Conciliando trabalho na roça com os estudos, jovem é aprovado em medicina

Se já é difícil passar no vestibular de medicina estudando nos melhores colégios e cursinhos, imagine para um trabalhador rural que se desdobra entre os trabalhos na roça e os estudos.

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Mas, Jéferson César provou que isso é possível com a aprovação no curso de medicina da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba.

A vitória de Jéferson veio quase quatro anos depois dele concluir o ensino médio na Escola Estadual Antunes Bezerra, em 2012. Desde então ele concilia os estudos com o cuidado dos animais e plantações do sítio da família.

Ele teve que adiar o sonho da universidade por causa das fortes secas que atingiram a região e que diminuíram os ganhos familiares.

“Desde os cinco anos, lido com palma, capim, feijão e milho e tiro leite de vaca. Mas a seca foi a pior que já vi no Nordeste, não tinha como meus pais me ajudarem em outra cidade. Nem tentei. Fiz Física, porque era em Pesqueira, aqui perto, e passei. Agora, com as coisas melhorando, tentei, mas achando que seria minha primeira tentativa, porque muita gente que quer ser médico tenta muitas vezes, né?”, relata Jéferson, que acaba de trancar a licenciatura em física, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), no 7° período, de um total de 8. “Não era o que eu queria”.

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Jéferson descobriu o que queria entre os 10 e 12 anos vendo as dificuldades enfrentadas pela família que não tinha acesso a unidades de saúde. Ele acordava às 5h para trabalhar no campo até às 10h. Depois, voltava para casa para almoçar e estudar antes de retornar ao trabalho, às 14h.

À noite, ele ia para o curso de física em uma cidade vizinha, de onde retornava às 22h30 e estudava mais uma hora para a prova do Enem. “Não dava para fazer mais que isso, senão só dormiria 5h e acabava atrapalhando tudo”. Para contornar a falta de tempo, improvisava: “Eu aproveitava o silêncio do campo e, enquanto tirava leite das vacas, ouvia umas 2h, 3h de videoaulas no celular. Isso facilitou”, diz, sorrindo.

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via [Correio Braziliense]

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