Sem ajuda para cuidar da filha, mãe leva Apae para cidadezinha rural em MG

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A expressão que diz que uma mãe é capaz de mover céus e terras pode ser vista a olhos nus na história de uma mãe que levou a Apae para o pequeno município de Carmo da Cachoeira (MG).

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Tudo começou quando Maria Tereza Reis Villela teve complicações no parto da Luciana, a terceira de quatro filhos, o que ocasionou na deficiência intelectual da pequena. Nascida na roça, Lu como é conhecida por todos, hoje tem 50 anos. 

Desde muito nova, Maria Tereza, teve que encarar o desafio de cuidar da educação formal enquanto a ajuda profissional não chegava no município. Professora de História e Geografia por formação e pedagoga da Lu por definição.

Durante as esporádicas visitas às cidades de Varginha e Três Corações para consultar especialistas, a mãe foi aprendendo como gerar estímulos para filha. Assim, Luciana começou a falar (aos 4 anos) e se relacionar com outras pessoas além da sua família. 

duas mulheres sentadas banco jardim
Maria Tereza e a filha Lu. Foto: Erika Sarinho

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A Lu cresceu ao lado de uma mãe e educadora muito curiosa e focada em dar autonomia a sua filha. Isso mudou completamente a história dela. Infelizmente, as crianças com deficiência intelectual da região não tinham o mesmo privilégio e isso sempre incomodou muito Maria Tereza.

“Eu tinha mais a oferecer e eu sabia que na cidade tinham muitas crianças precisando receber mais”, contou.

Foi quando conheceu a Apae – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Brasil e ao lado da amiga e também professora Margarete Palhares e Luciana Palhares, elas foram até a prefeitura e conseguiram a autorização para levar a instituição até Carmo da Cachoeira. 

Determinada e boa de lábia, Maria Tereza desenhou o projeto do prédio em uma folha de papel e viajou até São Paulo para pedir ajuda financeira, onde conseguiu sua primeira doação.

Sem ajuda para cuidar da filha, mãe leva Apae para cidadezinha rural em MG 1
Apae recebeu o nome da Lu. Foto: Arquivo pessoal

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Instituição é referência no sul de Minas Gerais

Depois veio a conquista do terreno. A comunidade se mobilizou e doaram os móveis, finalmente veio a inauguração da Apae Luciana Reis Villela — sim, ela recebeu o nome da Lu — em novembro de 1992. 

Hoje a instituição é referência no sul de Minas Gerais e conta com 60 alunos de 5 a 50 anos de idade em 4 salas de aula nos turnos da manhã e tarde. Os estudantes recebem material didático especial, roupas limpas quando necessário, todas as refeições e transporte.

sala apae
Foto: Arquivo pessoal

São alunos muito humildes. Alguns deles só comem quando chegam na Apae. Por isso, nós contamos com uma das melhores cozinheiras da cidade. Fazemos de tudo para dar do bom e do melhor para eles”, destacou Maria Tereza, que após a inauguração, retornou a sala de aula, mas dessa vez como aluna.

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sala apae
Foto: Arquivo pessoal

Aos 70 anos, ela viajava semanalmente para a cidade de Varginha para cursar pós-graduação em Psicopedagogia. 

livro receitas sobre mesa ao lado flores
Maria Tereza editou um livro com as melhores receitas das famílias de Carmo Cachoeira. Foto: Erika Sarinho

Agora aos 88 anos, ela conta com um time de 30 colaboradores, entre professores e funcionários que juntos também ajudam a levantar verba para manter a instituição de pé.

Entre os eventos promovidos eles fazem um pedágio na estrada e caminheiros de todo o país contribuem, além do jantar beneficente no clube e as barracas de comida na praça da cidade organizados pela diretoria da Apae em parceria com a comunidade.

Tratamento para o Davi, criança de 6 anos que sofre de autismo severo e obesidade mórbida, pesando 90 quilos. Clique aqui para ajudar.

“Eu até editei um livro com as melhores receitas de cada família aqui de Carmo de Cachoeira. Nós organizamos uma noite de autógrafos e foi um sucesso!”, disse Maria Tereza. 

Depois de tantos esforços, o espaço conta com uma excelente infraestrutura além da famosa Sorveteria Lu e o Acqua Lu, com duas piscinas de água quente disponíveis para toda a comunidade. 

mãos mãe e filha
Foto: Erika Sarinho

Lu é a secretária da Apae que mãe fundou

Comunicativa, vaidosa e sempre com as unhas impecáveis, Lu se apresentou a mim como sendo a secretária da Apae. Eu não duvido, já que a vida dela trouxe vida para tantas outras crianças daquela pequena cidade.

A mãe Maria Tereza brinca que ela é uma das pessoas mais populares de Carmo da Cachoeira.

“A Lu frequentou a escola graças à irmã caçula, a Cláudia, que a acompanhava. Eu sei que na época foi muito difícil para as duas, porque nem sempre os adolescentes são gentis. Estou contando isso porque 30 anos depois que elas se formaram, um dia uma moradora daqui veio me agradecer pela  ajuda da Lu a sua filha. Fiquei sem entender! Foi quando ela me contou que todos os dias a minha filha dividia a merenda com a filha dela”, concluiu a conversa com os olhos brilhando de orgulho e gratidão.

“É o meu presente de Deus”, Maria Tereza.

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