Primeira transexual do mundo a assumir cargo em um mecanismo ligado à ONU é brasileira


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A primeira transexual do mundo a assumir um cargo em um Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura, órgão que atua em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), é brasileira.

Nascida em Pernambuco, Maria Clara de Sena, 36 anos, descobriu que nos presídios masculinos do Grande Recife os homossexuais sofriam estupros frequentemente, noite e dia, e, quando transexuais e travestis eram detidas, elas tinham seus cabelos cortados antes da detenção.

Sua rotina divide-se entre reuniões e visitas a unidades prisionais de Pernambuco. Maria luta contra os maus-tratos e torturas sofridas por qualquer pessoa que esteja em situação de privação de liberdade.

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A pernambucana lutou para ter sua identidade de gênero respeitada. (Foto: Vitor Tavares / G1)

Na infância, a pernambucana sofreu maus-tratos dentro da própria casa, na cidade de Camaragibe, no Grande Recife. “Não queria ser e nem era homem, gay ou mulher, mas uma mulher trans”, disse Maria em entrevista para o G1. Maria não se identificava nem se comportava como menino.

“Eu não conseguia entender o que tinha de errado ou o que acontecia comigo, apenas apanhava sem saber, com ele falando que eu tinha problema mental. Então, eu fui crescendo e, ao invés de criar minhas relações sociais, fui internalizando, não conversava nem me comunicava com ninguém.”

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A secretária-executiva de Direitos Humanos de Pernambuco, Laura Gomes, reconhece a conquista de Maria. “São pessoas que estão mais vulneráveis dentre todos aqueles que já são vulneráveis nesses ambientes. Ela tem nos orgulhado muito, profissional com dignidade, muito zelo pela profissão. E, além do grupo LGBT, ela orgulha por todas as pessoas”, contou ao G1.

A seleção para o novo cargo foi feita através de um edital que envolveu análise currículo, redação e entrevista. O trabalho envolve visitas constantes em locais como presídios e hospitais psiquiátricos. As relatorias são encaminhadas para os órgãos públicos responsáveis.

“A gente recebe denúncias ou é provocado e vamos atuar nesse combate aos maus tratos e tortura. E também acompanhamos para ver se as ações que recomendamos no relatório estão sendo feitas para cobrar do poder público”, disse a advogada popular Mariana Santa Cruz, que também compõe a equipe do mecanismo. Segundo a lei 14.863, de 2012, a função do órgão é “erradicar e prevenir a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes”.

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Fotos: Reprodução/Vitor Tavares / G1

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