Psicólogo já incluiu mais de 6 mil profissionais de grupos minorizados no mercado de trabalho

Há algum tempo falar sobre diversidade e inclusão no mercado de trabalho era uma coisa utópica.

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Mas hoje empresas de todos os tamanhos conseguem enxergar que esse é o caminho para o sucesso e para a construção de uma sociedade mais democrática.

O psicólogo Djalma Scartezini acredita muito nisso. Para ele, “incluir é entrar em relação com as pessoas”, ou seja, estabelecer vínculos. 

Djalma transformou uma deficiência de linguagem numa chave para abrir portas para mais de 6 mil pessoas em grandes empresas, com cargos de entrada até diretoria.

“O que foi quase vinte anos um demérito se tornou um mérito quando eu entendi que isso podia ajudar outras pessoas. E hoje eu tenho orgulho de dizer que já inclui mais de 6 mil pessoas em várias companhias no país”, disse.

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“A gente precisa falar sobre as coisas boas e essa é a proposta do Razões, inclusive, o Brasil é referência mundial em inclusão.”

“Nós enquanto homens brancos, qual o nosso papel?”

Scartezini reconhece seus privilégios, homem branco e heterossexual, e utiliza essa posição para levar o debate da inclusão e diversidade para as empresas.

“Nós enquanto homens brancos, qual o nosso papel? Eu posso abrir posições para pessoas minorizadas. Como corporação, como eu posso fazer isso no dia a dia? Contratar as pessoas”, afirma.

A Rede Empresarial de Inclusão Social é um dos seus espaços de atuação nesse sentido. O grupo reúne 114 empresas para promover a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho brasileiro.

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Depois de passar pelas áreas de diversidade e inclusão do Walmart, Sodexo, On-site e Telefônica Vivo, hoje, ele lidera a frente de Pessoas com Deficiência, Refugiados e Gerações da EY no Brasil e América do Sul.

Modelos inclusivos aumentam a produtividade

Diferentemente do que muitos executivos e empresários pensavam no passado, modelos inclusivos podem gerar grandes resultados. 

“A gente tem uma série de pesquisas, inclusive da própria EY, de que uma composição mais diversa aumenta a produtividade das companhias. Então, que tipo de empresa hoje estaria disposta a abrir mão disso?”, destaca.

“Um body para mulheres negras vende 35% mais do que para mulheres brancas”

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A diversidade é altamente interessante para as companhias, ou deveria ser. Os números provam isso.

“Numa pesquisa, vimos que a gente pode aumentar a rentabilidade dentro das organizações com a diversidade. Um body para mulheres negras vende 35% mais do que para mulheres brancas”, falou.

Djalma ainda ressaltou o surgimento de bonecas com vários tons de pele, bonecas cadeirantes. “As crianças precisam se ver representadas para saber que podem chegar lá”, falou.

A série sobre a vida da Madame C. J. Walker, primeira mulher negra milionária dos Estados Unidos, disponível na Netflix, mostra bem isso. 

Ela criou uma linha de produtos capilares para mulheres negra e o resultado já sabemos. 

“Se a maioria da nossa população é negra, tem uma série de coisas para fazer em relação a isso. Seja de moda, de cosméticos, de cultura. Uma pessoa com deficiência, ela não consome? Não tem coisas necessárias pra aquele grupo identitário? Tem!”

Diversidade não é só o certo a se fazer, mas também ter dinheiro na mesa. A gente conseguiu trazer de volta R$ 44 milhões numa companhia, R$ 14 milhões na outra.”

Capacidade de se relacionar é a habilidade do futuro

Djalma destaca uma outra coisa que coloca a gente para pensar. Para ele, os profissionais que têm mais capacidade de se relacionar com as pessoas vão se destacar num futuro em que muitas habilidades poderão ser “baixadas”. 

“Em pouco tempo, a gente vai ter inteligências artificiais que vão estar em um ‘fone de ouvido’. E daí a gente vai ser tecnicamente excelentes, todo mundo igual. Como é que a gente vai competir como profissional? Se não é a habilidade de se relacionar?”

“O que a gente tem que aprender pro futuro? É se relacionar melhor! Saber fazer vínculo, saber ouvir. Vai ser um marcador bem importante de sucesso superando a técnica”, finalizou.

Aposto que essa reflexão atiçou ainda mais a sua curiosidade, né? haha

O papo com o Fábio Procópio, CEO da Gooders, tá bem legal, olha só:

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