uma maneira melhor”, concluiu.

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Fonte: Revista Galileu/Fotos: Facebook Waste Free Systems

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