Hospital Estadual da Criança realiza desejos de pacientes no Rio de Janeiro


Hospital Estadual da Criança realiza desejos de pacientes no Rio de Janeiro
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Dezenas de crianças internadas no HEC – Hospital Estadual da Criança, no bairro Vila Valqueire, zona oeste do Rio, enfrentam longos períodos de internação para se recuperarem das cirurgias e transplantes a que foram submetidas.

Felizmente, elas tem um motivo especial para voltarem a sorrir nesse meio-tempo: uma iniciativa do próprio hospital que tem por base a seguinte pergunta: ‘‘O que tornaria seu dia mais feliz?’’. Com isso em mente, centenas de desejos feitos pelas crianças foram atendidos em apenas dois meses.

Desejos simples, como um brinquedinho novo para brincar, uma pizza saborosa para comer no fim de semana ou um telefonema para um familiar. Já pediram até um Papai Noel fora de época, uma foto em tamanho real do ator George Clooney e até a visita de um cãozinho de estimação.

Batizado de ‘‘O que importa para você hoje”, o projeto já atendeu 261 pacientes submetidos à internação. Ele é inspirado no movimento “What matters to you?”, criado pelo Healthcare Improvement em 2010, uma instituição de saúde sediada nos Estados Unidos.

Funciona assim: as crianças fazem seus pedidos, e eles são em seguida debatidos por uma comissão de médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, pedagogos e assistentes sociais. Se tudo correr bem, a equipe dá um jeito de realizá-los.

Com apenas 6 anos, o João Pedro teve que fazer um transplante de rim no final do ano passado, estando internado há três meses no HEC. Para quem não o conhece e o vê sorrindo e gargalhando a todo momento, é difícil acreditar que ele está há três semanas num quarto especial do hospital para combater uma infecção.

João pediu uma caixa de massinhas para poder brincar e modelar coisas – bonecos, frutas, pratos, leões, coelhos e até cópias perfeitas do Louro José foram criadas por ele.

“Aqui fica mais legal quando tem massinha, mas não tão legal quanto quando tem videogame. Estou de folga da escola. Então fico fazendo bonecos”, diz o menino, que afirma querer ser escultor quando crescer.

Hospital Estadual da Criança realiza desejos de pacientes no Rio de Janeiro
João Paulo mostra suas esculturas feitas de massinha Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

O bom humor rapidamente se dissipa quando ainda bem cedo, uma enfermeira aparece para coletar seu sangue. Resistente, ele reclama: ‘eu ainda nem acordei e já vem me furar!’. A enfermeira logo pergunta, para acalmá-lo: ‘João, o que você quer hoje para fazer o seu dia mais feliz?’. Ele assente e logo volta a sorrir.

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Essa mesma pergunta acalma e alegra outro João, de 4 anos, internado no mesmo andar e iniciando o tratamento contra a leucemia.

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Alguns dos bonecos feitos por João Paulo com a massinha que ganha no hospital Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

“Todo dia de manhã, quando perguntam o que ele quer, João responde pão de queijo. Apenas uma vez, pediu um carrinho. Ele virou para mim e disse: ‘até parece que virá’. Quando o carrinho chegou, ele se surpreendeu, achou até que era emprestado”, disse Marianne Oliveira Silva, de 34 anos, chef de cozinha mãe do João.

Nos primeiros 30 dias de tratamento, o garoto será submetido à quimioterapia. Após esta fase, poderá voltar para casa.

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“O jeito como tratam as crianças aqui é diferente. Melhora a aceitação ao tratamento e tudo fica mais fácil. No outro hospital, eu quase tinha que amarrar o João, de tão agitado. Aqui, ele dorme, porque se sente mais em casa. Pede gelatina, e ela aparece, como acontece em casa. Se ele está mais calmo, eu também fico”, conta Marianne.

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Lavínia, 2 anos, brinca com o recreador Pedro Ivo Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

No mesmo andar dos “Joãos”, está a pequena Lavínia, de 2 anos.

Desde agosto do ano passado, ela tem recebido tratamento contra a leucemia. Toda semana, ela recebe seu ‘pedido especial’ em saquinhos.

“Tem que ter pipoca todo dia! Ela também adora as bonecas. Mas hoje quis massinha e panelinhas”, disse a mãe, Gisele, de 31 anos.

Para o recreador do hospital, Pedro Ivo Assis, 26, é essencial tratar as crianças com absoluto amor, resiliência e paciência. Ele lembra de um episódio com uma criança que lhe pediu para ver o dia ao ar livre:

“Ele estava internado há três meses. Montamos toda a estrutura para levá-lo ao terraço. E como valeu a pena! As crianças nos surpreendem,” relembra.

Outro episódio tocante aconteceu com o diretor médico do HEC, Jason Guida, que recebeu de um paciente, já sem possibilidade de cura, que queria ver o seu cachorro. “Consultamos as equipes, inclusive de controle de infecção hospitalar, e estruturamos tudo para o cachorro vir. O encontro dos dois foi extremamente emocionante.”

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João Paulo, de 6 anos, recebeu um transplante de rim e está internado no Hospital Estadual da Criança: adora receber massinha Foto: Guito Moreto

Guida explica que o verdadeiro objetivo do ‘‘O que importa para você hoje” é aproximar a equipe médica dos pacientes, humanizando o atendimento da instituição e fazendo com que a estadia das crianças e suas famílias seja menos incômoda e dolorosa – que haja ali, qualidade de vida.

“Conseguimos por meio de uma pergunta que aquele dia tenha um pouco de satisfação. Colocamos o paciente no centro do cuidado. O que fazemos aqui no HEC é oferecer dignidade no atendimento”, afirma o diretor médico.

De acordo com ele, cerca de 70% dos pedidos saem da sala de brinquedos e recreação; outros 20% da cozinha, e os demais são variados. “Não me esqueço de um menino que pediu para ir para o centro cirúrgico de cueca. Em geral, o paciente vai na maca, apenas com um avental sobre ele. Mas, para aquele menino, ir sem roupa alguma era uma violência. Ele foi de cueca e tiraram apenas depois da anestesia.”

Em momentos de tanta apreensão, a mãe de João Pedro resume bem como se sente ao ver o sorriso do filho durante a internação:

“No outro hospital, ele chorava todo dia, pedindo para ir para casa, e eu chorava junto. Aqui, ainda não me pediu nenhum dia para ir embora. O serviço público deveria ser sempre assim, porque não pagamos pouco em impostos.”

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Fonte: Revista Extra

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