Refugiada da Guerra na Síria cria restaurante de comida árabe em SP para recomeçar a vida

Caiu uma bomba do lado de Mohamed, meu marido, e ele perdeu parte da audição… ele escuta agora só 30%“, conta Razan, cozinheira que nasceu em Aleppo, na Síria, mas que buscou refúgio no Brasil por conta da guerra civil que o país atravessa desde 2011.

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Razan viu inúmeras pessoas queridas partindo para outros lugares, enquanto outras infelizmente morreram no conflito. Seu primeiro marido foi embora para a Alemanha, levando seus dois filhos. 💔

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Em entrevista à VOAA – a vaquinha do Razões, ela relembrou os horrores da guerra. “O governo avisou sobre a entrada do Estado Islâmico na minha cidade e que a gente precisava tomar cuidado e ficar em casa. Eles entravam nas casas das pessoas e tiravam elas de lá”.

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Um dia, uma bomba caiu bem próxima de sua casa. Como resultado, Razan desenvolveu um trauma com barulhos altos. “Quando você solta fogos de artifício, eu passo mal. Eu não consigo lidar, porque o barulho para mim é igual [às bombas]”, desabafou.

Em 2014, Razan decidiu fugir da Síria, mas seus planos foram frustrados no último minuto. “Pegamos o visto, tudo indo bem… No dia da viagem, lá no aeroporto do Líbano, a polícia mandou a gente ir embora”, contou.

No dia seguinte, seu marido, de um novo casamento, deu a ideia de ir embora para o Brasil. “Ele falou pra mim no dia seguinte: vamos para o Brasil, lá não tem guerra, lá o pessoal só dança, lá tem carnaval”.

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O esposo mostrou algumas fotos para Razan, e ela adorou. “Quando eu cheguei aqui, em 2014, aí começou [os dilemas]: o povo não é igual a mim, como eles vão aceitar eu com a minha roupa assim?”.

No início, ela teve dificuldades com relação à alimentação no país. “Quase não comia nada… É porque pão francês, leite de lata, e queijo de saquinho assim, para mim… É muito diferente”, brincou.

Desconfiada com a dificuldade de comer, Razan um dia foi ao hospital. Lá, descobriu que estava grávida!

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Nesse meio-tempo, durante a gestação, ela conseguiu se adaptar às terras tupiniquins, fazer novas amizades e forjar vínculos afetivos. Um bom exemplo disso foi o dia que sua vizinha lhe deu a senha do seu Wi-Fi.

Agradecida, Razan ofereceu um jantar. “Eles vieram como família, eu fiz muito e pensei que eles iam comer muito. Eles comeram dois, três pedacinhos e sobrou muito. Fiz umas 200 esfihas no dia”, contou. “Ao ver que sobrou, a vizinha falou pra mim: ‘Vamos vender no prédio'”.

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Logo no primeiro dia, tudo foi vendido. “As pessoas começaram a pedir mais, aí eu comecei a fazer”, relembrou. Aquela pequena oportunidade de ter uma rendinha acabou se tornou um negócio!

“Fiz um perfil no Facebook, coloquei primeiro: ‘Razan Comida Árabe’. Deu muito certo! As pessoas começaram a me procurar, começando a pedir comida para experimentar“, disse.

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Faz 4 anos que a cozinheira mantém seu restaurante, com sabores típicos da Síria. “Faço kibe, esfihas, arroz com lentilha, kafta, kib cru, farofas ou as pastas: pão e doce”. Tem pessoas que pedem de outros estados também”, completou.

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Com o sucesso do negócio e a ótima relação com a comunidade, hoje, Razan não se vê retornando para seu país natal. “Agora eu não quero voltar pra lá, quero ficar aqui, aqui é bom e já tenho amigos […] Desejo que o Brasil seja para sempre este país com pessoas amorosas e gentis como as que encontrei por aqui”.

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No final das contas, o importante, segundo a síria, “é sonhar e permanecer atrás do seu sonho até conseguir fazê-lo”.

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Fotos: VOAA

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