A técnica que sofreu assédio e se vestiu como homem para comandar seleção de rugby em cadeira de rodas

Ana Ramkrapes é a primeira técnica mulher da seleção brasileira de rugby em cadeira de rodas. Ela sofreu e trabalhou muito para chegar ao posto!


técnica seleção brasileira rugby sobre rodas
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O rugby em cadeira de rodas é um dos pouquíssimos esportes que pode ser formado por equipes mistas, de homens e mulheres, desde que todos sejam comprovadamente paraplégicos. Mas essa ideia de uma modalidade sem divisão por gêneros não se efetiva como deveria.

Ana Ramkrapes tem bastante para falar sobre isso. Ela é a primeira técnica mulher da seleção brasileira na modalidade e comanda uma equipe formada por doze homens. Para ganhar respeito, se impor e se firmar na função, Ana sofreu e trabalhou muito!

Ela assumiu a equipe em 2016 e relata que os primeiros contatos foram complicados. Ela pedia para o seu auxiliar, que é homem, dar os comandos e orientações ao time em seu lugar. “Parecia que o que eu falava não tinha tanta credibilidade quanto o que o outro técnico falava. Eu lembro que eu tinha que praticamente defender uma tese quando ia passar algo para eles porque sempre era aceito com muita desconfiança”, relembra.

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Foto: Saulo Cruz/EXEMPLUS/CPB

Ana teve que abrir mão da vaidade e adotou a estratégia de se vestir como homem para não ser enxergada como mulher frágil num esporte de muito contato e força. “Quando eu entrei, eu ia de short, camiseta, coisa que eu não gostava. Infelizmente! Tive que fazer isso pra que me olhassem como profissional e não como mulher, porque primeiro te enxergam enquanto mulher e depois como profissional. Para me firmar, tive que ser mandona”, relata.

“Não aguentaria porque não gosta de ouvir grito ou por que a Ana é mulher?”

Essa virou uma das marcas da treinadora da equipe brasileira. Ela é conhecida por ser mandona dentro de quadra e por gritar bastante durante os jogos, passando orientações. E isso a incomoda bastante porque virou um rótulo lançado sobre ela.

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“Eu não gosto de ter esse jeito de grossa, mas foi o jeito que eu encontrei de me impor. Dói mais em mim ter essa imagem do que nos atletas que escutam meus gritos. Eu vejo outros técnicos que gritam, mas ninguém comenta. Talvez por minha voz ser feminina. Teve um atleta de outro time que falou para um atleta nosso que não sabia como ele aguentava a Ana gritando no meu ouvido, e que ele não aguentaria. Não aguentaria porque não gosta de ouvir grito ou por que a Ana é mulher?”, indaga.

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Foto: Saulo Cruz/EXEMPLUS/CPB

Fato é que o temperamento de Ana nos jogos é enérgico, como na partida em que ela sentou em uma cadeira de rodas e ficou indo e vindo na lateral da quadra para se comunicar com seus atletas, mas isso não a impede de ir aos jogos de maquiagem, cabelo arrumado e unhas feitas. A técnica também já sentiu preconceito por parte dos árbitros.

“Em jogos em que a outra equipe tinha um homem técnico, eu via que os árbitros tinham um tratamento diferente”, relata. E mais recentemente, em uma competição na Polônia, um membro de outra equipe a assediou tentando um contato físico com Ana.

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“Os atletas disseram que para eles isso não interessava”

Ela conta que em função de tudo isso, chegou a se culpar e a imaginar que poderia estar atrapalhando a própria equipe pelo fato de ser mulher, e pensou em desistir. “Mais recentemente em alguns jogos eu senti discriminação por ser mulher. E parecia que estava atrapalhando a equipe. Os atletas disseram que para eles isso não interessava, foi aí que percebi que eles confiavam no meu trabalho”, relata.

Desde 2016 no comando do time, Ana fez a seleção saltar de 19º para 9º lugar no ranking mundial. O objetivo agora é conquistar o bronze no Parapan de Lima 2019 e lutar pela vaga nos Jogos Paralímpicos de Tóquio através de uma repescagem.

seleção brasileira rugby sobre rodas
Foto: Saulo Cruz/EXEMPLUS/CPB
paratleta seleção brasileira rugby sobre rodas
Foto: Saulo Cruz/EXEMPLUS/CPB
seleção brasileira rugby sobre rodas
Foto: Saulo Cruz/EXEMPLUS/CPB

Abrindo caminho para outras mulheres

Ana Ramprakes se formou em Educação Física e se apaixonou pelo rugby em cadeira de rodas ainda na faculdade. Passou a atuar em um time universitário, depois ajudou a fundar uma associação com o time “Gigantes”, em Campinas (SP), que hoje formam a base da seleção. Ela também se dedicou a estudar a fisiologia e, por causa do esporte, enveredou pela área da fisiologia de exercícios de lesionado medular.

A treinadora abriu caminho para que outras mulheres também comandassem times da modalidade no país e hoje existem outras técnicas mulheres. Além disso, a equipe B da seleção é um time misto, formado por homens e mulheres, e a expectativa é que as atletas cheguem a ocupar vagas no time principal em breve. “Estou deixando um legado!”, finalizou.

Liderança do quadro de medalhas

O Brasil lidera o quadro geral com 182 medalhas! Delas, 70 são de ouro58 de prata, e as 54 restantes de bronze. E contando! A bandeira brasileira vai balançar muito nas cerimônias de pódio!!

Acompanhe aqui no Razões e nas redes sociais do Comitê Paralímpico Brasileiro, Instagram e Facebook, nossos paratletas no Parapan de Lima 2019. Estamos na torcida e ansiosos para ver o verde e amarelo no lugar mais alto do pódio – estaremos lá muitas vezes! 🥇🇧🇷

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