O que mudou depois que resolvi sair do armário (“culpa” da Pabllo Vittar)

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No dia 17 de maio de 1990, há exatos 30 anos, a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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De lá pra cá, a comunidade LGBT+ conquistou uma série de direitos fundamentais em países do mundo todo. Aqui no Brasil, por exemplo, casais homoafetivos podem se casar, a homofobia é passível de punição e transexuais e transgêneros podem mudar seus nomes de registro civil sem necessidade de cirurgia.

A data virou um marco – o Dia Internacional contra a Homofobia – e é comemorada no Brasil desde 2010.

Mas temos muitas lutas pela frente.

Tudo culpa da Pabllo Vittar

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Foi numa data como essa que este redator decidiu “sair do armário”.

Era 28 de junho de 2018, data em que se comemora o Dia Internacional do Orgulho LGBT+, em memória aos acontecimentos de Stonewall.

Naquele mesmo dia, só que em 1969, gays, lésbicas, bissexuais, drag queens, transexuais (e heterossexuais!) uniram forças para dar um basta ao preconceito, a discriminação e o ódio contra pessoas que simplesmente são diferentes.

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Foto: Domínio público

No meu caso, no auge dos meus 19 anos, aproveitei a data para mudar minha vida para sempre. Até aquele dia, eu precisava ficar fingindo ser algo que não era para me adequar às pessoas ao meu redor.

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Dois meses antes, eu havia saído de casa após uma briga. E, acredite, foi culpa da Pabllo Vittar! Calma que eu te explico! 🙌

Durante toda a minha adolescência, passei por diversos episódios difíceis de expressar por aqui, mas que, de alguma forma, me fortaleceram para eu estar aqui hoje.

Tentaram me convencer de que minha orientação sexual, a bissexualidade, fosse uma doença, um distúrbio, um pecado maligno, uma perversão – algo sujo.

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Foto: Arquivo pessoal / Gabriel Pietro

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Foram anos acobertando minha sexualidade, fingindo e mascarando de todas as maneiras possíveis enquanto eu travava uma luta interna para me ‘curar’ daquilo que tanto martelavam que não era algo normal.

Eu tentei, de verdade, por anos, mudar o imutável, mudar algo que eu era e sou desde que me entendo por gente. Mas um dia percebi que isso não poderia ser mudado. Percebi que minha orientação sexual não define o que eu sou – eu sou muito mais do que isso…

A sexualidade é apenas uma peça que compõe o que você é. No entanto, ela não define seu caráter, sua profissão, seus hobbies.

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Eventualmente, eu mudei minha maneira de pensar: parei de me cobrar tanto e decidi que não viveria para agradar as outras pessoas ou para bater as expectativas que os outros colocaram em mim.

Mas e onde a Pabllo entra nisso tudo? Bem, ela foi uma espécie de garota-propaganda de uma campanha contra a homofobia na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Meus familiares, até então muito conservadores, se sentiram ofendidos por saberem que eu participaria ‘daquele tipo’ de evento.

Houve uma grande briga – apenas mais uma dentre tantas outras ao longo dos anos, – e em meio a tudo aquilo, eu decidi sair de casa.

A decisão foi súbita, pensada com o fígado: eu praticamente não tinha dinheiro naquele momento e não tinha certeza se receberia meu pagamento do trabalho naquele mês. Precisei contar com a ajuda de amigos – os melhores, por sinal.

Foi a escolha de uma vida, e felizmente, as coisas foram se ajeitando, pouco a pouco. Um mês e meio depois de me tornar independente, eu decidi que iria me tornar uma pessoa mais autêntica e transparente. Sair do armário, para mim, foi essencial.

Foto: Arquivo pessoal / Gabriel Pietro

Não era algo para “aparecer” ou fazer “mimimi”, como muitos podem pensar. Era algo para me autoafirmar após tantos anos enganando a mim mesmo. Ao mesmo tempo, queria mostrar que nós existimos, que nós estamos aqui e que nós não somos nem inferiores, nem superiores a ninguém.

Bom, os anos se passaram, e as feridas se curaram. Meu relacionamento com a minha família foi retomado após muito diálogo e compreensão entre as partes. Talvez isso seja algo que esteja faltando nos lares de famílias conservadoras que descobriram que um filho ou filha é LGBT: diálogo e compreensão. Amor ao próximo. Empatia.

Gente, essas quatro ferramentas curam qualquer ferida. É transformador!

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Olhando para trás, vejo que estive sujeito a muitas coisas lamentáveis que não gostaria de ter vivenciado, como agressões físicas e verbais, terapia de reorientação sexual (cura gay), acampamentos de conversão espiritual etc., e infelizmente reconheço que isso é muito comum para quem é LGBT.

Quantos jovens gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, queers, intersexuais são submetidos aos mesmos abusos e situações adversas? É por isso que o Dia Internacional de Combate à Homofobia (e lesbofobia, transfobia, bifobia etc.) é tão importante.

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Tema da Parada LGBT foi ‘Diga Não à Homofobia’. Foto: Reprodução / Viagens Cine

Precisamos falar sobre isso. Precisamos conscientizar nossos amigos e familiares. É possível mudar esse panorama, e só com o poder do diálogo, da empatia e da educação nós vamos erradicar o preconceito e a discriminação contra as minorias.

Chega de história de jovens LGBTs expulsos de casa por seus pais, agredidos, humilhados, assassinados. Não falar sobre isso não resolve o problema. Acobertar ou minimizar essas histórias muitas vezes nos tornam cúmplices.

A homofobia no dia a dia

Olha, quem é LGBT experimenta situações homofóbicas regularmente, viu?

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A maioria delas são inofensivas e travestidas como brincadeiras ou piadas ‘bobinhas’ de chacota. Outras são ocultas e só percebemos quando paramos pra pensar.

E tem as mais diretas, quando tentam nos ofender ou nos inferiorizar (Quem é gay e nunca foi chamado de ‘viadinho’, ‘bichinha’, ‘mulherzinha’, que atire a primeira pedra).

Leia também: Após se revelar trans, filho é surpreendido por pai que abandona vício para apoiá-lo

Ao declararmos nossa orientação sexual, coisas assim podem acontecer:

  • podemos ser expulsos de casa ou sermos alvos de agressões físicas e verbais;
  • amigos se afastam, familiares deixam de entrar em contato com a mesma intensidade que antes, outros passam a fingir que você nem existe;
  • há retaliações na escola, na universidade ou no trabalho de pessoas preconceituosas;
  • usam nossa sexualidade para nos desmerecer ou como um combustível para nos ofender em rodas de conversas ou discussões.

Passamos a naturalizar tudo isso em nome da “boa convivência”, mas só nós sabemos o quão tóxico, o quanto machuca, algumas palavras, ações e atitudes.

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Foto: Reprodução / Tumblr

Começamos a nos esconder para não passarmos por situações constrangedoras ou potencialmente violentas.

  1. Andar de mãos dadas com o/a namorado/a na rua? Nem pensar! Beijo em locais públicos então… esquece!
  2. Mudar o sexo do/a nosso/a namorado/a nas rodas de conversa ou nas situações do dia a dia não é algo incomum.
  3. Da mesma forma, tratá-los/as como amigos/as quando estamos com familiares ou amigos que não sabem nossa sexualidade também é uma rotina para quem ainda está no armário.

E não para por aí…

Homofobia constrange, mas também mata

A homofobia, em seu último grau de violência, também mata.

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Homofobia mata. Foto: Reprodução / Geledes.org

Você já deve ter ouvido que o Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo. Isso é um fato: em 2018, no último levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia, foram 319 assassinatos motivados por ódio a homossexuais. Ou seja: a motivação do monstro foi matar a vítima por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Além disso, foram documentados 101 suicídios de LGBTs motivados pela extrema dificuldade de se integrar à uma sociedade profundamente preconceituosa, seja no âmbito familiar ou social.

Veja, o problema é muito mais embaixo. Precisamos continuar conscientizando a população sobre o tema e mais, precisamos de políticas públicas que interrompam o ciclo de invisibilidade que essa comunidade sofre, especialmente as travestis e os transexuais.

Nós nascemos assim

Como diria o médico Drauzio Varella, “a sexualidade É, ela se impõe“.

Você, que é heterossexual, quando você ‘escolheu’ ser atraído pelo sexo oposto? Foi algo natural, né? Não se trata de escolha, logo, não é uma ‘opção sexual’.

Vale lembrar que a sua ou a minha orientação sexual ou identidade de gênero não definem seu caráter, seus gostos ou quem você é. Ela é apenas uma parte que compõe a sua personalidade.

Quem julga uma pessoa por isso, infelizmente é mal-intencionada.

Meu filho é gay, e agora?

Se você tem um filho LGBT, não fuja desse papel: não existe ex-filho, ex-pai ou ex-mãe.

A partir do momento que você sabe que seu filho é LGBT, você precisa ser pai e mãe duas vezes! Você tem que se fazer mais presente – numa sociedade homofóbica, um LGBT sempre precisa de apoio. Sempre! Se esse apoio não vir do pai ou da mãe, vai vir de onde?

Converse com seu filho, abra seu coração. Permita que ele abra seu coração também. Nos fortalecemos quando nossos pais estão do nosso lado, conseguimos aguentar coisas que sem esse apoio a gente não aguenta. Então não seja omisso, seja responsável, presente. Estreite sua relação com ele/a. Ele é seu filho e precisa de você!

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Um caminho sem volta – progresso!

Nos últimos 50 anos, houve uma grande revolução capitaneada pelo movimento LGBT+ e seus simpatizantes que transformaram sociedades inteiras, garantindo direitos que nós nunca tivemos e muito mais.

No Brasil, uma pesquisa do Datafolha de outubro de 2018 mostrou que 74% da população acredita que a homossexualidade deveria ser aceita na sociedade.

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Outra pesquisa, do Ibope, mostrou que 61% dos brasileiros apoiam a adoção de crianças por casais do mesmo sexo e 53% apoiam o casamento gay.

Se olharmos apenas 25 anos no passado, a rejeição aos LGBTs chegava a 80%. Viramos completamente o jogo e em apenas uma geração!

A integração e o respeito que a comunidade queer merece está sendo conquistada pouco a pouco apesar do barulho e da gritaria dos homofóbicos de plantão. E isso, queiram eles ou não, é algo irreversível!

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