Startup alagoana está ajudando milhões de surdos a se comunicarem com o mundo

Uma startup alagoana está mudando a vida de milhares de pessoas surdas do Brasil, bem como de todos que os cercam também.

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Através do Hugo, um avatar em animação 3D muito simpático, magrelo, de cabeça e mãos grandes, braços compridos e um rosto muito expressivo, é possível traduzir em tempo real qualquer conteúdo dito em português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

O app chamado Hand Talk, além de disponível para smartphones, também já virou totem para ser usado em eventos e plugin para ser usado em alguns sites.

Segunda dados do Projeto Draft, no mundo, estima-se que o número de pessoas com deficiência auditiva ultrapasse a casa dos 200 milhões. No Brasil, de acordo com o Censo de 2010, existem quase 10 milhões de pessoas com algum tipo de problema auditivo. Destas, aproximadamente 70% não foram completamente alfabetizadas em português e dependem exclusivamente da Libras para se comunicar.

A ideia do projeto nasceu há quase um ano, em Maceió (AL), quando Ronaldo Tenório recebeu o desafio de criar um produto inovador para o curso de publicidade na faculdade e como já tinha interesse no mercado de acessibilidade, logo o projeto surgiu no papel.

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Porém, por 5 anos esse app ficou apenas na teoria. Nesse tempo Ronaldo se formou e abriu uma agência. Foi quando um de seus parceiros, Carlos Wanderlan, logo depois de fazer um curso de desenvolvimento de aplicativos, queria colocar em prática seu aprendizado e assim Ronaldo propôs criá-lo.

Após o primeiro protótipo, foi a vez de Thadeu Luz se juntar ao projeto, um especialista em animação para dar vida àquela ideia e tornar-se o terceiro sócio.

Pouco depois, o investidor João Kepler organizou o primeiro Demo Day em Maceió, onde os três apresentaram ao mundo pela primeira vez sua ideia. Eles queriam testar como seria a receptividade e, para surpresa deles, saíram de lá com 170 mil reais em investimentos anjos.

Agora 100% dediados ao projeto, eles foram uma das 10 startups selecionadas para serem aceleradas pela Artemisia, focada em negócios sociais. “Esse processo foi muito rico para nós. Tivemos muitos mentores, empreendedores e pessoas trabalhando com a gente. Saímos de Alagoas e participamos de vários eventos ao redor do país. Foi um processo esclarecedor em vários pontos de vista, principalmente para entendermos que um negócio social não é uma ONG: ele tem que ser sustentável, ter escala e receita para crescer e aumentar seu impacto”, conta Carlos, que hoje atende como CTO da empresa (Ronaldo é CEO e Thadeu é COO).

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Em 2013, levaram o app para participar do WSA Mobile 2013, promovido pela ONU. A Hand Talk foi um dos dois projetos a representarem o Brasil em um evento realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Competiram com empresas do mundo inteiro e terminaram como um dos oito premiados, vencedores da categoria “Inclusão Social”.

De lá para cá, o serviço já foi baixado mais de 500 mil vezes.

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Segundo Carlos, o aplicativo tem mais de 80 mil usuários ativos mensalmente. Ele estima que, somando o plugin tradutor de sites, os softwares de tradução em totens, o aplicativo e outros serviços que a startup presta, o número de pessoas impactadas pela Hand Talk já ultrapasse 3,5 milhões.

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Uma vez que o aplicativo é gratuito, a maior fonte de monetização da empresa vem dos serviços customizados, como os softwares para totens ou o plugin tradutor de sites, que funciona em um modelo freemium.

Todas as semanas, Ronaldo, Thadeu e Carlos acessam a área de feedbacks do aplicativo para darem uma olhada não só nas sugestões, mas nas várias histórias inspiradoras e mensagens de agradecimento que recebem. “Outro dia, uma moça perguntou qual era o smartphone Android mais barato que rodava nosso serviço porque ela queria comprar seis ou sete aparelhos e distribuir para a família, para que pudessem se comunicar com a filha dela”, conta Carlos.

Fonte: Projeto Draft

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