No início do Alzheimer, Dona Aparecida ganha kit de lápis amarelos de marca após mostrar paixão por colorir


idosa alzheimer ganha kit lápis amarelo
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Dona Maria Aparecida Lacerda Furtado é uma idosa forte, guerreira e uma ‘gigante’, como sua própria neta, Brena Lacerda, a chama. Com seus 80 anos de idade, ela foi responsável pela criação dela, de sua irmã e de, mais tarde, seu irmão mais novo de um um outro relacionamento de sua mãe. Com sua mãe solteira, a avó, que ficou viúva muito cedo, morou por anos com as netas, cuidando delas com a pensão que recebia, seu salário mínimo. E não foi diferente com a filha de sua irmã, ajudando-a a criá-la também. Dentre seus 7 anos, Brena se diz a mais próxima por ter uma grande afinidade com ela depois de tantos anos morando ao seu lado, recebendo mimos e um carinho infinito. Não é à toa que a vontade, o senso de responsabilidade, em ajudá-la quando ela mais precisa, surgiu.

Esse momento ocorreu em 2017 depois que Brena ficou dois anos e meio fora de casa. Alguns sintomas de demência e de esquecimento começaram a chamar a atenção da família. “Por exemplo, ela chegou na casa da minha mãe depois de uns dois meses sem ir lá e falou ‘nossa, a reforma ficou linda’. Sendo que deve ter uns 15 anos que minha mãe não reforma a casa, sabe? A gente viu que ela começou a ficar confusa com algumas coisas. A gente precisava repetir muitas vezes . Enfim, esses sintomas começaram e a gente entendeu que ela tinha algum tipo de demência e ai já tava fazendo acompanhamento com neurologista”, conta ela.

O diagnóstico, porém, veio só em maio/junho de 2018: um comecinho de Alzheimer. Segundo a neta, ela ainda não faz coisas como colocar o tênis na geladeira ou deixar o despertador na máquina de lavar, etc. “Ela sabe quem nós somos, ela se lembra de muitas coisas. Ela só ta tendo esse problema com a memória curta. E as vezes ela fica confusa. Já é Alzheimer, mas a gente pegou muito no começo. E a gente já está com os remédios para retardar o processo ou para estabilizar, sabe? Para diminuir a velocidade da dimensão da doença”, revela.

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Para Brena, não foi uma surpresa o diagnóstico. Se declarando uma pessoa realista e prática, ela revela que não houve muito espaço para sofrimento. “É só assim ‘ok, essa é a realidade. Qual é o próximo passo? O que a gente precisa fazer?’”, diz. Desde então, a neta tem estado a frente dos cuidados com a avó, voltando a morar na casa de sua mãe, a qual também enfrenta alguns problemas de saúde. Assim, sendo difícil para a mãe ser responsável por sua avó, Brena assumiu a situação para ajudar. Em relação aos outros familiares, ela revela que têm alguns morando em outras regiões do Brasil, mas que quem mais a ajuda nesse processo é sua tia, esposa de seu tio que mora em Barra Mansa. Como ela trabalha fora, diferente de como era antes, a ajuda de sua tia tem sido essencial.

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Mas o que tem ajudado e muito a grande avó Aparecida, é colorir. Segundo a neta, a tia Rosi, de Minas, que teria dado um livro de colorir pra ela que acabou virando um hábito diário junto a um estojinho de lápis de cor. Todos os dias, por pelo menos 3 horas, lá estava ela pintando. “Todo momento livre que ela tem ela tá colorindo. Ela colore antes de dormir, ela colore quando acorda. Virou um hábito que a gente alimenta. E aí comentamos com a neurologista e a neurologista falou ‘estimulem, porque isso ajuda com a cabecinha dela, ajuda a exercitar, a estimular o cérebro”, conta. Antes, era o caça-palavras e agora seu bibelô da vez são os livros de colorir. Porém, algo interessante começou a chamar a atenção da família. Cerca de 80% dos desenhos continham a cor amarela. Dessa forma, dá para imaginar qual é o primeiro lápis de cor que acaba durante os desenhos da avó, não é mesmo?!

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Não é a toa que surgiu uma ideia para Brena percebendo o desejo por esse lápis.” O amarelo acaba, a gente compra uma caixa nova e aí ela acaba. E aí no dia que eu decidi fazer aquele post, eu já tinha procurado no mercado livre, eu já tinha ido em umas papelarias da minha cidade, na cidade vizinha… mas eu já  tinha até esquecido, e aí naquele dia eu estava deitada e ela falou assim ‘eu preciso comprar uma caixa de lápis de cor nova’. E eu ‘vó, você acabou de ganhar uma caixa de 36 cores da Faber Castell’. E ela ‘você viu o tamanho que tá o meu amarelo?’”, é o que conta a neta. E então lá foi ela, cheia de conexões por todos os lugares, ela recorreu às redes sociais para conseguir, talvez, uma caixa cheinha de lápis amarelos.

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No mesmo dia, os compartilhamentos cresciam e não demorou até que inúmeras marcas recebessem marcações na rede social do Instagram, o que deixou Brena esperançosa. “E aí no final daquele dia ou no dia seguinte, um amigo me disse ‘olha, eu entrei em contato com a Tris pelo inbox e eles pediram o seu contato. Fala com eles, porque eles não conseguem te mandar um inbox, né. Fala com eles que eles vão ajudar’. E aí eu falei com eles e foi um atendimento maravilhoso. Eles são lindos, sabe, foi um cuidado muito grande, muito carinhoso”, revela. Num primeiro momento, Brena imaginou que a avó fosse receber um kit montado para ela comprar, mas o que recebeu foi um presente, um kit realmente grande inesperado junto de uma cartinha assinada por toda a equipe.

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Para a neta, ter visto aquele carinho com a sua avó foi simplesmente inacreditável. A avó é uma pessoa muito simples, como ela conta, e o salário mínimo que ganha vai tudo para a compra de seus remédios. Roupas e outras coisas são compradas pela família. Por isso, não é de se espantar que Aparecida goste de receber alguns mimos de vez em quando. “Ela adora quando alguém faz uma gentileza pra ela, porque ela já fez tanto por tanta gente, né. A gente às vezes é muito ingrato e esquece de quem mais cuidou da gente”, explica Brena. E olha, a emoção realmente tomou conta não só dela, mas da avó, é claro, e de todos quando leram a cartinha. “Ela disse que tá muito grata, que graças a Deus ainda existem pessoas boas nesse mundo. Que ela não tem palavras pra agradecer. Enfim, ela ficou muito feliz. Não foram muitos os momentos na minha vida em que eu vi a minha vó verdadeiramente feliz, porque ela é uma mulher muito sofrida, sabe?”, conta.

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Para Brena, o que falta é as pessoas usarem o poder da internet para o bem do mundo e as empresas se espelharem no exemplo da Tris que gerou uma alegria de uma forma realmente simples. “Fez a felicidade da minha avó por um longo tempo, porque aqueles lápis vão durar muito tempo. E fez a minha felicidade, a felicidade de todo mundo que viu essa história. Fez a gente acreditar mais um pouquinho que a humanidade tem jeito, que as pessoas têm jeito.Então eu fico muito feliz que a Tris fez isso pela gente e eu espero que tanto eles quanto outras empresas façam isso por outras pessoas. É você mover um pouquinho pra fazer a felicidade de alguém”, conclui ela.

Realmente uma ação como essa merece uma salva de palmas, não é mesmo?! Assim como a avó Aparecida que batalhou e está batalhando cada dia mais. E aí, bora encantar?

Fotos: Reprodução/Arquivo pessoal

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