Como uma tatuagem foi capaz de mudar a minha vida

Um resgate da autoestima após a difícil luta contra o câncer de mama.


como tatuagem salvou minha vida
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Uma tatuagem pode ter diversos significados. Dos mais simples aos mais profundos. Essa arte, que ainda sofre tanto preconceito, pode ser capaz até de mudar a vida de alguém. Para mim, ela representou uma nova forma de enxergar a mim mesma e voltar a me amar.

Em 2015, passei em um concurso público para ser professora do Estado de São Paulo. Um sonho se tornando realidade! Como parte do processo, os candidatos precisam realizar uma série de exames, incluindo mamografia, no caso das mulheres. Este é um tipo de procedimento que faço todos os anos, inclusive, e nunca tive alteração, mas quando fui buscar o resultado senti que alguma coisa estava errada.

Não deu outra. O exame apontou “microcalcificações na mama direita e birads 4”, e o risco de ser câncer era alto. Fiz uma ultrassonografia e punção de mama apenas para constatar o que já sentia dentro de mim. E veio a confirmação da médica: “infelizmente você está com câncer”. O chão some. As pernas ficam dormentes. Milhares de coisas passam pela cabeça e a principal delas é: “vou morrer”.

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O câncer de mama, de acordo com dados do Inca, é um dos tipos mais comuns da doença entre as mulheres e chega a corresponder a cerca de 29% dos casos no Brasil. Mesmo sabendo disso, essa realidade parece tão distante de nós, não é?! Podemos pensar que outras pessoas terão câncer, mas nunca nós mesmas. Até que você recebe uma notícia dessas e sua vida muda completamente.

O câncer era maligno, de grau 3, e a médica orientou a retirada da mama. Fiquei muito chateada, mas não tinha outra saída. Marquei minha operação para o dia 16 de janeiro de 2016, fiz a cirurgia, saí com prótese e reduzi a mama do lado esquerdo para igualar. Uma vitória! Mas, depois veio a segunda etapa desse desafio, da qual ainda não tinha me dado conta: me aceitar com esse novo corpo.

Não conseguia me olhar no espelho, não olhava para baixo. Mexia muito comigo e o olhar de julgamento de outras pessoas tornava a situação ainda pior. Nas aulas de dança, que sempre fiz, quando as mulheres olhavam para mim agora eu me sentia mal.

Não se tratava de uma questão estética, e é claro que eu estava muito feliz pelo procedimento ter corrido bem e por existir essa alternativa na busca por salvar minha vida, mas a autoestima havia sido dilacerada. Decidi, então, pesquisar alternativas e achei a possibilidade de fazer uma tatuagem 3D. Foi quando descobri o trabalho do tatuador Miro Dantas, que conseguia reconstruir mamilos através de uma arte perfeita. Parecia um sonho e eu queria muito ter essa oportunidade.

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Passei a juntar dinheiro para pagar o procedimento, mas sempre acontecia algo em casa que me fazia recorrer a esse valor reserva e acabei procurando levar a vida da melhor maneira possível enquanto não conseguia realizar esse desejo.

Em 2017, um novo golpe do destino. Desta vez, um mioma que tinha no útero expandiu por causa do remédio que tomava pelo tratamento do câncer e precisei tirar o útero, pois as hemorragias eram grandes.

Felizmente, no ano seguinte chegou um ponto de virada para uma vida melhor. Conheci o projeto Uma Tatuagem Por Uma Vida Melhor, apoiando justamente o trabalho do tatuador Miro Dantas. Logo me inscrevi e fiquei naquela expectativa.

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Cerca de dois meses depois, o Miro entrou em contato, pediu fotos e depois marcamos de nos encontrarmos em seu estúdio. Eu pensava que era para conversarmos apenas, mas descobri que já havia sido selecionada para ter a tatuagem de reconstrução do meu mamilo. Parecia um sonho.

O trabalho ficou incrível! Quando me olhei no espelho, fiquei muito emocionada. Não é possível descrever o que senti. Achei que nunca fosse ver o meu corpo de volta em mim. A minha família, que – vejam só – nunca gostou muito de tatuagem, também não acreditava na perfeição do trabalho. Como disse no início, muitas pessoas, infelizmente, ainda marginalizam a tatuagem sem nem imaginar o que esse trabalho é capaz de fazer. No meu caso, foi a recuperação da minha autoestima e a possibilidade de poder me gostar novamente.

*Elaine Lopes, 44 anos, professora

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crédito da foto: Reprodução/YouTube Bayer Jovens

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