#SomosLivres: nova campanha nacional quer acabar com a escravidão contemporânea

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Nova campanha nacional, #SomosLivres, lançada pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e o Ministério Público do Trabalho, quer prevenir e informar sobre a escravidão contemporânea.

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A iniciativa busca chamar a atenção para a gravidade do problema no Brasil, além de lutar contra mudanças propostas em projetos de lei, atualmente em trâmite no Congresso Nacional, que, se aprovadas, irão flexibilizar a definição de trabalho escravo em território brasileiro e facilitar a ocorrência de novos casos.

A campanha se baseou em uma recente e alarmante pesquisa realizada pela Ipsos, a pedido da Repórter Brasil, que identificou que a maioria dos brasileiros não sabe responder com clareza o que caracteriza uma situação de escravidão. O levantamento aponta ainda que 27% afirmam diretamente não saber do que se trata o tema.

“Percebemos que existe hoje uma grande confusão sobre o conceito de trabalho escravo, em especial no que se refere a condições degradantes e jornada exaustiva. Falta consciência sobre a gravidade da situação, que é muito mais séria do que ter alguns direitos trabalhistas desrespeitados ou receber uma remuneração baixa. Estamos falando, por exemplo, de ameaças de violência física e psicológica, condições degradantes de trabalho, servidão forçada por dívida e jornadas exaustivas que comprometem até mesmo a vida do indivíduo”, explica Christiane Vieira Nogueira, da Coordenação Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho em São Paulo.

Desde 1995, quando o governo brasileiro reconheceu a existência do trabalho escravo no país, cerca de 50 mil pessoas foram resgatadas por meio de operações de fiscalização do Estado em atividades ligadas à agropecuária, ao extrativismo, à produção de roupas, à construção civil, ao comércio e à exploração sexual.

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“Existe ainda a necessidade de alertarmos para a existência do trabalho escravo urbano, cuja relevância vem crescendo muito nos últimos anos. Infelizmente grande parte dos brasileiros ainda acredita que isso só acontece em zonas rurais”, afirma Silvio Brasil, coordenador da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).

Através da campanha #somoslivres, busca-se envolver o público na causa da erradicação do trabalho escravo por meio de ações de engajamento e ativação nas mídias online e off-line.

“Queremos gerar nas pessoas uma conexão emocional com o tema por meio da aproximação dos conceitos que definem o trabalho escravo moderno com o papel que todos possuem nessa jornada”, explica Bruno D’Angelo, vice-presidente da agência Ideal H+K Strategies, responsável pela concepção do projeto. “O ponto de partida e também a proposta central da campanha é convidar o indivíduo a pensar a partir do questionamento: “qual foi o seu pior dia de trabalho?”’, comenta D´Angelo.

“Entendemos que a liberdade deveria ser uma certeza na vida do ser humano. No trabalho, todo mundo consegue se lembrar de algum dia em que não se sentiu completamente livre, mas está longe de ser trabalho escravo. A ideia é aproveitar essa memória como ponto de partida para uma reflexão maior, mostrando o que realmente significa ser escravizado”, finaliza Bruno.

“Por meio dessa campanha esperamos conduzir o público a confrontar situações concretas de abuso, levando-o a concluir por si só o quanto o trabalho escravo é um crime muito mais grave do que costumamos imaginar”, conclui Christiane Vieira, do Ministério Público do Trabalho (MPT).

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Confira o vídeo do ator Wagner Moura em apoio à campanha:

Para saber mais: www.somoslivres.org

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